quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Centro Interpretativo da Máscara Ibérica - Lazarim

Foi inaugurado no pretérito domingo o "Centro Interpretativo da Máscara Ibérica", sito em Lazarim, concelho de Lamego. Esta infraestrutura, cuja construção orçou em 1,4 milhões de euros, é magnífica e alberga um importante pólo que visa atrair investigadores e estudiosos da temática da máscara. Eis um exemplo de dinâmica autárquica, protagonizado pela equipa liderada por Francisco Lopes, presidente da câmara de Lamego. O autarca referiu no seu discurso que aqueles que criticam a construção deste género de equipamentos tão dispendiosos numa localidade tão pequena, são os mesmos que criticam a canalização de investimentos para o litoral. Não deixa de ter razão...



 Fotos: município de Lamego.
Foto: Luís Falcón.
Estive presente, juntamente com o Victor Lopes e o Mário Correia. Esta jornada foi importante, pois permitiu-me trocar algumas impressões com investigadores e autarcas, quer do concelho vizinho de Miranda do Douro, quer da vizinha Espanha.
Houve alguém que me disse: "já viu se tivéssemos isto em Mogadouro?". Não temos, mas podíamos ter. Continuo sem perceber porque é que passados 15 anos sobre a doação ao município por parte da família do dr. Alves do edifício junto ao castelo, ainda nada foi feito...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Vocabulário de Mogadouro e Lagoaça

Clicar na imagem para ampliar.

A "Revista Lusitana", dirigida por J. Leite de Vasconcellos, nas suas edições de 1897-1899, traz uma série de artigos, da autoria de Augusto Moreno, onde aquele professor compilou uma série de termos que considerou como sendo próprios de Mogadouro e Lagoaça. Discutível, como é óbvio, deixo aqui uma pequena amostra do estudo.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Sarcófagos de Azinhoso e Penas Róias

No seguimento do post anterior e movido pela curiosidade e pela possibilidade de tirar algumas fotos, fui visitar a bela e histórica aldeia de Azinhoso. O amigo João "Ferrinho", talentoso escultor da pedra e da madeira, conhecedor do local, serviu-me de guia. Ainda me disponibilizou meios para conseguir aceder às pinturas murais, mas pareceu-me a empreitada demasiado arrojada para alguém com a minha massa corporal. Por isso, desisti do intento.
Aproveitei para dar uma volta e fotografar uma "pia", propriedade do meu anfitrião, que se me revelou como sendo um sarcófago escavado na pedra, destinado a depositar os restos mortais de uma criança.
Esta peça é proveniente do termo de Penas Róias.
E como a envolvente urbana é convidativa, tirei mais alguns retratos desta encantadora localidade que já foi sede concelhia.


No interior do templo medieval, encontra-se o túmulo de Luís Eanes de Madureira.
A inscrição gótica em torno do sarcófago (entretanto retirado) diz o seguinte: "Aquy jaz luys eanes da madureira uigairo jeeral do s[e]n[h]or dom f[e]rnandu arceb[is]po de braga". A pintura remonta a meados do séc. XV e representa S. Miguel pesando as almas com dois doadores. Ao lado da igreja existe um pequeno, mas interessante museu, onde podem ser observadas algumas peças da liturgia católica, bem como alguns documentos com valor histórico.
De seguida dirigi-me a Penas Róias, onde pude observar uma outra campa pétrea (para corpo adulto), depositada num pequeno quintal anexo à igreja local. Este género de sepultura antropomorfa encontra-se com alguma frequência no território do actual concelho de Mogadouro (nomeadamente em Urrós, Algosinho, Mogadouro...).

