terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Pista de gelo em Mogadouro

Pessoalmente, não me atrevo, mas tenho cá em casa quem adora isto...


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Regras da apanha da azeitona - década de 40 do séc. XX


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Antigamente, era assim. Havia regras previamente estipuladas para a colheita da azeitona. E, segundo me relataram, até era proibido colher o fruto antes de meados de Dezembro. Quem fosse surpreendido pela GNR nessa labuta antes da data permitida, era multado.

PS: agradeço à Dra. Rita Gonçalves o acesso a estes documentos, que foram reproduzidos no meu livro "As Festas de Inverno e os Mascarados de Valverde".

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Centro Monárquico de Mogadouro - Manifesto

Proveniente do arquivo familiar da família Morais Pimentel da Fonseca Ribeiro, descobri este panfleto, sem data, impresso na Tipografia Rêgo, em Mirandela. O manifesto, cujo teor se reproduz, visou os pretensos fundadores de um Centro Monárquico no nosso concelho, tendo como principal instigador um tal Dr. Cordeiro, da Saldonha, concelho de Alfândega da Fé, causticando-os fortemente e defendendo com unhas e dentes o regime republicano.


" Sob o principal impulso, acção e patrocínio do ex-conspirador da Saldonha, figura doublé de senhor feudal e negociante, homem que pouca gente conhece neste concelho e que ao mesmo não se encontra ligado, nem sequer pelo mais ténue laço moral ou afectivo, foram lançados no dia 7 do corrente, os lineamentos de um Centro Monárquico do Concelho.
E´seu representante, nesta vila, o Dr. Casimiro Machado,cuja dedicação à causa dinástica, contrasta, flagrantemente, com o que seria licito esperar da sua educação e mocidade.

Informam-nos que compareceram à reunião, e do centro nascente ficaram fazendo parte,ostensiva e claramente, porque os ocultos, por enquanto, são desconhecidos, os padres : António Pinto, de Castro Vicente; António Coelho, de Penas-Roias; Manuel Afonso, de S. Martinho; Mont´Alverne, da Castanheira; António Silvestre, de Valverde; e António Domingues, de Urroz. E os leigos : António Neves e Francisco Esteves, de Castelo Branco; António Felgueiras e João Lagoa, de Brunhoso; Joaquim Lagôa, de Soutelo; Abilio Felgueiras, de Vale da Madre; e sr. Basilio, maridado com a Chefe da Estação Telegrafo Postal desta vila, e, poucos mais, cujos apagados nomes nem vale a pena referir. Esses aí ficam para averiguações de futuras e bem possíveis responsabilidades !...

Não nos comove, nem tampouco embaraça, nos nossos sentimentos e acção de republicanos, os trabalhos de organização monárquica encetados, a não ser pelo que eles representam de provocador e porque os elementos, embora poucos, que neste concelho pretendam dar-lhe apoio, revelam um claro sintoma de insensatez e desejo de degladiação e retrocesso, num meio politico em que todas as actividades se deviam congregar, inteligentemente, para a consecução de um fim imediato : o engrandecimento, pela unificação de esforços, deste pobre e desprotegido concelho, onde não ha nada feito, e onde nada se poderá fazer, enquanto os seus homens se dividirem, degladiarem e odiarem.

Não o querem assim alguns mogadourenses, indo arregimentar-se nas hostes monárquicas, sob o comando de um olhar duro e egoísta, que os ha-de conduzir ... ao insucesso.

O caminho, decerto, não poderá ser outro !

