Vila de Ala é freguesia sobre si e terra de pedreiros e músicos. O último construtor de gaitas-de-fole de que há memória na terra foi ti José Baptista, que emigrou para o Brasil, onde acabaria por falecer. Procurei se haveria alguma gaita construída por ele, mas o meu anfitrião, o alcaide Manuel Sousa, disse-me que desconhecia.
Em 1758, a crer na informação do cura local, Luís Fernandes, Vila de Ala contava com 276 pessoas de confissão (sem contar, portanto, com as crianças), distribuídas por 84 fogos.
A cerca de 2 km do casco urbano, situa-se a bonita capela erguida em honra de Nossa Senhora da Orada. Segundo me relatou Manuel Sousa, é tradição oral entre a população que tal templo foi mandado edificar pelo Mestre de Avis, após batalha de que teria saído vitorioso. Numa inscrição sita por baixo do palanque encontra-se mencionada a data de 1118. Contudo, por se achar redigida em numeração árabe, não nos merece qualquer credibilidade. Uma parte do muro foi alçada com recurso a pedras que saíram das paredes do templo, aquando da sua reestruturação. Possuem marcas de canteiro, conforme se pode observar na foto.
O prelado do séc. XVIII deixou escrito que "vem alguas prociçons com ladainha à dita ermida maxime vem a villa de Bemposta e todos os lugares do seu concelho que são Peredo, Algozinho, Tó e Brinhozinho e nesta ocasiam vem acompanhando a prociçam dos juizes ordinarios da dita villa e terra e mais officiais da camera e todos os juizes dos lugares todos com suas varas nas mãos levantadas sem embargo de ser destrito e jurisdiçam da villa do Mogadouro. E nam há quem dê notícia do princípio desta antiguidade..."
Bonita e singular fonte de mergulho, que foi adaptada devido às medidas de protecção da saúde pública.
Pormenores arquitectónicos.
Interessante arruamento em granito. Este não necessita de manutenção...
Casa com sinais arquitectónicos de ter pertencido a gente rica e poderosa, muito provavelmente de origem judaica.
Interessante e bonito casario, que pertenceu aos antecessores de Manuel Sousa.
Canteiro operativo - estátua em homenagem aos pedreiros locais, da autoria de João "Ferrinho", do Azinhoso.
Canteiro especulativo?
Deixo aqui um forte abraço ao alcaide, pela disponibilidade e amizade com que me brindou.
figuras, património, lugares e histórias que fazem (e fizeram) o quotidiano mogadourense
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sábado, 27 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Gaitas de Foles em Vila de Ala - séc. XVII
Quando vinha de visita para apresentação de cumprimentos ao bispo de Miranda do Douro, o Chantre do cabido da Sé de Évora, Manuel Severim de Faria, pernoitou na aldeia mogadourense de Vila de Ala, na noite de 7 de Dezembro de 1609. Segundo reza a crónica que nos legou: "parte do serão desta noite entretiveram o senhor Chantre muitos dos moradores deste lugar com as músicas e instrumentos que costumam. São todos estes povos naturalmente inclinados à música e assim gastam nela os mais dos dias feriados e o tempo que lhe sobeja do trabalho. O modo de cantar é quase sempre semelhante e na rítmica dele parece imitam os povos do Norte de quem descendem. Os instrumentos que tangem são gaitas de foles que tocam com gentil arte e destreza, e na verdade que aquela rústica harmonia tem de melodia assaz." (1)
Imagem: "Diabo tocando gaita-de-fole", de Erhand Schön, 1530.
(1) Fonte: António Rodrigues Mourinho, revista "Brigantia", 2004/2005.
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segunda-feira, 25 de março de 2013
Rixa e justiça no ano de 1500 em Vila de Ala
Vila de Ala. Foto: www.duartebelo.com
João Álvares, sapateiro, morador em Vila de Ala, termo de Mogadouro, "enviou dizer que, em um dia de Julho do ano passado de 1.500, estando ele no largo da vila de Ala, fazendo uma parede com um pedreiro, junto da igreja de S.ta Maria, ouvira um arruído e chamar por Aqui del-rei. E tomara uma lança e capa no braço e fora correndo saber que era e achara junto da igreja vir um Pero Sardinha, morador na aldeia de Tó, termo da Bemposta, que dizia trazer poder do juiz da vila para prender um Afonso Coiraça, para o que trazia certos homens consigo. E quando assim achara o Pedro Sardinha com os ditos homens andar revoltos, no [audro] da igreja, para prenderem o Afonso Coiraça, não sabendo o suplicante que ele trazia o dito carrego nem o conhecendo por juiz porque não era do termo da vila de Mogadouro, onde queria prender o Afonso Coiraça, em maneira que fugira e se fora, andando outros em companhia do suplicante que o ajudara. E o Pero Sardinha dissera que saíra ferido do arruído e que não sabia quem o ferira. E por elo o suplicante se amorara. E andando amorado, Pero Sardinha lhe perdoara por um público instrumento de perdão, feito e assinado por Martim Alvares, tabelião na vila da Bemposta, a 1 de Janeiro de 1.500. Pedindo o suplicante, el-rei vendo o que dizer enviou, se assim era e aí mais não havia, visto o perdão da parte e um parece com o seu passe, lhe perdoou, contanto pagasse 1.000 rs. para a Piedade. João Afonso a fez." (fonte: ANTT).
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