Decorreu no pretérito dia 27 de Maio, no âmbito da Feira do Livro de Mogadouro, a apresentação do meu livro "O Alferes Maçarico e outras histórias". O evento teve lugar na Biblioteca Municipal Trindade Coelho. A apresentação (brilhante) esteve a cargo de Mário Correia, a quem expresso a minha gratidão, extensível ao prefaciador, Alfredo Cameirão.
Aproveito para agradecer igualmente ao sr. Presidente da Câmara Municipal de Mogadouro, Francisco Guimarães, bem como aos restantes vereadores, Evaristo Neves e Joana Silva, e ainda ao sr. Presidente da Assembleia Municipal de Mogadouro, Ilídio Granjo Vaz, ao sr. Presidente da Junta de Freguesia de Bruçó, João Possacos e ao sr. Presidente da ACISM, Fernando Pais, que estiveram presentes e fizeram questão de me manifestar o seu apoio (a vereadora Virgínia Vieira não pôde estar, mas enviou mensagem de felicidades). Uma última palavra de apreço a todos os que estiveram na sala e aos que não podendo estar, enviaram palavras de incentivo, bem como para todo o staff da Biblioteca, na pessoa da incansável Dra. Marta Madureira. Muito obrigado a todos.
figuras, património, lugares e histórias que fazem (e fizeram) o quotidiano mogadourense
segunda-feira, 29 de maio de 2017
domingo, 28 de maio de 2017
Mário Morgado - construtor de guitarras (S. Martinho do Peso)
Amigo de longa data, convida-me todos os anos a almoçar com ele e a família na festa de S. Martinho do Peso. Este ano surpreendeu-me com esta faceta: Mário Morgado constrói guitarras. Além de outras ferramentas úteis, tais como arados especialmente adaptados para arrancar batatas, ou uma réplica de um moinho. Por vezes, temos verdadeiros tesouros ao nosso lado e não sabemos...
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sábado, 20 de maio de 2017
Idílio rústico (Bruçó)
Diz o velho ditado popular que "do cerejo ao castanho, bem eu me amanho. Do castanho ao cerejo, que mal me vejo". Esta frase encerra muito significado no que ao universo rural diz respeito. Não há sensação melhor do que chegar à árvore, colher o fruto e degustá-lo ali mesmo...
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quinta-feira, 18 de maio de 2017
Aí está o meu novo livro
Com prefácio de Alfredo Cameirão e apresentado por Mário Correia, "O Alferes Maçarico e outras histórias" é o meu mais recente livro de ficção. A edição ficou a cargo editora "Lema d'Origem". Terá a sua primeira apresentação pública no próximo dia 27 de Maio (sábado), pelas 18h.00, na Biblioteca Municipal Trindade Coelho, em Mogadouro, no âmbito da Feira do Livro local. Fica aqui o convite a todos os interessados.
Clicar nas imagens para ampliar.
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quarta-feira, 17 de maio de 2017
Combatentes mogadourenses da Primeira Guerra Mundial
Muitos foram os que deixaram lá o corpo. Outros só deixaram lá parte dele. Mas, todos deixaram lá a alma. Aqui fica a minha singela homenagem aos bravos soldados mogadourenses que participaram na Primeira Grande Guerra.
Eis alguns dos elementos constantes do rol de praças e sargentos. Também houve oficiais. Como a lista ainda é bastante longa, menciono apenas os primeiros nomes que constam dos arquivos:
- Felício Augusto Custódio (soldado - Grupo de metralhadoras) - Porrais;
- Abílio Augusto Gonçalves (soldado) - Mogadouro;
- Abílio Pires (soldado) - Travanca;
- Acácio Alfredo da Costa (segundo-sargento) - Mogadouro;
- Adolfo da Conceição Rodrigues (soldado) - Mogadouro;
- Adolfo Maria Cancela (soldado) - Mogadouro;
- Afonso Maria (1.º cabo) - Mogadouro;
- Albino da Assunção Paulo (soldado - Grupo de metralhadoras) - Vilar do Rei;
- Alfredo Godinho Cabral (1.º cabo, enfermeiro) - Mogadouro;
- Amândio Augusto Pinto (1.º sargento) - Estevais;
- António César (soldado) - S. Martinho do Peso;
- António Augusto Campos (soldado - Grupo de metralhadoras) - Vilarinho dos Galegos;
- António Augusto Martins (1.º cabo) - Mogadouro;
- António Bernardino Mendo (soldado) - Mogadouro;
- António do Nascimento Pires (soldado) - Castelo Branco.