Compreendemos nós que no campo bem rasgado dos princípios da liberdade e democracia, que devem florescer, como mimosa crença, no peito de todos os homens, sejam quem for, diferentes bandeiras partidárias se desfraldem, na sincera afirmação de um programa, cujos pontos de vista politico-doutrinários tendam à realização de uma aspiração comum : fazer grande a Pátria Portuguesa. Porém,que nesta altura do século XX, quando um sol de liberdade queima, ardentemente, todos os povos e lhes traça nos horizontes uma linha de ascendente e clara direcção; que nesta altura de conquistas liberais e democráticas, em que os povos saídos da mais tremenda guerra que a Historia regista, se afirmaram e decidiram, com a clareza insofismável dos factos históricos, contra o velho principio dinástico, que as aspirações e a ânsia de liberdade já não comportam, neste momento, fazendo tombar, ruidosamente, os tronos da Rússia, Áustria-Hungria, e Alemanha, fazendo erguer, brilhantemente, as republicas que substituíram as testas coroadas daqueles grandes países e implantaram, nas pequenas nacionalidades nascidas por desagregação, novas e vitalssimas republicas, como expressões populares dos governos que melhor se adaptam à feição do povo, à ordem natural da vida, ao conceito filosófico moderno a que se prende o fenomeno politico; que nesta hora de palpitante anseio, em que todo o mundo clama e proclama liberdade, e por ela luta incessantemente; que, precisamente, neste momento, em que á velha monarquia espanhola estão sendo dirigidos os mais formidáveis ataques, demonstrando-se, com viva documentação, que aquele Rei, ha pouco apontado como exemplo de dinastias, tem, ele e os seus aulicos, arrastado,contra a vontade da Nação - esmagada e sufocada por uma politica ferazmente egoísta, nascida na pessoa do Rei e transmitida por pessoas sem escrupulos - a velha Espanha à mais desgraçada e aviltante derrocada ; que, neste momento, repetimos, em que tudo isto somado dá a palavra - Liberdade - se venha pugnar pela fundação de um Centro monarquico, num concelho de tão fraca população eleitoral e em que as forças já por si são pequenas e quanto mais subdivididas mais se enfraquecem, mais se neutralizam, não compreendemos o que de elevado, o que de grande, o que de patriótico haja em tão desastrada tentativa !

Não compreendemos !

E incoerentes reputamos, e aqui declaramos, todos aqueles que dizendo-se católicos, a semelhante organismo dão o seu apoio, supondo nós que pouco honra a sua inteligência e, sobretudo o seu espirito de obediência às determinações ultimas da Igreja, que lhes ordena acatamento, respeito e colaboração com os poderes constituídos - A Republica ! Está provado que certos padres, poucos padres, são inimigos do regimen ! Quizemos, por uma politica de tolerância, de franca e por vezes abdicante tolerância, demonstrar-lhes que nós não tinhamos reservas, nem desejos de luta : o padre era católico, somente católico, e como tal pugnava pelas suas regalias, pelas regalias justas da Igreja ? Muito bem ! O padre servia-nos como um grande elemento de organização e educação moral, que convinha defender e amparar. E nesta corrente se ia lutando e trabalhando. Quasi todos os padres inteligentes assim procedem e se estão orientando nesse sentido. No nosso concelho ha, porém, alguns que enquistaram em uma ideia : são monarquicos. Pois bem : contra monarquicos ... republicanos. Não podemos contar com essas criaturas para nada, a não ser para nos guerrearem. Antes assim do que encobertos. Podem contar comnosco para tudo. Aceitamos o cartel de desafio .

Ficam assim delimitados e extremados os campos : os monarquicos são nossos inimigos, e, como tal, só podem esperar, da nossa parte, guerra leal, é certo, porque outra não sabemos nem podemos fazer, mas guerra impiedosa e sem tréguas !

E´honrada, é nobre esta franca declaração ! E assim fica assente : o concelho tem de escolher : ou nós republicanos, prontos sempre a trabalhar em favor de todos, ou o monarquico, o ex-conspirador e conspirador Dr. Cordeiro, procurando apenas a satisfação do seu egoísmo : uma candidatura apoiada pelo concelho de Mogadouro, visto que o concelho de Alfandega da Fé o corre e guerreia.

Há-de ser engraçado o deputado Dr. Cordeiro, a pugnar em Lisboa, perante republicanos, pelos interesses deste concelho ! Há-de ser um rio de benesses canalizado para este concelho, feito brotar da pedra da Republica, pela vara magica daquele ilustre representante !...

Os republicanos signatários, e os que não assinam, porque felizmente em Mogadouro e concelho, ainda há republicanos prontos, dispostos a tudo, consideram como um desafio o que se está fazendo aqui.

O concelho tem tempo de refletir.

Mesmo muito dos que se encontram envolvidos, talvez por irreflexão ou falsas informações - a tudo recorrem certos meneurs - podem ainda arrepiar caminho.

A Monarquia em Portugal é um impossível. Não há monárquicos de verdade, e não são os do estofo do Dr. Cordeiro que a hão-de restaurar, - que se hão-de bater com a falange republicana pela restauração monárquica.

