terça-feira, 21 de Outubro de 2014

domingo, 19 de Outubro de 2014

Por terras de Valverde...

Tendo como objectivo a recolha de algumas imagens para ilustrar o meu próximo livro (que versará sobre Valverde e as suas tradições), andei a percorrer alguns locais que já conheço muito bem, mas que continuam a exercer magnético fascínio sobre a minha pessoa. Rumei até ao Souto, onde pude observar o remanso da paisagem cuja beleza esmagadora nos absorve de tal forma, que nos esquecemos do tempo.
Souto.
Dali, continuei pela velhinha e esburacada estrada de macadame até ao Santo André, onde observei com agrado o templo restaurado. Verifiquei igualmente que começam a restaurar algumas casas particulares. É bom sinal. O Santo André é um local mágico. Faz-nos querer recuar no tempo. Sentir a azáfama dos ranchos de apanhadores de azeitona que vinham de fora. Vivenciar as suas experiências; observar os convívios; escutar as historietas maravilhosas que certamente se contavam nos serões animados pelos mais conversadores...



Pormenores de Santo André.
 Este ano é propício aos cogumelos. De todas as variedades, cores, tamanhos e feitios, são um verdadeiro pitéu para quem os aprecia. Há quem não lhes toque, e há quem se lambuze por eles. Pessoalmente, sou apreciador. Dos que conheço bem...
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Entretanto, fez-se tempo de rumar a Valverde. Tempo de reencontro com amigos e de trocar dois agradáveis dedos de conversa, enquanto bebíamos uma cervejita à porta do café. Falámos um pouco de tudo, e como era dia de Taça, lá resvalou a laracha para a bola. Os meus amigos Armando e Manuel ainda são do tempo dos privilegiados que viram jogar o imortal Eusébio. Benfiquistas ferrenhos, ignorámos ostensivamente a tareia que, lá dentro, na televisão do bar, o leãozinho dava ao "super-mega-hiper-novo-rico-dragom-espanhol" de mister "Flopetegui".

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Feira dos Gorazes - história

No pretérito dia 10, a convite da direcção da ACISM, participei no programa da Rádio Brigantia ("Viagens na Minha Terra"), onde dissertei sobre a história da Feira dos Gorazes. Faltou-me referir que nas informações fornecidas pelo pároco de Mogadouro no âmbito do inquérito paroquial de 1758, o prelado escreveu que se fazia feira anual em 15 de Setembro e 15 de Outubro. As feiras em questão tinham três dias, sendo os dois primeiros dedicados ao "trato" e o terceiro ao gado, no "cabeço".

Já agora, outra curiosidade a propósito da festa de N. Sra do Caminho: escreveu o responsável religioso que a mesma era uma grande romaria que se realizava a... 15 de Agosto!

terça-feira, 7 de Outubro de 2014

Na pista de Manuel São Pedro, em Travanca

Desafiado pelo Victor Valdemar Lopes, rumámos a Travanca na demanda de dados biográficos referentes a ti Manel São Pedro, o famoso gaiteiro que por ali viveu. Percorremos algumas casas e falámos com outras tantas pessoas que nos foram dando algumas pistas.
Tive oportunidade para fotografar a caixa e bombo de ti Eduardo, famoso percussionista que acompanhou ti Manel São Pedro, entre outros. Os objectos encontram-se à guarda dos familiares.

Além de gaiteiro, de construtor de gaitas de foles e de altares, descobrimos por mero acaso, numa das casas visitadas, dois fusos e uma roca feitos pelo Mestre São Pedro. A proprietária guarda-os zelosamente como recordação de sua mãe. Ainda bem...
Fotos: Antero Neto.
O Victor teve a sorte de se ver agraciado com a doação de um dos fusos.
Fica aqui o agradecimento a todos os que nos souberam acolher e tiveram pachorra para nos aturar. Gratos pela inestimável simpatia e hospitalidade.


quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

A barragem de Bemposta

"Para comemorar as obras do aproveitamento hidroeléctrico do troço internacional do rio Douro, amanhã, 17 de Outubro, os Chefes de Estado de Portugal e de Espanha, Almirante Américo Thomaz e Generalíssimo Francisco Franco, presidem à cerimónia comemorativa da conclusão das obras. (...)
As negociações para a realização deste empreendimento datam do ano de 1927, no qual, a 23 de Agosto, foi celebrado entre Portugal e Espanha o "Convénio para regular o aproveitamento hidroeléctrico do troço internacional do rio Douro".
(...) foi constituída, em 1952, a Comissão Luso-Espanhola prevista no Convénio...
(...) Segundo o estabelecido no Convénio, o troço internacional do rio Douro foi dividido em duas partes de acordo com a queda disponível, cabendo a cada país o aproveitamento de troços com um desnível total da ordem dos 200 metros.
Em face da topografia local e das necessidades de energia o troço reservado a Portugal foi aproveitado mediante a construção de 3 Barragens e centrais subterrâneas - Picote, Miranda e Bemposta - e no troço reservado à Espanha foram construídas 2 Barragens e respectivas centrais - Sanoelle e Aldeadavila." (in "Mensageiro de Bragança" - 16/10/1964).