Que a terra lhes tenha sido leve e descansem em paz.
- Felício Augusto Custódio (soldado - Grupo de metralhadoras) - Porrais;
- Abílio Augusto Gonçalves (soldado) - Mogadouro;
- Abílio Pires (soldado) - Travanca;
- Acácio Alfredo da Costa (segundo-sargento) - Mogadouro;
- Adolfo da Conceição Rodrigues (soldado) - Mogadouro;
- Adolfo Maria Cancela (soldado) - Mogadouro;
- Afonso Maria (1.º cabo) - Mogadouro;
- Albino da Assunção Paulo (soldado - Grupo de metralhadoras) - Vilar do Rei;
- Alfredo Godinho Cabral (1.º cabo, enfermeiro) - Mogadouro;
- Amândio Augusto Pinto (1.º sargento) - Estevais;
- António César (soldado) - S. Martinho do Peso;
- António Augusto Campos (soldado - Grupo de metralhadoras) - Vilarinho dos Galegos;
- António Augusto Martins (1.º cabo) - Mogadouro;
- António Bernardino Mendo (soldado) - Mogadouro;
- António do Nascimento Pires (soldado) - Castelo Branco.
Que a terra lhes tenha sido leve e descansem em paz.
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terça-feira, 16 de maio de 2017
O milagre de Nossa Senhora da Conceição
Como estamos em época de milagres e de canonizações, lembrei-me de repescar esta história de um milagre autenticado e ocorrido com Nossa Senhora da Conceição, na igreja do Convento de S. Francisco, em Mogadouro.
Reza a lenda que, em 1680, havia na vila de Mogadouro um clérigo muito devoto de Nossa Senhora e que mandou fazer a um escultor uma imagem para a colocar na referida igreja. Mas, uma vez iniciada a obra encomendada, o religioso não gostou da mesma e mandou-o parar com a empreitada.
O artista encostou a madeira e não lhe voltou a pegar. Até que um grupo de colegas do sacerdote, curioso com o desenrolar da história, visitou o escultor. E, tendo opinião contrária à do mandante, pediram ao homem para prosseguir com a escultura. O Marquês de Távora financiou os trabalhos. Uma vez concluída a imagem, com grande perfeição, foi a mesma colocada no altar lateral, da parte do Evangelho.
Em 8 de Dezembro de 1696, o povo da vila decidiu fazer uma grande festa à Senhora. E a população queria que a imagem surgisse com a custódia nas mãos. Contudo, tal não era possível devido ao facto de a imagem se apresentar com as mãos postas, tal como é habitual.
Então, para conseguirem os seus intentos, tentaram atar a custódia com fitas às mãos da Senhora. Porém, isso não foi necessário, pois a Senhora abriu as mãos e segurou a custódia com elas. Desde esse dia, ficou com as mãos abertas. O milagre foi legalmente autenticado "auctoritate ordinarii".
Reza a lenda que, em 1680, havia na vila de Mogadouro um clérigo muito devoto de Nossa Senhora e que mandou fazer a um escultor uma imagem para a colocar na referida igreja. Mas, uma vez iniciada a obra encomendada, o religioso não gostou da mesma e mandou-o parar com a empreitada.
O artista encostou a madeira e não lhe voltou a pegar. Até que um grupo de colegas do sacerdote, curioso com o desenrolar da história, visitou o escultor. E, tendo opinião contrária à do mandante, pediram ao homem para prosseguir com a escultura. O Marquês de Távora financiou os trabalhos. Uma vez concluída a imagem, com grande perfeição, foi a mesma colocada no altar lateral, da parte do Evangelho.
Em 8 de Dezembro de 1696, o povo da vila decidiu fazer uma grande festa à Senhora. E a população queria que a imagem surgisse com a custódia nas mãos. Contudo, tal não era possível devido ao facto de a imagem se apresentar com as mãos postas, tal como é habitual.
Então, para conseguirem os seus intentos, tentaram atar a custódia com fitas às mãos da Senhora. Porém, isso não foi necessário, pois a Senhora abriu as mãos e segurou a custódia com elas. Desde esse dia, ficou com as mãos abertas. O milagre foi legalmente autenticado "auctoritate ordinarii".
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sábado, 13 de maio de 2017
Da origem do topónimo "Variz"
Fonte de mergulho do Variz.
Recentemente, encontrei outra abordagem ao referido topónimo, feita por Joseph M. Piel, ilustre estudioso, que na "Revista de Guimarães" (n.º 63) refere o topónimo "Variz" como sendo um dos exemplos de topónimos legados pela cultura visigótica, com origem em nome de animal, mais concretamente no cavalo.