Monsanto é a pagina mais clara e mais insofismável de que a monarquia não pode ser restaurada em Portugal.

Não sabemos para onde caminhará o país! Confiamos serenamente que a Republica nos salvará. Se, porém, ela caísse, não seria a monarquia chamada a substitui-la. A monarquia seria a guerra civil, feroz, odienta, terrível, em Portugal. Ela traria a perda não só da Republica, mas da própria nacionalidade. Claramente aí ficam essas palavras. Que as leia e medite quem estiver a tempo de refletir.

O Dr. Cordeiro, o Dr. Casimiro e outros, prestam um péssimo serviço ao concelho de Mogadouro. Está averiguado, com documentos apreendidos, que se trama uma vasta conspiração contra a Republica por todo o país. Este movimento, aqui, é o desenvolver da acção conspiratória. Quem conspira contra o regimen coloca-se na contingência de ir parar aonde o meterem ...

E´para onde vemos inclinar-se o movimento monárquico.

Ficaríamos de mal com as nossas consciências se não disséssemos claramente ao concelho de Mogadouro o que pensamos sobre o que se prepara e não lhe déssemos a entender qual a nossa atitude.

Ficam assim esclarecidas duas situações distintas: quem for republicano é contra monárquicos.

VIVA PORTUGAL ! VIVA A REPUBLICA !

Alípio Augusto Trancoso - Sub-delegado de Saúde
Henrique Cabral - Advogado e notário
Francisco António Vicente - Medico
Altino Norberto Morais Pimentel - Oficial do Reg. Civil
António Pereira Taveira - Conservador do Reg. Predial
António Baptista Rosinha - Inspector Escolar interino
Agostinho Braz - Alferes da G. Fiscal
Ernesto de Almeida Ferreira - Escrivão de Direito
António Maria Fernandes - Secretario de finanças
José Cludumiro Guimarães - Comerciante
Celestino António Pimentel de Carvalho - Tes. da Fazenda Publica
Carlos Alberto Pires - Comerciante
Horácio Costa - Comerciante
José Sanches Branco - Ajudante de notário
Diogo de Almeida - Comerciante
Ramiro Lopes - Comerciante
Guilherme Maria Pêra - Proprietário
Ernesto Augusto Garcia - 2º sargento reformado
José Joaquim Rodrigues - Chefe Fiscal
José Manuel Domingues - Amanuense da Câmara
Adriano José Machado - Amanuense da administração
Alberto Maria da Costa - Ajud. da Rep. do Reg. Civil
António Bernardino de Albuquerque - Aspir. Finanças
Diogo Albino Vaz - Aspirante de Finanças
Alexandre Joaquim Neto - Chefe Fiscal
Abílio Salgado - Secretario da Câmara
Joaquim Leite Velho - Proprietário
Manuel Américo Alves - Agenciario
Eduardo Augusto Mora - 2º sarg. da G. Fiscal
João Varão - 1º sarg. da G. Fiscal
António Augusto Soeiro - 2º Sarg. da G. Fiscal
José Afonso - 2º sarg. de engenharia
Manuel Maria Roxo - Oficial de diligências da Câmara
Fernando Augusto Paulo - Professor oficial
António Maria Trigo - Escrivão de direito
António Augusto da Silva Calejo - Comerciante
Antero Carlos Pinto - 1º sargento reformado
Francisco Ant. Lopes Moreira - Sec.º da Administração com declaração."

Deixo aqui um bem-haja aos elementos da família em questão pela divulgação deste e de outros documentos, cujo interesse é manifesto para a edificação da História local. Muito obrigado!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O "berrão" de Vila dos Sinos


"O termo “berrão” refere-se popularmente a um porco de cobrição e foi apropriado pelos arqueólogos para classificar, indiferentemente da espécie animal em causa, todas as esculturas zoomorfas proto-históricas em pedra. Este género de achados arqueológicos encontra-se disperso por uma área geográfica que inclui o Douro Litoral, Minho, Trás-os-Montes, Beira Alta e as províncias espanholas de Ávila, Burgos, Cáceres, Orense, Pontevedra, Salamanca, Segóvia, Toledo e Zamora. Contudo, o grosso das peças está concentrado na área compreendida por Trás-os-Montes, Ávila, Zamora e Salamanca, fazendo-a coincidir com a implantação territorial dos povos Ásture, Vetão, Lusitano e Carpetano." (Antero Neto, in "Vilarinho dos Galegos e os seus mascarados", Lema d'Origem - Editora)