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Pinturas murais do séc. XVI na igreja do Azinhoso

Graças a uma conversa de ocasião com o amigo João Mesquita (Ferrinho) do Azinhoso, descobri que o importante templo local alberga pinturas murais datadas do primeiro quartel do séc. XVI (segundo a opinião da especialista Lúcia Rosas*). O conjunto encontra-se truncado, pois seria muito mais vasto e foi posto a descoberto devido a obras de restauro ocorridas no final do séc. XX. Conto ter brevemente mais documentação fotográfica do local. Para já, aqui fica o registo gentilmente cedido por João Mesquita.
 * In "PINTURA MURAL E DEVOÇÃO NAS IGREJAS PAROQUIAIS DE TRÁS-OS-MONTES".

domingo, 17 de janeiro de 2016

Água, ruínas e merujas

As intensas chuvas que caíram sobre esta região deixaram marcas negativas sobre o património local. E até as merujas foram afectadas, pois a força dos caudais ribeirinhos quase fez desaparecer as manchas abundantes desta salada muito apreciada (eu não me incluo entre os apreciadores. Tenho para mim que quem gosta daquilo também é capaz de gostar de salada a sério...).


 Curioso nicho, com altos relevos já desgastados pelo tempo, sito em Tó.
As poucas merujas que sobreviveram ao temporal.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Canal de irrigação

É minha convicção que a grande obra pública do concelho de Mogadouro ainda está por concretizar. Trata-se de um canal de irrigação que permitisse revolucionar a produção agrícola da zona planáltica. Tal desiderato poderia atingir-se quer através da captação de água a montante da albufeira duriense de Bemposta, quer, como me sugeriu o amigo Abílio Cordeiro, de Penas Róias, com a construção de uma represa a jusante da albufeira de Bastelos, aproveitando as águas sobrantes desta. Penso que seria a única forma de potenciar os campos áridos desta zona, permitindo a implementação e rentabilização de culturas agrícolas adequadas ao regadio, tornando a zona mais competitiva e atractiva para os agricultores, que continuam a ser a base de sustentação da economia local (esqueçam os projectos turísticos megalómanos. Como se tem visto, infelizmente, têm dado todos "barraca").
O mais curioso, e o motivo deste post, é que já na viragem do séc. XIX para o XX, o Abade de Miragaia, Pedro Augusto Ferreira, falava da necessidade desta obra, no seu livro "Tentativa Etymologico-toponymica", como se pode verificar na imagem.

Clicar na imagem para ampliar.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Mascarão e Mascarinha de Vilarinho dos Galegos

Tal como previsto, e não obstante o temporal que se abateu sobre a região, decorreu ontem a apresentação do meu livro "Vilarinho dos Galegos e os seus mascarados", simultaneamente com a recuperação do ritual do "Mascarão e Mascarinha". A jornada cultural que decorreu nesta povoação ribeirinha do concelho de Mogadouro atingiu um grau de excelência raro, dada a presença de algumas personalidades que engrandeceram sobremaneira o evento. Após uma breve visita guiada por mim ao castro com alguns dos convidados, a sessão teve início numa tenda montada para o efeito na praça central.
Os trabalhos iniciaram-se com uma actuação musical a cargo do Victor Valdemar Lopes que interpretou dois temas e prosseguiu com a performance de Paco Diez e Raul Olivar, dois grandes músicos da cena artística de Espanha, que maravilharam a assistência. Foi uma honra e um grande privilégio ter podido assistir a semelhante espectáculo!



Seguiu-se a apresentação formal do livro com intervenções do senhor presidente do Município de Mogadouro, Francisco Guimarães, do senhor presidente da União de Freguesias de Vilarinho dos Galegos e Ventozelo, Manuel Garcia, da senhora Fátima Lopes e da Dra. Célia Campos. A minha alocução e a habitual sessão de autógrafos finalizaram esta parte da festa.
Após o almoço que reuniu mais de duzentos comensais, saiu então o ritual. Como foi a primeira vez, após cerca de quarenta a cinquenta anos de interregno, esperava-se que nem tudo corresse na perfeição. Contudo e a ajuizar pelos testemunhos dos mais velhos, a festa esteve magnífica.