Numa coisa parece haver consenso: é de origem germânica.
Curiosidade: em 1 de Fevereiro de 1990, o deputado do PSD, António Abílio Costa, apresentou um projecto de lei (n.º 472/V) para a criação da freguesia do Variz.
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terça-feira, 9 de maio de 2017
Granja - apontamentos históricos
Se a memória não me falha, desloquei-me à aldeia da Granja duas vezes. Na altura, ainda não andava com máquinas fotográficas e ainda não tinha este blogue. Actualmente, Granja surge administrativamente enquadrada na freguesia de Saldanha, concelho de Mogadouro. Contudo, nem sempre foi assim. Granja de Gregos, como também foi conhecida (por ser próxima da outra anexa, Gregos), pertenceu à freguesia de Travanca (que agora também integra o concelho de Mogadouro), do extinto concelho de Algoso.
Mas, vejamos um pouco da sua história. Em 1530, habitavam na Granja 22 moradores (o número diz respeito apenas aos chefes de família, pelo que o total de habitantes é desconhecido. Os estudiosos costumam multiplicar este dado por 4, mas, neste caso, talvez seja exagerado. Note-se, a título de curiosidade que Travanca tinha apenas 25 moradores).
Em 1758, Granja, que era lugar realengo (pertencia ao rei), tinha 15 fogos e 41 habitantes maiores de 13 anos de idade. Produzia essencialmente centeio, trigo, vinho, gado lanígero e linho, mas tudo em pequenas quantidades.
Em 1798, mantinha o número de habitantes (20 homens e 21 mulheres), embora as casas habitadas descessem para 12.
Por último, e quanto ao topónimo "Granja", este é de origem latina e refere-se a uma "empresa agrícola", no sentido de "pequena fazenda" ou exploração agrícola. Segundo o estudioso A. de Almeida Fernandes ("Revista de Guimarães", n.º 83, de 1973, pág. 7 e ss.) foi introduzido em território nacional pelos monges cistercienses a partir de 1140, embora Viterbo sugira que é anterior.
Vista aérea da Granja (1975). Fotos retiradas daqui.
Mas, vejamos um pouco da sua história. Em 1530, habitavam na Granja 22 moradores (o número diz respeito apenas aos chefes de família, pelo que o total de habitantes é desconhecido. Os estudiosos costumam multiplicar este dado por 4, mas, neste caso, talvez seja exagerado. Note-se, a título de curiosidade que Travanca tinha apenas 25 moradores).
Em 1758, Granja, que era lugar realengo (pertencia ao rei), tinha 15 fogos e 41 habitantes maiores de 13 anos de idade. Produzia essencialmente centeio, trigo, vinho, gado lanígero e linho, mas tudo em pequenas quantidades.
Em 1798, mantinha o número de habitantes (20 homens e 21 mulheres), embora as casas habitadas descessem para 12.
Por último, e quanto ao topónimo "Granja", este é de origem latina e refere-se a uma "empresa agrícola", no sentido de "pequena fazenda" ou exploração agrícola. Segundo o estudioso A. de Almeida Fernandes ("Revista de Guimarães", n.º 83, de 1973, pág. 7 e ss.) foi introduzido em território nacional pelos monges cistercienses a partir de 1140, embora Viterbo sugira que é anterior.
sábado, 29 de abril de 2017
Reabertura da Linha do Sabor
Fala-se agora muito no aproveitamento do canal da Linha do Sabor para a construção de uma "ecopista". Em minha opinião, trata-se de um erro monumental em que estão a incorrer os autarcas dos municípios abrangidos. A luta deveria ser desenvolvida no sentido da reabertura da linha ferroviária que, devidamente articulada com a massiva vaga turística que enche as ruas da cidade do Porto e que depois sobe o rio Douro até ao Pocinho, poderia constituir uma verdadeira mais valia para a nossa região e um clique definitivo no arranque do aproveitamento das potencialidades turísticas que temos.
Desconheço os números que estarão envolvidos na "ecopista", mas ouço falar em milhões. Desperdício puro e ilusão de óptica. A nossa zona está cheia de "ecopistas", consubstanciadas nos belos caminhos rurais que temos um pouco por todo o lado.
