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sábado, 10 de junho de 2017

Proibição de matar pombas - S. Martinho do Peso (séc. XVII)


Encontrando-se na aldeia de S. Martinho do Peso, no mês de Maio do ano de 1693, o bispo de Miranda, D. Manoel de Moura Manoel, recebeu muitas queixas dos lavradores locais acerca de indivíduos que matavam e espantavam a tiro indiscriminadamente pombas bravas e pombas de criação.  Tal facto, no dizer do prelado, provocava a diminuição drástica da população destas aves e era causa de graves prejuízos na agricultura, pois o esterco dos pombos era fundamental para adubar as terras agrícolas ("com o esterco das quais se acham as terras tam opulentas, e tam bem acondicionadas que davão mais pão em dobro, e três dobro, do que depois e por falta do dito esterco das pombas..."). Além do mais, os pombas eram importantes pois tiravam as "sizanias dos pães e os deixavam limpos" e não prejudicavam as culturas frutícolas.

Assim, decretou através de pastoral, redigida na Gestosa, em Novembro de 1697, que quem matasse pombas fosse multado em três cruzados (ou três mil reis) e recebesse a pena de excomunhão maior, pois cometia um pecado mortal!

Fonte: "Pastorais dos Bispos de Miranda do Douro e Bragança", Carlos Prada de Oliveira.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O fabricante de "bestas" de Figueira - séc. XV

Em 6 de Setembro de 1462, el rei D. Afonso V concedeu o privilégio de "besteiro da câmara" a Pero Gonçalves, morador na aldeia de Figueira, concelho de Mogadouro. Por esse documento, outorgado na localidade de Tentúgal, o referido Pero Gonçalves passou a ter licença de "official de fazer beestas darco", ficando equiparado em matéria de honras, liberdades e franquias aos besteiros da câmara real.


Besta e atirador: imagens recolhidas na internet.


Diga-se, a título de curiosidade, que em 1417 o concelho de Mogadouro tinha 25 "besteiros do conto" (soldados armados com besta). Na mesma data, o extinto concelho de Bemposta tinha 2.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Notícias do séc. XIX

Recortes do jornal "Norte Transmontano", de 1895 e 1897.



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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

fotos da história recente


O Arquivo Municipal de Mogadouro tem vindo a divulgar algumas imagens da história recente da vila de Mogadouro. Parabéns à directora, Dra. Rita Gonçalves, pela iniciativa. Na foto de cima está documentado o bairro de habitações provisórias que albergou a primeira leva de retornados das ex-colónias. Na foto de baixo pode observar-se a génese do Bairro de S. João.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Mogadouro nas Inquirições de 1258

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Em 1258, o rei D. Afonso III mandou inquiridores por todo o país para aquilatar do real estado da nação, nomeadamente para averiguar acerca das suas propriedades e das possessões dos nobres e do clero, com o escopo de cobrar os devidos impostos. Neste pequeno excerto que aqui se reproduz, o capelão da igreja de S. Mamede de Mogadouro, Vasco Lopo, diz que a povoação e a igreja pertencem à Ordem do Templo. Mais diz que ouviu dizer aos homens que sabem, que as obtiveram de D. Fernando Mendes.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Tecelões judeus em Mogadouro - séc. XV

Já aqui se falou da dinâmica económica do concelho de Mogadouro no séc. XVI. Agora, com base em informação fornecida pela investigadora Maria José Ferro Tavares, ficamos a saber que existia um centro de produção de tecelagem em Mogadouro, propriedade de judeus, no séc. XV.
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Fonte: Joana Sequeira, "O Pano da Terra", pág. 38.