O redactor deve ter-se enganado na designação de uma das barragens espanholas, pois trata-se de "Saucelle" e não "Sanoelle".

Uma nota final, a propósito de Chefes de Estado e da histeria inqualificável que se apoderou de certos grupos parlamentares da Assembleia da República a pretexto da exposição dos bustos dos presidentes da república portuguesa: querem reescrever a História (como era usual nos tempos do amigo Estaline)? Ou estarão a dar razão póstuma a Seguro, que jurava a pés juntos que andam por ali 50 mamíferos a mais?

sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

O inventário dos bens do Convento de S. Francisco

Como é sobejamente sabido, por decreto de 30 de Maio de 1834, Joaquim António de Aguiar, também conhecido entre o povo como "Mata-Frades", foram mandados extinguir todos os conventos religiosos e afins, com a inerente incorporação dos seus bens na Fazenda Nacional (com excepção dos vasos sagrados e paramentos, que foram entregues aos Ordinários das dioceses).
O Convento de S. Francisco, em Mogadouro, não constituiu excepção. Para quem quiser saber que bens foram apreendidos, já se encontra disponível o inventário na página web da Torre do Tombo.

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quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

Hino da Escola Preparatória Trindade Coelho

Da extinta Escola Preparatória Trindade Coelho (hoje pertence ao Agrupamento), aqui fica esta curiosidade: um hino que encontrei ao folhear uma obra do padre Nogueira Afonso. Eis alguns versos:

Coro
"Somos jovens e temos no peito
Um ideal a inflamar-nos de amor.
Dar ao mundo mais graça e beleza,
Dar aos homens um mundo melhor.
(...)
2.
Como alunos que somos da Escola
Que tem o nome "Trindade Coelho",
Nele vemos, em tantas virtudes,
O mais claro e límpido espelho.
3.
Bom patrono Trindade Coelho,
Nobre exemplo de excelsos valores,
Qual pra vós hão-de ser nossas terras
Nossas graças e "Nossos Amores".
(...)



quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Associações em Mogadouro - 1982

O movimento associativo no concelho de Mogadouro foi conhecendo altos e baixos ao longo da sua história recente. Graças à mão amiga do Victor Valdemar Lopes foi-me possível recuperar aqui alguma dessa história, nomeadamente no que diz respeito ao ano de 1982. Algumas das fotos que aqui se reproduzem, bem como muitas outras da época, devem andar por aí algures, no espólio particular dos mogadourenses que na altura estavam envolvidos nesta fantástica dinâmica. Seria interessante divulgá-las, neste ou noutros espaços. É um pedaço significativo da nossa memória colectiva recente que se encontra por aí disperso e que poderá ser recolhido num futuro próximo, se houver boa vontade. Oxalá que sim...



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segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

As terras de entre Sabor e Douro - parte II

"As terras de entre Sabor e Douro". Há quem quem prefira outras designações, popularizadas ao longo dos tempos. Eu gosto mais desta. Copiada do feliz título da obra de José Manuel Martins Pereira, ilustre investigador, natural de Vila dos Sinos, que nos deixou importante legado, a merecer mais atenção por parte das autarquias no sentido de ver a sua preciosa obra reeditada, pois é raríssima e muito útil aos investigadores actuais (pode considerar-se no mesmo patamar de importância das "Memórias..." do Abade de Baçal).
Por solicitação da amiga Olímpia Garnacho (presidente da Associação Mogadouro no Coração, com sede em Groslay, na França) e marido, elaborei um roteiro à pressa, dando-lhes a conhecer algumas das jóias patrimoniais e paisagísticas do nosso concelho.
Começámos pelo castelo de Penas Róias...
Onde também visitámos a lindíssima "fonte da vila". Dali, seguimos em direcção ao Variz...

E pudemos constatar, mais uma vez, a criminosa negligência da REFER. Que linda pousada aqui se fazia! Rumámos depois até ao "Castelo dos Mouros", em Vilarinho dos Galegos, e voltámos por Vila dos Sinos...
 Onde observámos curiosas covinhas...
 e a interessante cachorrada do templo multissecular...
em cujo interior fomos surpreendidos por algumas pedras tumulares, de que se destaca esta representação de um guerreiro medieval em alto-relevo.
E, como não podia deixar de ser, o famoso berrão em granito.
Finalizámos a visita em Algosinho, com um salto à necrópole de Santo André e à incontornável igreja medieval.
Fotos: Antero Neto.
Foi uma visita relâmpago, numa rota improvisada da noite para o dia. Para o ano há mais. Assim haja saúde. Um abraço aos amigos Olímpia e Manuel.

