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terça-feira, 11 de março de 2014

Costumes sociais em Valverde - 1824

"José Inácio, casado, lavrador, de idade de vinte e oito anos, natural desta freguesia de S. Sebastião de Valverde, testemunha juramentada aos Santos Evangelhos, aos costumes disse nada.
E perguntado ele testemunha devassamente pelos artigos da visita, disse que é público e notório que Ana, filha de João Monteiro, vive amancebada com José Esteves e que já tiveram um filho; disse mais ser também público nesta freguesia que Joaquina, natural da província do Minho, é mulher de porta aberta, tanto assim que há pouco tempo parira um filho; outro tanto afirmou ele testemunha de Josefa Marcelina, filha de Francisco Martins, desta mesma freguesia, que parira do criado João Cantigas, do lugar da quinta das Cobradas, e de como assim o disse assinou com ele rev. visitador. E eu o P. António Luís Mendes, secretário da devassa, que esta escrevi." (in "Visitações e Inquéritos...", de Franquelim Neiva Soares).
Foto: Antero Neto.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Religião e moral na Castro Vicente do séc. XIX

Em tempos que já lá vão, existia em Portugal o hábito de fazer visitações às paróquias. Essas visitações tinham como objectivos aferir o estado das igrejas locais, bem como inquirir acerca dos costumes das populações, nomeadamente no que à moral dizia respeito. Estas visitações proporcionam-nos um retrato social daqueles tempos e relatam-nos episódios verdadeiramente deliciosos (já aqui retratei uma situação respeitante à aldeia de Vale de Porco). São uma espécie de revista "Maria" da época, mas com mais picante. O concelho de Mogadouro foi bastante visitado por estes inquiridores e há histórias bem interessantes. Aqui fica um relato sobre dois presbísteros de Castro Vicente:
Foto: Antero Neto.

"É natural desta freguesia o presbítero João Bernardo de Sá Aragão, de idade de 40 anos, recebeu ordem de presbítero em 1830; (...) tem aptidão física para o serviço paroquial; a sua conduta religiosa e moral não tem sido a mais ilibada (...)"
"Tem mais esta freguesia o presbítero Mateus José da Rocha, ordenou-se de presbítero em 1820; (...) a sua conduta moral e religiosa é e tem sido indecente e escandalosa, por ter vivido publicamente ameigado com uma mulher chamada Ludovina, de quem tem tido diversos filhos; a conduta civil e política foi sempre má, por ser exaltado, denunciante e perseguidor no tempo da usurpação (...); está em boa disposição física para paroquiar."
(Inquérito de 1845).

Como se vê, a moral e a religião nem sempre andaram de mãos dadas, na perfeita harmonia do Senhor. Quem diria...

Nota: fica aqui o agradecimento ao Dr. Carlos Seixas, ilustre advogado e investigador moncorvense, por me ter facultado estes elementos.