quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Associações em Mogadouro - 1982

O movimento associativo no concelho de Mogadouro foi conhecendo altos e baixos ao longo da sua história recente. Graças à mão amiga do Victor Valdemar Lopes foi-me possível recuperar aqui alguma dessa história, nomeadamente no que diz respeito ao ano de 1982. Algumas das fotos que aqui se reproduzem, bem como muitas outras da época, devem andar por aí algures, no espólio particular dos mogadourenses que na altura estavam envolvidos nesta fantástica dinâmica. Seria interessante divulgá-las, neste ou noutros espaços. É um pedaço significativo da nossa memória colectiva recente que se encontra por aí disperso e que poderá ser recolhido num futuro próximo, se houver boa vontade. Oxalá que sim...



Clicar nas imagens para ampliar.

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

As terras de entre Sabor e Douro - parte II

"As terras de entre Sabor e Douro". Há quem quem prefira outras designações, popularizadas ao longo dos tempos. Eu gosto mais desta. Copiada do feliz título da obra de José Manuel Martins Pereira, ilustre investigador, natural de Vila dos Sinos, que nos deixou importante legado, a merecer mais atenção por parte das autarquias no sentido de ver a sua preciosa obra reeditada, pois é raríssima e muito útil aos investigadores actuais (pode considerar-se no mesmo patamar de importância das "Memórias..." do Abade de Baçal).
Por solicitação da amiga Olímpia Garnacho (presidente da Associação Mogadouro no Coração, com sede em Groslay, na França) e marido, elaborei um roteiro à pressa, dando-lhes a conhecer algumas das jóias patrimoniais e paisagísticas do nosso concelho.
Começámos pelo castelo de Penas Róias...
Onde também visitámos a lindíssima "fonte da vila". Dali, seguimos em direcção ao Variz...

E pudemos constatar, mais uma vez, a criminosa negligência da REFER. Que linda pousada aqui se fazia! Rumámos depois até ao "Castelo dos Mouros", em Vilarinho dos Galegos, e voltámos por Vila dos Sinos...
 Onde observámos curiosas covinhas...
 e a interessante cachorrada do templo multissecular...
em cujo interior fomos surpreendidos por algumas pedras tumulares, de que se destaca esta representação de um guerreiro medieval em alto-relevo.
E, como não podia deixar de ser, o famoso berrão em granito.
Finalizámos a visita em Algosinho, com um salto à necrópole de Santo André e à incontornável igreja medieval.
Fotos: Antero Neto.
Foi uma visita relâmpago, numa rota improvisada da noite para o dia. Para o ano há mais. Assim haja saúde. Um abraço aos amigos Olímpia e Manuel.

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Feira do Azinhoso 2014

Vale a pena visitar. Para os amantes de animais, teatro, gastronomia e artesanato.

domingo, 24 de Agosto de 2014

As terras de entre Sabor e Douro





Fotos: Antero Neto.
Aproveitando uma visita à Quinta de Talhas, que os Casimiros têm à venda, atravessámos o rio Sabor em Sampaio. A travessia pode-se fazer por veículo TT, pois o caudal está bastante fraco. Julgo que a barragem não irá afectar este troço do rio, uma vez que a albufeira deve terminar um pouco mais abaixo deste local.
À tarde, aproveitámos para dar um salto a Bruçó, onde pudemos desfrutar da maravilhosa paisagem do Douro internacional. Terras magníficas entre Douro e Sabor cuja visita se aconselha...

domingo, 17 de Agosto de 2014

Ainda a Obisparra

Ainda a propósito da festa da "Obisparra", Francisco Pascual ("Mascaradas...") fala-nos deste evento, mas na vizinha localidade de Torre de Aliste. As personagens são as mesmas. O investigador espanhol confirma aquilo que eu suspeitei: "los personajes que intervienen en la Obisparra siempre son hombres (mozos)". Fala dos Diabluchos que percorrem as ruas da aldeia, fazendo soar os chocalhos, acordando as pessoas e batendo às portas. Numa outra nota, menciona que estes Diabluchos tisnam as moças da aldeia com uma cortiça queimada. O peditório é feito por toda a povoação e são recolhidos géneros alimentares (chouriças, salpicões, orelhas de porco, feijões, etc) com os quais é organizada uma ceia para todos os rapazes que participaram na festa. E se algum forasteiro entra na localidade, é o mesmo convidado a pagar uma taxa em dinheiro, que reverte igualmente a favor da festividade.
Como se pode ver, os pontos comuns com as nossas festas são muitos e variados...