sábado, 12 de novembro de 2016

Jornadas de divulgação cultural: Valladolid e Maçores

Tal como tinha anunciado, esta semana foi fértil em jornadas de divulgação cultural. Na quinta-feira, dia 10, desloquei-me à cidade espanhola de Valladolid, a convite da "Escuela Oficial de Idiomas", onde tive oportunidade de falar sobre as tradições gastronómicas transmontanas. Foi um evento extremamente interessante. Os alunos demonstraram querer conhecer tudo acerca dos nossos usos e costumes, dos nossos produtos, etc. Fica uma palavra de gratidão à Professora Concha López Jambrina pelo convite e pela simpatia com que fui tratado por toda a gente. Acompanhou-me a Sra. Vereadora da Cultura do Município de Mogadouro, Virgínia Vieira, a quem agradeço igualmente a disponibilidade e amabilidade demonstradas.

Hoje, foi dia de rumar a Maçores, no concelho de Torre de Moncorvo, onde dissertei sobre a raiz pagã das festividades cíclicas transmontanas. Aproveitei o ensejo para fazer a apologia dos rituais de solstício de Inverno do nosso concelho.

Antes de botar faladura, houve que "molhar a palavra" em boa companhia, com o Paulo Patoleia e o "repórter" da TV Açoreira.

Depois da animada palestra, e sessão de autógrafos, houve tempo para uma breve troca de impressões com o Sr. General Tomé Pinto.
Carlos D'Abreu, um dos maiores vultos culturais transmontanos do presente, escritor e investigador com vasta obra editada, apresentou na sua terra, e no âmbito do programa festivo, o último livro por si publicado: “O Epistolário do Abade Tavares para o Mestre Leite de Vasconcelos (1895-1932)” (que já tinha sido apresentado no âmbito da última edição do PAN, em Carviçais).
 Com o amigo, editor e escritor António Sá Gué.
 Tempo também para rever velhos conhecidos. Descobri a veia artística de fotógrafo do António Joaquim, que tinha sido meu colega na Escola Secundária Dr. Ramiro Salgado, quando ali dei aulas. A exposição que se vê nas paredes é de sua autoria. Parabéns pelo belo trabalho!
 Fotos antigas da festa, com gaiteiros oriundos da nossa zona. Manuel São Pedro, de Travanca, Mogadouro, foi um dos gaiteiros que animaram esta festa de S. Martinho durante muitos anos. Desde algum tempo para cá, têm sido os nossos conterrâneos Carlos Alves, Nuno Lopes e Sérgio Delgado a abrilhantar as festividades.

Deixo aqui o meu sincero agradecimento aos responsáveis por esta oportunidade de divulgação das nossas tradições e valores ancestrais: António Sá Gué, Carlos D'Abreu e Ricardo Fernandes (responsável autarca da União de Freguesias anfitriã).
Uma nota ainda para a simpatia e hospitalidade da família do Carlos D'Abreu, que nos proporcionou um farto repasto. E, para terminar, merece referência a actuação da Tuna Popular Lousense, da aldeia próxima da Lousa, que animou a palestra, intercalando as intervenções dos oradores com alguns temas musicais superiormente executados.
Pena foi que a chuva que se abateu sobre a região me tivesse impedido de tirar fotos ao magusto, que tem aspectos "sui generis" em Maçores. Se no ano que vem for vivo e com saúde, tenho que lá ir completar a festa...

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Linha do Sabor - mais um pouco da sua história

A "Gazeta dos Caminhos de Ferro" (números de 1935 e de 1938) permite-nos desvendar um pouco da história da Linha do Sabor. Aqui ficam alguns apontamentos sobre o apeadeiro de Vilar do Rei e sobre a inauguração do troço entre Mogadouro e Duas Igrejas.