terça-feira, 28 de julho de 2015

A economia de Mogadouro no séc. XVI

Um dos indicadores da economia local é o registo de exportações. Assim, através da análise desses dados, ficamos a saber que no séc. XVI, em Mogadouro se produzia linho, cânhamo e seda (este produto devia ser produzido em grande quantidade, atentos os números. Era comercializada sob a forma de seda fina, grossa e seda macho). Também exportava mel, cera (os elementos disponíveis apontam igualmente para grandes níveis de produção) e peles de raposa. O forte da produção industrial local eram os têxteis, com especial destaque para a estopa.  
O porto de Mogadouro registava elevada presença de pequenos artesãos e mercadores neste século. Mais, uma vez, aqui se nota a importância da presença judaica nestas latitudes. Lá para o ano que vem teremos novidades em matéria de actividades ligadas à memória marrana dos dois lados da fronteira... 
Quanto às principais importações locais, os produtos preferidos eram sobretudo panos castelhanos.
Fonte: Isabel Freitas, "Mercadores..."

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Cooperativa Agrícola de Ribadouro - história

"ALVARÁ.
Faço saber, como Secretário de Estado da Agricultura, que sendo-me presentes os estatutos com que pretende constituir-se, (...) uma Associação Agrícola com a denominação "Adega Cooperativa de Ribadouro (Mogadouro - Miranda do Douro), S.C.R.L.", com sede em Urrós - Gare, e circunscrição limitada às freguesias de Bemposta, Brunhosinho, Castanheira, Peredo de Bemposta, Tó, Saldanha, Sanhoane, Travanca, Urrós e Ventuzelo do concelho de Mogadouro e as de Atenor e Sendim do concelho de Miranda do Douro (...)."
Secretaria de Estado da Agricultura, 3 de Fevereiro de 1959
Primeiros órgãos sociais:
Direcção
- presidente: Dr. José de Sousa Machado Ribeiro Lopes;
- secretário: Dr. José António Pinto Cordeiro;
- tesoureiro: Adalberto Rodrigues Pires.
Conselho Fiscal
- presidente: Herman Augusto Ramos;
- vogal: Manuel João de Deus Martins Manso;
- vogal: Lázaro Augusto Cordeiro.
Mesa da Assembleia Geral
- presidente: Dr. Valentim Guerra;
- primeiro secretário: padre António Maria Mourinho;
- segundo secretário: Afonso Batista Telo de Castro.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Mogadouro e as lutas civis de Castela - séc. XV

Castelo de Mogadouro - desenho de Duarte d'Armas.

A pacata vila de Mogadouro merece lugar na história da vizinha Espanha devido a um episódio da guerra civil que afectou Castela no séc. XV e que opôs as facções do príncipe herdeiro, D. Henrique, às do rei D. João II.
O Conde de Benavente, D. Afonso Pimentel, um dos titulares de Castela, afecto ao movimento do príncipe herdeiro, conseguiu evadir-se da prisão para onde o tinha enviado o rei e fugir para Portugal, onde o nosso rei D. Afonso V, em Fevereiro de 1449, lhe concedeu asilo político em Mogadouro, junto a Álvaro Pires de Távora, senhor desta vila.
"Se fué al rreyno de Portugal, a una vila çerca del moxón de Portugal que se llama Mogodoyro, en la qual fué anparado e rreçeptado, porquanto era natural de Portugal de parte de su padre e tenía ende muchos buenos parientes."  (in Crónica del Halconero de Juan II).
Entretanto, devido ao usual jogo de interesses políticos, o mesmo soberano português haveria de dar ordem de expulsão a D. Afonso Pimentel, por carta régia escrita em Évora, datada de 19 de Fevereiro de 1450. A missiva começava assim: "Honrrado comde, amíguo..." É caso para dizer: com amigos destes...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Curiosidade histórica - produção de cereais

Em tempos de escassez, o governo de Salazar apelava à produção de bens essenciais. Eis um documento interessante que retrata essa época.