Mas, falando de números em matéria de reconstrução e melhoramento da ferrovia da Linha do Sabor, permito-me chamar aqui à colação o precioso estudo levado a cabo pelo Dr. Daniel Conde, gestor de empresas que trabalhou no ramo ferroviário e que conhece a questão como poucos. No livro intitulado "A Linha do Vale do Sabor, um caminho-de-ferro raiano do Pocinho a Zamora" (Lema d'Origem, 2016), entre as páginas 235 e 282, o referido autor publica um trabalho onde disseca todas as vertentes (custos, vantagens, etc) desta putativa reabilitação/melhoramento do canal ferroviário. Sem pretender ser exaustivo, aqui ficam só os números finais:
- custo final estimado da totalidade da obra: € 43.296.945,57;
- comparticipação do Estado português: € 6.494.541,84.
Ou seja, o Estado gastaria cerca de seis milhões e meio de euros com a recuperação da Linha férrea...
Resta saber os milhões que irão ser gastos nesta inutilidade da ecopista, e o que é que ela irá trazer para a região...
Desconheço os números que estarão envolvidos na "ecopista", mas ouço falar em milhões. Desperdício puro e ilusão de óptica. A nossa zona está cheia de "ecopistas", consubstanciadas nos belos caminhos rurais que temos um pouco por todo o lado.
Mas, falando de números em matéria de reconstrução e melhoramento da ferrovia da Linha do Sabor, permito-me chamar aqui à colação o precioso estudo levado a cabo pelo Dr. Daniel Conde, gestor de empresas que trabalhou no ramo ferroviário e que conhece a questão como poucos. No livro intitulado "A Linha do Vale do Sabor, um caminho-de-ferro raiano do Pocinho a Zamora" (Lema d'Origem, 2016), entre as páginas 235 e 282, o referido autor publica um trabalho onde disseca todas as vertentes (custos, vantagens, etc) desta putativa reabilitação/melhoramento do canal ferroviário. Sem pretender ser exaustivo, aqui ficam só os números finais:
- custo final estimado da totalidade da obra: € 43.296.945,57;
- comparticipação do Estado português: € 6.494.541,84.
Ou seja, o Estado gastaria cerca de seis milhões e meio de euros com a recuperação da Linha férrea...
Resta saber os milhões que irão ser gastos nesta inutilidade da ecopista, e o que é que ela irá trazer para a região...
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Casa da Gaita e do Gaiteiro
Segundo notícia publicada no jornal "Diário de Notícias", já se encontra aprovada a candidatura para a concretização do projecto da "Casa da Gaita e do Gaiteiro". A estrutura cultural ficará albergada nas instalações do antigo Banco Pinto & Sotto Mayor, no Largo Trindade Coelho, na zona histórica da vila de Mogadouro.
O texto da notícia em questão diz que a Casa da Gaita e do Gaiteiro "será composta por um centro de documentação, uma oficina para a construção ou recuperação de gaitas-de-foles, uma escola de aprendizagem do instrumento e uma loja onde será disponibilizado todos tipos de peças relacionadas com a gaita de fole.
O novo equipamento cultural e didáctico será o ponto de partida para a organização de um conjunto de iniciativas culturais, que vão desde residências artísticas até à planificação de festivais temáticos a realizar no Planalto Mirandês."
A minha filhota a tocar gaita-de-foles sob o olhar atento de Ricardo Santos, um dos maiores expoentes deste instrumento tradicional.
Esta é uma boa notícia para o concelho de Mogadouro, pois estou convencido que esta infraestrutura irá atrair visitantes e curiosos de vários pontos do país e estrangeiro à nossa vila. Parabéns ao executivo municipal e a todos os que, nos bastidores, lutaram para que este projecto se concretizasse. Eles sabem a quem me refiro...
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domingo, 23 de abril de 2017
Outro lagar rupestre em Urrós
A dica proveio do meu habitual guia em Urrós: ti Bárrios. Disse-me que ti Zé Maria (gaiteiro) conhecia outro lagar rupestre para além do "Lagarico" de que já aqui falei. Nem de propósito, quando conversava acerca disso com o Victor Lopes, apareceu ti Zé Maria. Combinámos para domingo à tarde e lá fomos. O local, como de resto todos os sítios virados para o Douro, é lindíssimo. Mas, faz lembrar a expressão "onde o Judas perdeu as botas"! De qualquer modo, sem guia conhecedor e sem um bom veículo TT é impossível aceder ao dito lagar.
O lagar situa-se na zona conhecida por "Bouça" que, segundo ti Zé Maria, foi local de plantio de vinha, podendo, inclusive, encontrar-se vestígios dessa cultura nas redondezas.