Troço inaugurado em 22 de Maio de 1938.
Gazeta dos Caminhos de Ferro (1935).
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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Comunicação sobre as raízes pagãs das nossas festas - S. Martinho, em Maçores

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Mais uma palestra, dedicada ao tema das raízes pagãs das nossas festividades. No dia 12, depois de almoço, em Maçores, concelho de Torre de Moncorvo.

domingo, 30 de outubro de 2016

Palestra na Escola Oficial de Idiomas de Valladolid


Será no próximo dia 10 de Novembro, pelas 17h 30 portuguesas, na Escola Oficial de Idiomas de Valladolid.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O Santo André e o Sabor

Ainda não tinha voltado à quinta de Santo André depois da subida do leito do rio Sabor, provocada pela construção da barragem do Baixo-Sabor. A paisagem, que já era linda, ficou deslumbrante. Agora, ainda apetece mais ir até lá. Magnífico!





domingo, 16 de outubro de 2016

A confecção artesanal da aguardente

O ciclo da aguardente, tal como ela é concebida de acordo com a tradição das nossas aldeias, inicia-se com o pisar das uvas no lagar. O que sobra, depois de espremidos os frutos e retirado o mosto, conhecido por "cango", é então armazenado em local estanque, bem protegido do ar. Em minha casa, chegou a enterrar-se num campo contíguo ao edifício.
Quando o frio se faz anunciar e as habituais tarefas da vida do campo dão algumas tréguas ao agricultor, começa a preparação para o fabrico da aguardente. Foi esse processo que consegui fotografar recentemente, numa aldeia do concelho de Mogadouro.

 A jornada inicia-se com o enchimento do "pote". O meu falecido pai colocava umas vides verdes antes da palha (alguns dos presentes disseram-me que seguiam prática idêntica). A palha serve para evitar que o cango se cole ao fundo do recipiente.
 Deita-se alguma água para ajudar na fervura do material.


 Dá-se uma calcadela, mas sem exagerar, pois se o cango estiver demasiado calcado não vai ferver tão bem.
 Abre-se um pequeno buraco no meio, para facilitar a subida do vapor.

Coloca-se o pote em cima do lume e aguarda-se que comece a ferver.
 Depois da fervura, coloca-se a "cabeça" em cima do pote. As peças são coladas com massa feita de farinha e água. A cabeça do pote é atestada com água fria. A partir daqui convém vigiar o lume para que se mantenha o mais constante possível (nalguns casos, a garotada aproveitava para fazer umas torradas que haveriam de ser bem regadas com azeite. Ainda me lembro bem disso, na minha infância, quando ia a Bruçó e assistia a estes trabalhos). Convém igualmente ir substituindo a água, pois ela vai aquecendo e é importante que esteja o mais fria possível, para ajudar no processo de passagem do estado gasoso ao estado líquido.
 A aguardente começa a escorrer para o recipiente. Em minha casa usava-se uma cana. Aqui, colocaram uma espiga na ponta da mangueira.
Finalmente, há que começar a preparar nova "potada". Torna-se necessário retirar o cango e...
 ... enxaguar bem o pote.
Após a execução desta árdua tarefa, prova-se o precioso néctar. E se a prova for exagerada, corre-se o risco de "apanhar uma cadela"!

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Julgados Municipais (Alfândega da Fé)



Os "Julgados Municipais" foram instâncias judiciais criadas por Decreto de 29 de Julho de 1886. Confesso que nunca tinha ouvido falar deste tipo de tribunais até o amigo Nuno Trindade me ter feito chegar um documento onde é mencionado o Julgado Municipal de Alfândega da Fé.

Segundo informação colhida na página do Arquivo Distrital de Setúbal "os Julgados Municipais funcionam dependentes da Comarca em que se integram. Têm à frente um Juiz de Direito e alçada sobre processos crimes e cíveis e das suas decisões cabe recurso ao Tribunal da Comarca (...). A criação do Julgado Municipal depende da disponibilização, por parte das Câmaras Municipais, de edifício próprio para o funcionamento do tribunal e do pagamento condigno ao juiz e subdelegado do procurador régio.

No século XX, houve nova criação de Julgados Municipais."


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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Feira dos Gorazes 2016

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Boas razões para visitar Mogadouro nos próximos dias...