Fotos: Antero Neto.

sábado, 16 de Agosto de 2014

A "Obisparra" de Pobladura de Aliste

Durante os estudos que tenho feito para melhor compreender os rituais de solstício de Inverno do concelho de Mogadouro, deparei-me com a "Obisparra" de Pobladura de Aliste, província de Zamora, Espanha. O que me chamou imediatamente a atenção e motivou a curiosidade foi uma dupla constituída por um soldado e uma companheira, que aqui toma o nome de "Filandorra". Nada mais, nada menos que o equivalente ao soldado e Sécia de Bruçó. Mas, as coincidências não se ficam por aqui. Outros dos protagonistas da Obisparra são um par de rapazes vestidos de bois, que puxam um arado. O conjunto completa-se com o lavrador, que segura o arado, o condutor dos bois e os semeadores que os precedem no cortejo e que vão espalhando palha à sua frente. Ora, nas minhas andanças e pesquisas por Vilarinho dos Galegos descobri que figuras exactamente iguais a estas saíam por altura do Carnaval.
Perante isto, tornava-se obrigatório ir observar a festividade in loco. Esclareça-se que a Obisparra se realizava tradicionalmente no dia 25 ou 26 de Dezembro. Contudo, devido à desertificação da aldeia e para atrair mais gente, os responsáveis decidiram transferi-la para o dia 15 de Agosto.

 O soldado e a Filandorra (esta personagem é interpretada por um elemento do sexo feminino, naquilo que me parece uma clara adulteração das figuras iniciais).
 Os bois a investirem contra o público. É uma constante ao longo do cortejo (principalmente se avistarem donzelas bonitas).
 A tradicional animação musical.
 Danças típicas da região.

 O soldado vai fustigando a Filandorra. Ao contrário de Bruçó, aqui é a mulher que apanha pancada e não os "amantes".
 Simulação da actividade de semear os campos de cereais, que depois são lavrados pelos bois.


 Em certos pontos do percurso são recriadas actividades ligadas à fiação da lã e do linho.
 Tal como nos rituais daqui, em Pobladura também há um peditório. Contudo, só é feito em casas previamente marcadas, onde actores estão preparados para receber os pedintes. Assiste-se a um pequeno "sketch" humorístico que diverte a população.
 Os bens doados são nacos de pão, toucinho rançoso, pé de porco igualmente rançoso, vinho e uma chouriça.



Fotos: Antero Neto.

Trata-se de um ritual claramente associado à fertilidade, num contexto agrícola. As suas características originárias sofreram claras alterações motivadas pelo decurso dos tempos. É uma festa bastante rica e movimentada, muito bem organizada, que vale a pena visitar. Pobladura de Aliste situa-se à distância de cerca de uma hora de carro (indo por Vimioso) a partir de Mogadouro.

quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Ruas de Mogadouro: "Rua de Santa Marinha"

Prosseguindo a inspiração no blogue de Teodósio Dias, hoje falo-vos da Rua de Santa Marinha.

Foto: Antero Neto.

Situada na parte antiga da vila, esta vetusta artéria liga o Largo Trindade Coelho ao Largo Conde Ferreira. Encontra-se intimamente ligada às primeiras memórias que tenho de Mogadouro. Quando aqui me fixei (com 5 anos de idade), juntamente com a minha família, morava aqui perto. Mais precisamente, nas traseiras da escola primária do Largo Conde Ferreira, onde me estreei nos estudos. Por isso, lembro-me de percorrer esta rua, que fervilhava de gente (muita dela acabada de regressar de África). Recordo-me dos "sótos" do ti Guilherme e do ti Zé Carvalho. Das tascas; da livraria do ti Amílcar. Tantas e doces memórias de infância...
Quem percorre esta via, se for observando com atenção, depara-se com alguns pormenores arquitectónicos deliciosos, como por exemplo uma casa com a fachada coberta por azulejos verdes, onde se encontram dois pequenos e curiosos painéis que nos fornecem pistas sobre o nome do primitivo proprietário. Ou outra fachada coberta com azulejos amarelos. E outras que valem a pena uma passeata mais demorada...
Mas, quem foi a santa que deu nome à rua? Já aqui falei anteriormente sobre ela. Foi Santa Marina, que por cá nasceu e viveu no séc. XV, tendo ido para terras de Salamanca, em Espanha, onde acabou por se fixar e falecer, sendo ali muito venerada.
O Abade de Baçal, no Tomo VII das suas "Memórias..." coloca em causa a data de 1450 indicada num dos documentos que aqui parcialmente reproduzo. Fica a dúvida. O convento situa-se em frente a Lagoaça, em território da província de Salamanca.


Clicar nas imagens para ampliar.
  

quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Novas travessias sobre o Sabor


Fotos: Antero Neto.

Estão quase...

