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domingo, 18 de dezembro de 2016

Dia de "mata-porco"

Tradição ancestral, profundamente enraizada no âmago do povo transmontano, o "mata-porco" ainda sobrevive aqui e ali. O porco representa uma fonte incontornável da alimentação e de sobrevivência das populações do interior. Outrora, o dia da matança constituía ainda uma oportunidade rara para reunir a família. Actualmente, este ritual tem tendência a desaparecer. A industrialização do abate e a dispersão das famílias conduzem a esse cenário. Um dos convivas de hoje lamentava isso mesmo: mais uma geração e há tradições que desaparecerão inevitavelmente...



 Antes de matar o porco, "mata-se o bicho". Alheiras, torradas untadas com azeite, nozes e figos secos (e aguardente para os estômagos menos sensíveis), molhados com um café artesanal, que teve direito à brasa incandescente para assentar a borra. Degustei ainda uns saborosos "bilhós", que me encheram a alma.

Depois do animal morto, come-se o tradicional e delicioso guisado da matança. Este foi confeccionado à moda antiga. Estava de comer e chorar por mais.
As inevitáveis "sopas de xis" (ou "sopas de tchize") não podiam faltar. Muito bem apaladadas por sinal. Um regalo para as papilas gustativas!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Tempo de matança

Com as fortes geadas que já se fazem sentir, é tempo de começar a aguçar a faca e limpar o banco de madeira. É tempo de matança, de comidas apetitosas, de pendurar o fumeiro...


Fotos: Antero Neto.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Prelúdios de Inverno

"A criação de porcos e o javali tinham muita importância na sua alimentação, e era de facto tanta que os Zoelas deificaram o porco, sendo testemunhos seguros as múltiplas figuras zoomorfas que têm sido encontradas no seu território." (Alfredo Saramago, in "Cozinha Transmontana").
"- E olhe lá isso dos porcos, ó compadre! Sempre quero saber de quem eram os porcos!"
"- Ora sempre lhe quero dizer... que eram meus os raios dos porcos!
- O quê?! Ó seu alma do diabo! Que diz você?! - atacou furioso o José Lorna, atirando os braços a um pau de lódão, enquanto as filhas o seguravam.
- Mas não tem dúvida - tornou-lhe de lá o barbeiro, atirando-lhe uma gargalhada:
- MATAM-SE!"
(Trindade Coelho, in À Lareira - Os Meus Amores)

Fotos: Antero Neto.