No percurso da subida, parámos nas imediações do castro do Picão de Bouça d'Aires para ver esta pedra (a que chamam, em Urrós, "pedra parideira"), sujeita a erosão alveolar (fenómeno geológico vulgarmente designado por "tafoni"), semelhante a muitas que se encontram um pouco por todas as arribas do Douro Internacional.
No final da jornada, houve tempo para beber uma mini fresquinha num dos cafés da aldeia e de dar dois dedos de conversa com o mestre gaiteiro. Depois, rumámos até sua casa, onde a sua simpática e amorosa esposa nos agraciou com umas saborosas fatias de "bolo mulato", confeccionado pela filha, e ele nos falou sobre as suas gaitas-de-fole.
Fica aqui um grande bem-haja ao Victor pela disponibilidade para nos acompanhar com a sua carrinha, sem a qual não teríamos conseguido descer até ao lagar.
O lagar situa-se na zona conhecida por "Bouça" que, segundo ti Zé Maria, foi local de plantio de vinha, podendo, inclusive, encontrar-se vestígios dessa cultura nas redondezas.
No percurso da subida, parámos nas imediações do castro do Picão de Bouça d'Aires para ver esta pedra (a que chamam, em Urrós, "pedra parideira"), sujeita a erosão alveolar (fenómeno geológico vulgarmente designado por "tafoni"), semelhante a muitas que se encontram um pouco por todas as arribas do Douro Internacional.
No final da jornada, houve tempo para beber uma mini fresquinha num dos cafés da aldeia e de dar dois dedos de conversa com o mestre gaiteiro. Depois, rumámos até sua casa, onde a sua simpática e amorosa esposa nos agraciou com umas saborosas fatias de "bolo mulato", confeccionado pela filha, e ele nos falou sobre as suas gaitas-de-fole.
Fica aqui um grande bem-haja ao Victor pela disponibilidade para nos acompanhar com a sua carrinha, sem a qual não teríamos conseguido descer até ao lagar.
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terça-feira, 11 de abril de 2017
Foral de Zamora
Zamora é uma cidade elegante, bonita e, simultaneamente, clássica. Normalmente, os nossos conterrâneos demandam-na para buscar as áreas comerciais. Mas, é muito mais que isso. Tem uma zona histórica digna de visita, onde vale a pena perder-se pelas ruelas estreitas. Além de ser capital de distrito, Zamora encontra-se intrinsecamente ligada à história de Mogadouro.
E é neste documento que reside a ligação umbilical à história de Mogadouro, que atrás referi. Efectivamente, no Foral atribuído a Mogadouro por D. Afonso III em 1272, diz-se o seguinte: "do et concedo populatoribus de mugadoiro et de suis terminis presentibus et futuris forum de Çamora...", ou seja, "dou e concedo a vós povos de Mogadouro e seus limites presentes e futuros o foro de Zamora..."
Esta fórmula utilizada pelo poder real remete para as normas do Foral de Zamora que teriam que ser respeitadas e obedecidas pela população do concelho de Mogadouro, transformando assim este documento legal num indicador incontornável do nosso passado, que não pode, nem deve, ser ignorado pelos estudiosos.
Torre da catedral.
Numa das minhas recentes incursões em Zamora, entrei na charmosa livraria Semuret (um espaço tradicional, onde mergulhamos literalmente em livros, sem o desencorajador aspecto asséptico das modernas superfícies comerciais que proliferam nas nossas cidades), onde adquiri esta versão do foral local.E é neste documento que reside a ligação umbilical à história de Mogadouro, que atrás referi. Efectivamente, no Foral atribuído a Mogadouro por D. Afonso III em 1272, diz-se o seguinte: "do et concedo populatoribus de mugadoiro et de suis terminis presentibus et futuris forum de Çamora...", ou seja, "dou e concedo a vós povos de Mogadouro e seus limites presentes e futuros o foro de Zamora..."
Esta fórmula utilizada pelo poder real remete para as normas do Foral de Zamora que teriam que ser respeitadas e obedecidas pela população do concelho de Mogadouro, transformando assim este documento legal num indicador incontornável do nosso passado, que não pode, nem deve, ser ignorado pelos estudiosos.