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Todos os direitos de reprodução reservados ao autor do blogue.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

terça-feira, 11 de março de 2014

Costumes sociais em Valverde - 1824

"José Inácio, casado, lavrador, de idade de vinte e oito anos, natural desta freguesia de S. Sebastião de Valverde, testemunha juramentada aos Santos Evangelhos, aos costumes disse nada.
E perguntado ele testemunha devassamente pelos artigos da visita, disse que é público e notório que Ana, filha de João Monteiro, vive amancebada com José Esteves e que já tiveram um filho; disse mais ser também público nesta freguesia que Joaquina, natural da província do Minho, é mulher de porta aberta, tanto assim que há pouco tempo parira um filho; outro tanto afirmou ele testemunha de Josefa Marcelina, filha de Francisco Martins, desta mesma freguesia, que parira do criado João Cantigas, do lugar da quinta das Cobradas, e de como assim o disse assinou com ele rev. visitador. E eu o P. António Luís Mendes, secretário da devassa, que esta escrevi." (in "Visitações e Inquéritos...", de Franquelim Neiva Soares).
Foto: Antero Neto.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A venda da vila de Penas Róias

Foto: Antero Neto.

Por escritura de 7 de Janeiro de 1457, celebrado na aldeia da Castanheira, termo então de Penas Róias, vendeu Rui Gonçalves Alcoforado, marido de D. Filipa Vasques, donatária das vilas da Bemposta e Penas Róias, que el-rei D. João I, doara em 1399 a seu avô, também de nome Rui Gonçalves, a dita vila de Penas Róias, a Álvaro Pires de Távora, pelo preço de «cento e cinquenta mil réis, que foram pagos em várias espécies, a saber: oitenta e cinco dobras e meia de banda, a duzentos e cinco reais por dobra, que montavam a dezassete mil e quinhentos e vinte e cinco reais; dezassete florins, a cento e quarenta reais o florim, que perfaziam dois mil trezentos e oito reais; mais nove leais a quinze reais cada um, que perfaziam cento e trinta e cinco reais; e ainda dois sacos cheios de dinheiro, que o vendedor, à sua própria frente, viu pesar, contendo vinte mil reais brancos... (mais a seguinte baixela de prata) quatro bacias grandes de cozinha, e outro bacio de lavar, dourado, grande, de água às mãos; oito pratos de servir à mesa; quatro escudelas grandes, brancas; três gomis grandes; sete taças grandes, brancas; dois copos grandes, chãos, dourados pelas bordas; três taças grandes, picadas, douradas no fundo e pelas bordas; cinco taças de bastiães douradas de bom lavor, e grandes; uma albarrada com seu sobrecopo, dourada toda; e dois castiçais grandes. Toda esta baixela pesava cento e dez marcos e o marco avaliado em mil reais». (Fonte: Abade de Baçal, in “Memórias…”)

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Proteu e a Turesmuda de S. Martinho do Peso.

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Agora que está na moda ir buscar nomes de antanho para os filhos (deve ser chique, digo eu...), deixo aqui duas simpáticas sugestões: Proteu e Turesmuda.

sábado, 18 de janeiro de 2014

A tentativa de furto dos sinos de Vila dos Sinos

Foto: Antero Neto
Diz-se que quando foi construído o convento de S. Francisco, em Mogadouro (séc. XVII), os frades, desejosos de o dotarem com sinos de alto coturno,  numa bela noite, acompanhados de vários homens da vila, dirigiram-se a Vila dos Sinos, com um carro puxado por uma junta de fortes bois, para roubar o sino da igreja local, que era famoso por se ouvir várias léguas em redor. Contudo, desajeitados, ao deslocá-lo, fizeram com que o badalo tocasse algumas badaladas.
Alertada pelo som, produzido a inusitada hora, a população local reuniu-se de imediato e correu com os franciscanos e seus apaniguados a pau e pedra. Parece que nunca mais ousaram lá voltar.
Fonte: José Manuel Martins Pereira, in "As Terras de entre Sabor e Douro".

domingo, 27 de outubro de 2013

Gravuras rupestres e castro de Sampaio

Actualmente, em termos administrativos, o lugar de Sampaio pertence à freguesia de Azinhoso, concelho de Mogadouro. Sabemos que em 1530 pertencia ao concelho de Penas Roias e moravam lá 13 habitantes. Em 1758, ainda pertencia ao mesmo concelho e contava com 26 moradores.
Hoje, decidi demandar a chamada "Fraga das Cruzes" e o "Cabeço da Coroa". Por sorte, encontrei ti António Gouveia, figura proeminente da aldeia, que a representou junto da cabeça de freguesia e do concelho durante muitos anos. Figura castiça, não há nada que lhe escape nas redondezas. Excelente interlocutor, vai contando histórias ao longo dos íngremes trilhos que nos conduzem aos destinos pré-traçados. Foi fundamental no cumprimento do programa dominical. Já nos conhecíamos de outras "guerras" (que é como quem diz, de outras "merendas"), e foi novamente um enorme prazer privar com ele.