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Feiras de Mogadouro - séc. XVIII

"Na dita villa [Mogadouro] se fazem feiras todos os primeiros sabados do mês e estando este impedido com algum dia santo se faz na primeira segunda feira do dito. Além desta se fazem duas feiras de anno, a primeira a quinze de Setembro e a segunda a quinze de Outubro. Dura cada hua dellas três dias, os primeiros dois de praça e o terceiro de cabesso ou feira de bois. Tanto estas como as dos meses nenhua dellas hé franqua, antes sim todas captivas." (in, Memórias Paroquiais de 1758)


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Resultado dos exames de admissão aos liceus - 1895

Rol dos alunos, naturais do concelho de Mogadouro,  aprovados no exame de instrução primária, para admissão aos liceus - exames realizados no Liceu Nacional de Bragança, no ano de 1895:


Albano Maria Fernandes, de Mogadouro. 
António Augusto Pimentel, de Valcerto. 
António Júlio Rodrigues, de Mogadouro.
 António Maria Alves, de Mogadouro. 
Arnaldo Augusto Bártolo, de Mogadouro. 
Raúl Octávio da Silva, de Mogadouro. 
Francisco Júlio Calejo, de Mogadouro. 
Francisco Manuel Silvestre, de Urrós. 
Francisco Maria Martins, de Tó. 
Guilherme Maria Pereira, de Vilar do Rei. 
João do Nascimento Pires, de Urrós. 
Levíndia Teresa Chaves de Lemos, de Mogadouro. 
Ramiro José Lopes, de Mogadouro.

(fonte: jornal "Norte Transmontano").

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Notícias do séc. XIX

Recortes do jornal "Norte Transmontano", de 1895 e 1897.



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sábado, 1 de outubro de 2016

O pelourinho de Mogadouro

I. OS PELOURINHOS

“Os pelourinhos, solitárias mas majestosas colunas de pedra, são o símbolo material da autoridade e autonomia de concelhos medievais e de alguns senhores laicos e religiosos. O pelourinho primitivo seria uma simples coluna de pedra cravada no chão, dando centralidade ao local que ocupava. Seria a continuidade da vara, símbolo do poder que era atribuído, primeiro, pela divindade, ao condutor de homens, como lembram a vara de Moisés, o báculo do bispo ou do papa, a vara do provedor de qualquer irmandade ou confraria, ou mesmo a vara do pastor, cuja vara e função têm permitido, ao longo dos séculos, múltiplas parábolas e metáforas.” (in: PELOURINHOS DA BEIRA INTERIOR. UMA PÁGINA ESQUECIDA NA HISTÓRIA DE PORTUGAL – António Maria Romeiro Carvalho).


VITERBO, no seu elucidário diz-nos que “Picota” era um pelourinho com cadeias onde os criminosos eram expostos à vergonha. A cidade de Viseu tinha uma postura, emitida pela respectiva câmara, datada do séc. XIV, que determinava que os talhantes e os padeiros que roubassem no peso dos respectivos produtos fossem presos e expostos na picota.

Desenho da vila de Mogadouro (séc. XVI - Duarte d'Armas) com o pelourinho encimado por capitel em forma de gaiola.
Pormenor do capitel actual do pelourinho de Mogadouro.
Imagem do pelourinho. No lado direito da foto pode observar-se parte do belíssimo frontão da entrada do palácio dos Pegados (conhecido popularmente e erradamente por "palácio dos Távoras").

II. O PELOURINHO DE MOGADOURO

Como se pode ver na primeira imagem, o capitel original era em forma de gaiola. Esta estrutura podia servir para expor os criminosos, dependendo do seu tamanho.

“Observando o livro das fortalezas de Duarte de Armas, o escudeiro de D. Manuel que percorreu o país desenhando as fortalezas ao natural, percebe-se que o pelourinho original e que, muito possivelmente, era coevo do foral manuelino, não corresponde ao actual. Era, conforme o desenho de Duarte de Armas, um pelourinho de gaiola (MALAFAIA, 1997, p. 268).
Não se sabe em que época foi substituído pelo que hoje se conhece. Este, ergue-se sobre uma plataforma de três degraus quadrangulares, sobre os quais assenta a base e a coluna, formada por três anéis oitavados e por fuste se secção octogonal, dividida em quatro registos, um dos quais deverá ter tido uma argola. Do capitel, circular, saem quatro braços formando uma cruz grega e o remate, em forma de pirâmide, é decorado por dois conjuntos de meias esferas.” (in: http://www.patrimoniocultural.pt)

domingo, 25 de setembro de 2016

Fruta da época

Este ano foi muito mau no que à produção de fruta diz respeito. Contudo, há excepções. Os figos, por exemplo, produziram bem. Os da foto foram colhidos em Bruçó, próximo das arribas do Douro. Possuem um sabor excepcional...


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Imagens de arquivo



 Esta foi tirada em 1951, segundo inscrição constante no verso da mesma.