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terça-feira, 4 de abril de 2017
O Alferes maçarico e outras histórias - novo livro de contos no prelo
Está para breve a edição, novamente sob a chancela da editora "Lema d'Origem", de mais uma pequena incursão minha no mundo da ficção. O livro de contos vai chamar-se "O Alferes maçarico e outras histórias". Deixo aqui, à laia de apresentação, dois breves parágrafos do prefácio, da autoria de Alfredo Cameirão:
Clicar nas imagens para ampliar.
sexta-feira, 31 de março de 2017
Árula dedicada a Júpiter Óptimo Máximo Salvador - Zava
Quando agricultavam um terreno no sítio do Mural, em Zava, os proprietários (professores Merência e Manuel Moreira) descobriram uma árula (de talco) dedicada a Júpiter Óptimo Máximo Salvador (2014). Esta espécie de lápide encontra-se depositada na Sala Museu de Arqueologia de Mogadouro e foi alvo de um estudo levado a cabo pelos arqueólogos Armando Redentor, António Pereira Dinis e Emanuel Campos. O arqueossítio em questão revela a indiscutível presença romana no local.
Segundo os autores referidos, a inscrição consta do seguinte: "I(ovi) O(ptimo) M(aximo) / CONSERVA/TORI ∙ ATILIVS ∙ / SILO ∙ AR(am) ∙ P(osuit)", ou seja, "A Júpiter Óptimo Máximo Salvador. Atílio Silão colocou o altar."
Refira-se ainda em relação a Zava a existência de vestígios de povoação castreja, bem como de explorações (sondagens) mineiras, na encosta da serra, virada para a povoação, de que já aqui falei.
Aqui há tempos, um amigo, natural de Zava, mencionou-me a descoberta daquilo que ele julgou tratar-se de um troço de calçada, que, pela descrição, seria romana, ou medieval. Infelizmente, o achado foi completamente destruído e as pedras aproveitadas para atuir um poço e, se bem me recordo, para completar a construção de um muro.
Segundo os autores referidos, a inscrição consta do seguinte: "I(ovi) O(ptimo) M(aximo) / CONSERVA/TORI ∙ ATILIVS ∙ / SILO ∙ AR(am) ∙ P(osuit)", ou seja, "A Júpiter Óptimo Máximo Salvador. Atílio Silão colocou o altar."
Refira-se ainda em relação a Zava a existência de vestígios de povoação castreja, bem como de explorações (sondagens) mineiras, na encosta da serra, virada para a povoação, de que já aqui falei.
Aqui há tempos, um amigo, natural de Zava, mencionou-me a descoberta daquilo que ele julgou tratar-se de um troço de calçada, que, pela descrição, seria romana, ou medieval. Infelizmente, o achado foi completamente destruído e as pedras aproveitadas para atuir um poço e, se bem me recordo, para completar a construção de um muro.
quarta-feira, 29 de março de 2017
Brunhoso: apontamentos históricos
E já que Brunhoso anda por aqui na berra, aí vão alguns apontamentos históricos da aldeia. Tenho intenção de fazer brevemente uma visita ao castro e ao Poio, mas vou necessitar de guia.
A página "Brunhoso.net" tem uma teoria engraçada acerca da origem do topónimo, para a qual fui alertado pelo meu amigo eng.º António Magallhães. Com o devido respeito, a teoria é só isso mesmo: engraçada. Mas, adiante. Nos "Tombos da Ordem de Cristo" (1507), o nome da aldeia surge grafado como "Bruinhoso". No foral manuelino de Mogadouro (1512), aparece-nos "Brinhoso". É esse mesmo documento que nos informa que Brunhoso era "vilar novo", ou seja, uma aldeia pequena.
No recenseamento de 1530, Brunhoso tinha 41 moradores, a que deveriam equivaler cerca de 160 pessoas (utilizando o factor de multiplicação por 4, pois a expressão "moradores" refere-se apenas aos chefes de família).
Em 1758, o padre Joachim informa-nos que habitavam a aldeia significativas 330 almas. Os frutos que ali se colhiam naquela época eram trigo, centeio, serôdio, vinho "mediano", azeite "menos de mediano" e linho. Criava-se gado bovino, ovino, caprino e capões (nos arrabaldes, havia fartura de caça miúda, além de lobos e raposas). O cura informa-nos que as oliveiras da beira do rio rendiam mais, mas davam muito trabalho (que novidade!).
Finalmente, em 1796, moravam em Brunhoso 289 almas (139 homens e 150 mulheres), distribuídas por 85 fogos. Desses, 3 eram eclesiásticos seculares, 1 era barbeiro, 4 exerciam a actividade de alfaiate, 3 eram sapateiros e 4 carpinteiros. Havia apenas 1 ferreiro e 3 pastores.
Vista a partir do "Forno dos Mouros".