Fraga das Cruzes e ti António Gouveia (foto: Rita Lopes). Este painel de arte rupestre, inscrito numa fraga em xisto grauvaque apresenta um número indeterminado de cruciformes. A enumeração e definição das gravuras é dificultada pelos líquenes que cobriram esta pequena plataforma debruçada sobre as arribas do rio Sabor. A paisagem é de cortar a respiração. Quanto à origem, datação e significado das gravuras, permanece o enigma. Como é sobejamente sabido, as gravuras cruciformes já eram muito utilizadas antes de o cristianismo se ter apropriado delas como símbolo máximo.


Fotos: Antero Neto.
Observada a fraga, demos um pulo até ao "Cabeço da Coroa" - povoado fortificado, de que restam apenas abundantes vestígios de pedra solta derrubada e daquilo que me pareceu ser um fosso e alguns panos de muralha. A vegetação envolvente é tão densa que dificulta qualquer tentativa de observação mais pormenorizada. Ti Gouveia contou-me que, à semelhança do que tem sucedido noutros sítios idênticos (em Algosinho, por exemplo), tem havido algumas tentativas de localização de um suposto tesouro enterrado sob as ruínas. Como se alguém abandonasse o local e deixasse lá o ouro... O que é certo, é que à custa desses sonhos, a estrutura tem sido danificada de forma irremediável...

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Quinta de Crestelos - escavações arqueológicas

A Quinta de Crestelos (Meirinhos) está a ser alvo de uma intervenção arqueológica que se enquadra no âmbito dos trabalhos levados a cabo na sequência da construção da barragem do Baixo Sabor - as chamadas "medidas de minimização de impactes sobre o património cultural". Esta quinta, segundo informação do meu guia, terá uma área total superior a 900 ha e estende o seu território por diversos concelhos limítrofes do de Mogadouro. Uma parte importante será submersa pelas águas do empreendimento hidroeléctrico em questão.
Os trabalhos arqueológicos mais extensos estão a ser desenvolvido na área adjacente aos edifícios sede da quinta, na base do monte que terá, supostamente, albergado um castro (daí o topónimo: crestelos). A área de intervenção é bastante larga e está a revelar aquilo que terá sido um significativo habitat romano. Devido à sua peculiar forma, algumas estruturas chamaram-me particularmente a atenção. Teria sido interessante auscultar a opinião dos técnicos que acompanham os trabalhos.
 Obras de trasladação do santuário do Santo Antão da Barca, que fica relativamente próximo da Quinta.






 Espécie de fosso, localizado sensivelmente a meio do monte onde terá existido o castro em questão.
Fotos: Antero Neto.
Fica aqui o meu agradecimento ao alcaide local, Luís Fernandes, pela disponibilidade demonstrada e pela pachorra para me acompanhar (já não é a primeira vez) nestas andanças, numa clara e edificante manifestação de apreço pelo património cultural da sua freguesia.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Saldanha romana