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Feira do Azinhoso 2014

Vale a pena visitar. Para os amantes de animais, teatro, gastronomia e artesanato.

domingo, 24 de Agosto de 2014

As terras de entre Sabor e Douro





Fotos: Antero Neto.
Aproveitando uma visita à Quinta de Talhas, que os Casimiros têm à venda, atravessámos o rio Sabor em Sampaio. A travessia pode-se fazer por veículo TT, pois o caudal está bastante fraco. Julgo que a barragem não irá afectar este troço do rio, uma vez que a albufeira deve terminar um pouco mais abaixo deste local.
À tarde, aproveitámos para dar um salto a Bruçó, onde pudemos desfrutar da maravilhosa paisagem do Douro internacional. Terras magníficas entre Douro e Sabor cuja visita se aconselha...

domingo, 17 de Agosto de 2014

Ainda a Obisparra

Ainda a propósito da festa da "Obisparra", Francisco Pascual ("Mascaradas...") fala-nos deste evento, mas na vizinha localidade de Torre de Aliste. As personagens são as mesmas. O investigador espanhol confirma aquilo que eu suspeitei: "los personajes que intervienen en la Obisparra siempre son hombres (mozos)". Fala dos Diabluchos que percorrem as ruas da aldeia, fazendo soar os chocalhos, acordando as pessoas e batendo às portas. Numa outra nota, menciona que estes Diabluchos tisnam as moças da aldeia com uma cortiça queimada. O peditório é feito por toda a povoação e são recolhidos géneros alimentares (chouriças, salpicões, orelhas de porco, feijões, etc) com os quais é organizada uma ceia para todos os rapazes que participaram na festa. E se algum forasteiro entra na localidade, é o mesmo convidado a pagar uma taxa em dinheiro, que reverte igualmente a favor da festividade.
Como se pode ver, os pontos comuns com as nossas festas são muitos e variados...

Fotos: Antero Neto.

sábado, 16 de Agosto de 2014

A "Obisparra" de Pobladura de Aliste

Durante os estudos que tenho feito para melhor compreender os rituais de solstício de Inverno do concelho de Mogadouro, deparei-me com a "Obisparra" de Pobladura de Aliste, província de Zamora, Espanha. O que me chamou imediatamente a atenção e motivou a curiosidade foi uma dupla constituída por um soldado e uma companheira, que aqui toma o nome de "Filandorra". Nada mais, nada menos que o equivalente ao soldado e Sécia de Bruçó. Mas, as coincidências não se ficam por aqui. Outros dos protagonistas da Obisparra são um par de rapazes vestidos de bois, que puxam um arado. O conjunto completa-se com o lavrador, que segura o arado, o condutor dos bois e os semeadores que os precedem no cortejo e que vão espalhando palha à sua frente. Ora, nas minhas andanças e pesquisas por Vilarinho dos Galegos descobri que figuras exactamente iguais a estas saíam por altura do Carnaval.
Perante isto, tornava-se obrigatório ir observar a festividade in loco. Esclareça-se que a Obisparra se realizava tradicionalmente no dia 25 ou 26 de Dezembro. Contudo, devido à desertificação da aldeia e para atrair mais gente, os responsáveis decidiram transferi-la para o dia 15 de Agosto.

 O soldado e a Filandorra (esta personagem é interpretada por um elemento do sexo feminino, naquilo que me parece uma clara adulteração das figuras iniciais).
 Os bois a investirem contra o público. É uma constante ao longo do cortejo (principalmente se avistarem donzelas bonitas).
 A tradicional animação musical.
 Danças típicas da região.

 O soldado vai fustigando a Filandorra. Ao contrário de Bruçó, aqui é a mulher que apanha pancada e não os "amantes".
 Simulação da actividade de semear os campos de cereais, que depois são lavrados pelos bois.


 Em certos pontos do percurso são recriadas actividades ligadas à fiação da lã e do linho.
 Tal como nos rituais daqui, em Pobladura também há um peditório. Contudo, só é feito em casas previamente marcadas, onde actores estão preparados para receber os pedintes. Assiste-se a um pequeno "sketch" humorístico que diverte a população.
 Os bens doados são nacos de pão, toucinho rançoso, pé de porco igualmente rançoso, vinho e uma chouriça.



Fotos: Antero Neto.

Trata-se de um ritual claramente associado à fertilidade, num contexto agrícola. As suas características originárias sofreram claras alterações motivadas pelo decurso dos tempos. É uma festa bastante rica e movimentada, muito bem organizada, que vale a pena visitar. Pobladura de Aliste situa-se à distância de cerca de uma hora de carro (indo por Vimioso) a partir de Mogadouro.