A página "Brunhoso.net" tem uma teoria engraçada acerca da origem do topónimo, para a qual fui alertado pelo meu amigo eng.º António Magallhães. Com o devido respeito, a teoria é só isso mesmo: engraçada. Mas, adiante. Nos "Tombos da Ordem de Cristo" (1507), o nome da aldeia surge grafado como "Bruinhoso". No foral manuelino de Mogadouro (1512), aparece-nos "Brinhoso". É esse mesmo documento que nos informa que Brunhoso era "vilar novo", ou seja, uma aldeia pequena.
No recenseamento de 1530, Brunhoso tinha 41 moradores, a que deveriam equivaler cerca de 160 pessoas (utilizando o factor de multiplicação por 4, pois a expressão "moradores" refere-se apenas aos chefes de família).
Em 1758, o padre Joachim informa-nos que habitavam a aldeia significativas 330 almas. Os frutos que ali se colhiam naquela época eram trigo, centeio, serôdio, vinho "mediano", azeite "menos de mediano" e linho. Criava-se gado bovino, ovino, caprino e capões (nos arrabaldes, havia fartura de caça miúda, além de lobos e raposas). O cura informa-nos que as oliveiras da beira do rio rendiam mais, mas davam muito trabalho (que novidade!).
Finalmente, em 1796, moravam em Brunhoso 289 almas (139 homens e 150 mulheres), distribuídas por 85 fogos. Desses, 3 eram eclesiásticos seculares, 1 era barbeiro, 4 exerciam a actividade de alfaiate, 3 eram sapateiros e 4 carpinteiros. Havia apenas 1 ferreiro e 3 pastores.
terça-feira, 28 de março de 2017
Um denário romano em Brunhoso
O território de Brunhoso sofre ocupação humana desde tempos remotos, tal como, aliás, toda esta zona do concelho de Mogadouro. Como já aqui escrevi noutras ocasiões, os vestígios da presença romana são evidentes e, alguns deles, foram postos a nu aquando das sondagens arqueológicas efectuadas na sequência das obras da barragem do Baixo Sabor.
O malogrado historiador Fernando Russell Cortez deixou-nos notícia do achamento de um denário - moeda romana - cunhado na cidade ibérica de "Segóbrices"(uma das poucas com direito a cunhar moeda na Meseta). A moeda terá sido encontrada junto ao sítio onde existiu um castro, de que já não restam, praticamente, vestígios.
O malogrado historiador Fernando Russell Cortez deixou-nos notícia do achamento de um denário - moeda romana - cunhado na cidade ibérica de "Segóbrices"(uma das poucas com direito a cunhar moeda na Meseta). A moeda terá sido encontrada junto ao sítio onde existiu um castro, de que já não restam, praticamente, vestígios.
Desenho do castro, feito por Cortez.
Russell Cortez ficou hospedado em Mogadouro, na "Pensão do Calejo", que lhe cedeu uma mula, em cima da qual se deslocou até à aldeia.
segunda-feira, 27 de março de 2017
Ainda Hoffmannsegg em terras de Mogadouro
Na sequência do post anterior, ficam aqui mais algumas notas da viagem do botânico alemão: quando Hoffmannsegg passou por Mogadouro, em 1800, queixou-se da ausência de qualquer estalagem. Este facto, embora estranho, é de relevar.
O seu companheiro de viagem, Johann Link mencionou algumas propriedades outrora pertences à família dos Távoras, e que na data pertenciam ao conde de São Vicente (Miguel Carlos da Cunha da Silveira e Lorena), como a Quinta do Marmoniz e a Quinta de Nogueira.
Igualmente importante foi a visita a umas minas de chumbo, próximas do rio Sabor, que, presumo eu, fossem as do Souto.
Acerca da visita a Brunhoso, Nuno Gomes de Oliveira diz que: "chega a Brunhoso (Mogadouro) e após meia hora de marcha desce até ao rio Sabor: “Caminhos difíceis atravessam uma espessa floresta onde cresce a vinha selvagem que trepa ao longo das árvores; os habitantes ignoram que se pode cultivar; os javalis povoam os locais mais cerrados da floresta”. De Brunhoso Hoffmanssegg avista a Serra de Sanábria (Galiza) (e não Senabria como Link por erro escreve), “totalmente coberta de neve a 30 de Abril” (de 1800).
Depois, ainda passou por Bemposta e Ventozelo, tal como escreve o autor citado: "Depois de uma breve referência a Miranda do Douro que “é um local miserável”, Hoffmannsegg foi para Bemposta, seguiu para Freixo de Espada à Cinta, atravessando Ventozelo e a aldeia de Lagoaça “cercada de cerejeiras”."