Em visita recente a Saldanha, enquadrada na campanha eleitoral em curso, deparei-me com uma estela funerária romana incrustada na parede da capela de Santa Marinha. Decidi regressar ao local com mais tempo e melhor luz para uma análise pormenorizada. E qual o meu espanto quando ao invés de uma, me deparei com... seis (!!!). Três delas têm as inscrições à vista e já estão estudadas pelos arqueólogos. As restantes estão de tal forma embutidas na construção, que apenas podemos presumir que o são, atendendo às dimensões, tonalidade e qualidade do material que é constatável a olho nu.
Sobre Saldanha e os respectivos achados romanos, já tinha falado aqui e aqui. Os arqueólogos mencionam uma grande necrópole, cuja dimensão se pode atestar pela quantidade abundante de estelas encontradas no local (algumas partidas, outras desaparecidas e outras guardadas na sala museu de Mogadouro). Esta realidade permite-nos especular sobre a existência de um (ou mais do que um) habitat romano relevante na zona da actual aldeia de Saldanha. Quanto à capela de Santa Marinha, a sua construção já foi de tal modo adulterada que será extremamente difícil tentar situar cronologicamente a sua origem (sobre a padroeira da capela, veja-se mais informação aqui). No interior conserva ainda um arco de volta quase perfeita, que aponta para uma origem medieval tardia. Mas, isto são apenas suposições...
Estela localizada no cunhal do lado esquerdo da porta de entrada, com a seguinte inscrição: D M S / CORNELIAE / FLAVINAE / UXORI / ANNORUM XXXV / M (fonte: Portal do Arqueólogo). Presumo que seja dedicada à esposa, chamada Flavínia, falecida com 35 anos de idade.
Estela situada no cunhal do lado direito da porta da entrada, com a seguinte inscrição: AM / NILLAE / ANNO L / M SVLP / FLAVO / UXORI SAN / TISSIMAE (fonte: Portal do Arqueólogo). Igualmente dedicada à esposa, falecida com 50 anos de idade.
Estela situada no interior da capela, na base esquerda do arco, com a seguinte inscrição: CAPITO / MARITVS / P (fonte: Portal do Arqueólogo).
 Cunhal do lado esquerdo, onde são observáveis, além da estela já descrita, mais três pedras que tudo aponta para que sejam igualmente estelas, atento o material e a forma que apresentam. Os arqueólogos mencionam apenas duas, mas são visíveis três.
Fotos: Antero Neto (clicar nas imagens para ampliar).
Quero deixar aqui o meu agradecimento ao Victor Valdemar Lopes,cujo contributo e presença foi importante para a possibilidade de observação integral das estelas, e ao sr. Domingos, que facultou a entrada no interior do templo.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Religião e moral na Castro Vicente do séc. XIX

Em tempos que já lá vão, existia em Portugal o hábito de fazer visitações às paróquias. Essas visitações tinham como objectivos aferir o estado das igrejas locais, bem como inquirir acerca dos costumes das populações, nomeadamente no que à moral dizia respeito. Estas visitações proporcionam-nos um retrato social daqueles tempos e relatam-nos episódios verdadeiramente deliciosos (já aqui retratei uma situação respeitante à aldeia de Vale de Porco). São uma espécie de revista "Maria" da época, mas com mais picante. O concelho de Mogadouro foi bastante visitado por estes inquiridores e há histórias bem interessantes. Aqui fica um relato sobre dois presbísteros de Castro Vicente:
Foto: Antero Neto.

"É natural desta freguesia o presbítero João Bernardo de Sá Aragão, de idade de 40 anos, recebeu ordem de presbítero em 1830; (...) tem aptidão física para o serviço paroquial; a sua conduta religiosa e moral não tem sido a mais ilibada (...)"
"Tem mais esta freguesia o presbítero Mateus José da Rocha, ordenou-se de presbítero em 1820; (...) a sua conduta moral e religiosa é e tem sido indecente e escandalosa, por ter vivido publicamente ameigado com uma mulher chamada Ludovina, de quem tem tido diversos filhos; a conduta civil e política foi sempre má, por ser exaltado, denunciante e perseguidor no tempo da usurpação (...); está em boa disposição física para paroquiar."
(Inquérito de 1845).

Como se vê, a moral e a religião nem sempre andaram de mãos dadas, na perfeita harmonia do Senhor. Quem diria...

Nota: fica aqui o agradecimento ao Dr. Carlos Seixas, ilustre advogado e investigador moncorvense, por me ter facultado estes elementos.