Os actores incarnaram na perfeição os respectivos papéis e a população aderiu entusiasticamente, fazendo com que tenha sido um completo sucesso. Já ficou nomeada a comissão organizadora da festa do próximo ano, esperando-se que tudo decorra, no mínimo, da mesma forma.
Deixo aqui uma palavra final para o alcaide, Manuel Garcia, pelo empenho que colocou na organização, bem como para todos os que com ele colaboraram, fazendo com que este dia se tenha tornado inesquecível, e ainda para toda a população de Vilarinho dos Galegos pelo carinho que me demonstrou e pelo entusiasmo colocado na vivência da sua festa. Um muito obrigado aos convidados que estiveram presentes (e alguns vieram bem de longe), em particular ao Jorge Lira, ao Mário Correia, ao Paco Diez, ao Raul Olivar, ao António Sá Gué, ao Hélder Ferreira, ao Prof. Luís Raposo, ao Luís Falcon Martin, ao Francisco Pinto e a todos os que agora não me ocorrem, bem como aos que vieram para me dar um abraço, como Arnaldo Silva, Carlos Seixas, António Júlio Andrade, Hermano Santos e outros a quem saúdo.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Vilarinho dos Galegos e os seus Mascarados


Terá lugar no próximo sábado, dia 09 de Janeiro, pelas 12h00, na Casa do Povo de Vilarinho dos Galegos, a apresentação da minha mais recente obra, intitulada "Vilarinho dos Galegos e os seus Mascarados". Durante a tarde do mesmo dia sairá à rua o ritual do "Mascarão e Mascarinha", que será recuperado após longo interregno. Fica aqui o convite a todos os interessados para visitarem esta histórica aldeia nesta ocasião festiva.
Reproduz-se aqui o índice das matérias abordadas no livro:

Índice
Mensagem do Presidente da União de Freguesias de Vilarinho dos Galegos e Ventozelo
Prefácio (Mário Correia)
Nota de Leitura (Nelson Campos)
Proémio

Primeira parte – Vilarinho dos Galegos

Capítulo Primeiro – Notas Históricas
A aldeia
O topónimo
As origens
O Castelo dos Mouros
Contexto humano
A Fraga do Calço e as lendas associadas ao local envolvente
A CAPELA DE SANTA CRUZ
A ALDEIA DE VILARINHO DOS GALEGOS EM MEADOS DO SÉC. XVIII – MEMÓRIAS PAROQUIAIS DE 1758
ANÁLISE ECONÓMICA, DEMOGRÁFICA E ADMINISTRATIVA
Da economia
Da demografia
Da administração civil e religiosa
Património religioso da aldeia
Breve glossário de alguns termos técnicos utilizados nos documentos
O arrolamento dos bens eclesiásticos em 1911
Cadouço
POPULAÇÃO DE VILARINHO DOS GALEGOS EM 1796
A evolução demográfica de Vilarinho dos Galegos desde o século XIX ao XXI
AS VISITAÇÕES E INQUÉRITOS PAROQUIAIS DE 1775, 1824 E 1831
A ALDEIA DE VILARINHO DOS GALEGOS NA VIRAGEM DO SÉC. XIX PARA O SÉC. XX 
Capítulo Segundo
Vilarinho dos Galegos, Terra de Judeus
Considerações gerais
Desintreflar as casas
A escola e a Junta Judaica de Vilarinho dos Galegos – 1933
Os judeus de Vilarinho dos Galegos nas convulsões liberais de 1820-1834
Vítimas da Inquisição em Vilarinho dos Galegos
Marcas Arquitectónicas Judaicas em Vilarinho dos Galegos
Algumas orações judaicas recolhidas em Vilarinho dos Galegos (HA-LAPID)
Havia abafadores em Vilarinho dos Galegos?
Existe identidade genética entre os judeus transmontanos? 
CAPÍTULO TERCEIRO
O CONTRABANDO
Alguns processos de contrabando em Vilarinho dos Galegos (séc. XIX)
Histórias castiças de contrabando