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Clube Académico de Mogadouro volta a apostar no atletismo

O Clube Académico de Mogadouro anunciou recentemente que irá voltar a apostar no atletismo. Para o efeito, efectuou duas contratações de peso: os campeoníssimos Rui Muga e Pedro Rodrigues. Os atletas são ambos naturais do concelho de Mogadouro, mas competiam por outros clubes. Assim, junta-se o útil ao agradável: campeões a correr pelo emblema da terra. Parabéns a todos os envolvidos.
Fonte da notícia e foto: rádio Onda Livre.

terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Azinhoso: os "Pelames"

"A deslocação à aldeia de Azinhoso permitiu igualmente observar alguns edifícios que julgo possuírem marcas arquitectónicas ligadas à populosa comunidade judaica que aqui viveu ao longo dos séculos. Embora o traçado urbano da localidade já se encontre consideravelmente adulterado por reconstruções do séc. XIX, ainda me foi possível identificar marcas distintivas da vivência judaica.

Tal como no caso de Vilarinho dos Galegos, também no Azinhoso existe um topónimo “Pelames”, numa zona situada junto à ribeira e que identifica igualmente o local onde eram curtidas e tratadas as peles pela comunidade local de cristãos-novos." (NETO, Antero, in "Marcas Arquitectónicas Judaicas e Vítimas da Inquisição no Concelho de Mogadouro. D. Luis Carvajal y de La Cueva", Lema d'Origem, 2013).

Fotos: Antero Neto.

sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

Toleradas

"O moralmente rígido Catão, "o Velho", ao encarar com um jovem da nobreza romana a abandonar as instalações de um lupanar, disse-lhe: “Bravo! É aqui que os jovens devem satisfazer os seus ardores, em vez de se atirarem às mulheres casadas!”.
Uma inscrição encontrada em Isérnia, apresenta assim, de forma satírica, uma conta de estalagem: “Estalajadeira, vamos a contas!
– Bebeste um sexteiro de vinho: um ás.
- Comeste guisado: dois ases.
- Está certo.
- Pela rapariga: oito ases.
- Está correcto.
- Feno para o macho: dois ases.
- Este macho vai ser a minha ruína!” (NETO, Antero, in "Toleradas em Mogadouro - o suicídio de Maria Carçôna", ed. do autor, 2010)

quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Vítimas da Inquisição no concelho de Mogadouro

O quadro que se segue tem por base de estudo os processos da Inquisição disponíveis no site da Torre do Tombo e inclui a aldeia de Lagoaça porque, tal como refiro no livro de onde foi retirado, na data destes factos a localidade em questão era parte integrante do concelho de Mogadouro.

Clicar no quadro para ampliar.

Os famosos “Tratos de Polé”

O “incentivo” à confissão de culpas, nos casos em que não houvesse provas contra o acusado ou em que a confissão deste fosse considerada insuficiente, passava pelos muito famosos “tratos de polé”. Esta forma de tortura consistia em pendurar o preso, vigorosamente atado por cordas. A um sinal do inquisidor, o carrasco largava a corda, deixando-o cair com velocidade em direcção ao chão. Quando estava quase a bater, a corda era subitamente sustada, causando um violento choque que provocava o enterrar das cordas na carne. Outra variante deste tormento, aplicada aos presos com saúde débil, residia em deitar o réu numa espécie de mesa - o potro - igualmente amarrado com cordas, que uma roldana manipulada pelo carrasco esticava e fazia enterrar na carne dos réus.” (NETO, Antero, in “Marcas Arquitectónicas Judaicas e Vítimas da Inquisição no Concelho de Mogadouro. D. Luis Carvajal y de La Cueva”, Lema d’Origem, 2013)

quarta-feira, 30 de Julho de 2014

O ancestral fabrico da telha - utensílios


Fotos: Antero Neto (forno da telha de Bruçó).

Utensílios usados no fabrico da telha
1 - Grade - rectângulo de ferro, mais estreito numa das extremidades, onde se deitava o barro.
2 - Galapo - molde feito de choupo ou castanho, em forma de telha, e provido de um pequeno cabo, onde se coloca o barro que sai da forma.
3 - Raseiro - pau redondo, com cerca de 0,30 m de comprimento e 0,05 m de diâmetro, para alisar a telha sobre a grade.
4 - Masseiro - recipiente feito de madeira ou cavado num cepo. Contém água para o talhador molhar as mãos.
5 - Talheiro - tábua larga ou mesa. Assentava nele a grade, e servia para suporte do barro enquadrado na grade.
6 - Espadagão - pau comprido, de secção triangular, com que se açoitava o barro para o amaciar, depois de pisado pelos animais.
7 - Rodo - espécie de engaço para puxar as brasas.
8 - Ranhadouro - vareiro de carvalho ou freixo, com cerca de 5 metros, para levantar a lenha.
9 - Latão - badil (o mesmo que pá de ferro) grande, feito de folha de ferro, para deitar as brasas sobre o forno. 
Fonte: P.e Belarmino Augusto Afonso - “A Cerâmica Artesanal no Distrito de Bragança – sua diversidade e extinção gradual”. (NETO, Antero, in "O Farandulo de Tó e outros apontamentos monográficos", Lema d'Origem, 2013)