Duas pequenas notas críticas ao trabalho de Nuno Oliveira:
1. No percurso entre Carviçais e Mogadouro, quando Hoffmannsegg fala da "Navalheira" não se está a referir à serra com o mesmo nome junto a Bornes. Nem tal faria qualquer sentido. Está sim a referir-se à mata da Navalheira que se situa entre Estevais e Meirinhos (Mogadouro).
2. Sanábria pertence a Zamora, província de Castela e Leão e não à Galiza.
O seu companheiro de viagem, Johann Link mencionou algumas propriedades outrora pertences à família dos Távoras, e que na data pertenciam ao conde de São Vicente (Miguel Carlos da Cunha da Silveira e Lorena), como a Quinta do Marmoniz e a Quinta de Nogueira.
Igualmente importante foi a visita a umas minas de chumbo, próximas do rio Sabor, que, presumo eu, fossem as do Souto.
Ribeira que desagua no rio Sabor, a montante das minas do Souto (actualmente, esta depressão geográfica encontra-se totalmente coberta pela água).
Acerca da visita a Brunhoso, Nuno Gomes de Oliveira diz que: "chega a Brunhoso (Mogadouro) e após meia hora de marcha desce até ao rio Sabor: “Caminhos difíceis atravessam uma espessa floresta onde cresce a vinha selvagem que trepa ao longo das árvores; os habitantes ignoram que se pode cultivar; os javalis povoam os locais mais cerrados da floresta”. De Brunhoso Hoffmanssegg avista a Serra de Sanábria (Galiza) (e não Senabria como Link por erro escreve), “totalmente coberta de neve a 30 de Abril” (de 1800).
Depois, ainda passou por Bemposta e Ventozelo, tal como escreve o autor citado: "Depois de uma breve referência a Miranda do Douro que “é um local miserável”, Hoffmannsegg foi para Bemposta, seguiu para Freixo de Espada à Cinta, atravessando Ventozelo e a aldeia de Lagoaça “cercada de cerejeiras”."
Duas pequenas notas críticas ao trabalho de Nuno Oliveira:
1. No percurso entre Carviçais e Mogadouro, quando Hoffmannsegg fala da "Navalheira" não se está a referir à serra com o mesmo nome junto a Bornes. Nem tal faria qualquer sentido. Está sim a referir-se à mata da Navalheira que se situa entre Estevais e Meirinhos (Mogadouro).
2. Sanábria pertence a Zamora, província de Castela e Leão e não à Galiza.
domingo, 26 de março de 2017
Johann Centurius Graf von Hoffmannsegg em Brunhoso
Entre 1795 e 1801, o botânico alemão Johann Centurius Graf von Hoffmannsegg, juntamente com o seu colega Johann Link, visitou Portugal, com o intuito de estudar e fazer um levantamento exaustivo acerca da flora do país (que haveriam de plasmar no livro conhecido por "Flore Portugaise").
O original da obra foi destruído durante os bombardeamentos que atingiram Berlim durante a Segunda Grande Guerra (em 1943). A história destas viagens encontra-se relatada num livro de Nuno Gomes de Oliveira (com base na sua tese de doutoramento defendida na Universidade de Coimbra). E é através dele que ficamos a saber que no dia 30 de Abril de 1800, Hoffmannsegg esteve, sozinho, na localidade de Brunhoso, concelho de Mogadouro (sendo que no início desse mês tinha viajado de Mirandela para Mogadouro, tendo passado, entretanto, por Vila Real).
Pormenor da igreja de Brunhoso.
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hoffmannsegg
domingo, 5 de março de 2017
Estrada Mourisca
A "Estrada Mourisca", ou "Caminho Mourisco", que já aqui mencionei em textos anteriores, surge descrita no "Archeologo Português", na parte que concerne ao concelho de Mogadouro (e não só, mas é esta que agora me interessa). O itinerário é baseado nos apontamentos do arqueólogo/militar Celestino Beça.
Já falei nesta página acerca do troço que passa em Bruçó. Aqui fica uma foto que tirei na altura que fui visitar esta secção do caminho. A imagem retrata a "Ponte dos Almocreves", que nada mais é do que um pequeno pontão assente em largas pedras de granito. Quem seguir em frente, irá em direcção a Lagoaça.
Clicar na imagem para ampliar.
Já falei nesta página acerca do troço que passa em Bruçó. Aqui fica uma foto que tirei na altura que fui visitar esta secção do caminho. A imagem retrata a "Ponte dos Almocreves", que nada mais é do que um pequeno pontão assente em largas pedras de granito. Quem seguir em frente, irá em direcção a Lagoaça.
quinta-feira, 2 de março de 2017
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