Segunda parte – As Máscaras

CAPÍTULO PRIMEIRO
RITUAIS COM MÁSCARA NO CONCELHO DE MOGADOURO
O “tempo” dos rituais. O tempo de Jano. As “Kalendae Januarie”
A origem cronológica dos rituais de solstício de Inverno
O concelho de Mogadouro e as máscaras
Chocalheiro de Bemposta
Velhos e Chocalheiro de Bruçó
O Farandulo de Tó
O Velho, Diabo ou Chocalheiro de Vale de Porco
O Careto e a Velha de Valverde
CAPÍTULO SEGUNDO
O MASCARÃO E A MASCARINHA DE VILARINHO DOS GALEGOS
Houve Chocalheiro em Vilarinho dos Galegos?
O Mascarão e a Mascarinha
CAPÍTULO TERCEIRO
OS BOIS E O ARADO
CAPÍTULO QUARTO
A Pandorcada de S. Membrum



quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Presença romana e templária em Algosinho

A bela igreja medieval de Algosinho alberga no seu interior algumas pedras que nos ajudam a desvendar o mistério da remota ocupação humana por estas paragens. Podemos lá encontrar evidências da ocupação romana do território, bem como confirmar a presença da sagrada Ordem do Templo. Pena foi que o castro local tivesse sido vandalizado de forma quase irremediável...


 Estelas romanas.
Marca templária.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Constantim: visita ao Carocho e à Velha

No âmbito de mais uma apresentação do livro "Rituais com Máscara", dedicado ao concelho de Miranda do Douro (com textos, nesta parte, a cargo de Mário Correia), calhou-me hoje ir até à localidade de Constantim. Só lá tinha ido uma vez, a pretexto de levantar a gaita-de-foles da minha filha, obra do artesão Célio Pires (que hoje acompanhou todo o percurso, interpretando ricos e variados temas - alguns dos quais de sua autoria). O ritual é muito simples e com características idênticas à de outros, de ambos os lados da fronteira (como é natural). Tem alguns pormenores próprios, nomeadamente o acompanhamento  que os gaiteiros e pauliteiros fazem ao Carocho e à Velha durante a visita às casas. Nos lares onde faleceu alguém recentemente reza-se uma oração e não se dançam os paus.
Tive ainda oportunidade de conhecer pessoalmente a Dra. Paula Godinho, ilustre e reputada investigadora académica, com quem já tinha trocado correspondência. A jornada terminou com danças no adro da igreja (refira-se o pormenor de a Velha ter acesso ao interior do templo, que é coisa rara, pois, por norma, o espaço sacralizado cristão está interdito aos mascarados) e com a apresentação da obra em questão, que teve lugar na pequena, mas interessante sala museu dedicada à festividade. Esta espécie de Centro Interpretativo da Máscara configura um modelo que venho defendendo para as aldeias com rituais activos do concelho de Mogadouro. Não é muito dispendioso e proporciona aos visitantes informação detalhada. Pena que por aqui se vão fazendo ouvidos de mercador...







segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Figueira

Convidado pelo amigo Carlos Garnacho, a pretexto de festa de "mata-porco", fui até à pequena e vetusta aldeia de Figueira, anexa de Mogadouro, de que dista escassa meia-dúzia de quilómetros. O passeio matinal permitiu-me descortinar pormenores arquitectónicos deliciosos. Infelizmente, tal como nas restantes localidades, grande parte da malha urbana está desabitada. Em 1758 tinha cento e quinze "pessoas de sacramento".

 Arruamento típico.
 Estranhos equilíbrios (está assim há mais de 30 anos!).


 Casa com pormenor arquitectónico judaico no lado direito (não me deram a certeza se seria original dali ou se teria sido enxertado posteriormente, tal como a do lado esquerdo foi).
 Bonita fonte de mergulho.
"Pedra da Bandeira". Era aqui que se erguia e segurava a bandeira sempre que alguém da povoação obtinha formação académica superior.

Da aldeia avista-se a vizinha Serra de Figueira, onde outrora existiu um castro e onde ainda se podem observar resquícios de antigas explorações mineiras romanas. "E só sim na fraga que fica por cima da freguesia de que já se fez menção se descobrem huns vestígios de muralhas e fortalezas que hé tradição serem do tempo dos sarracenos, mas estas ao presente se acham de tudo quasi arruinadas." - Memória paroquial de 1758 (o pároco confundiu "mouros" com "sarracenos").