quarta-feira, 30 de Julho de 2014

O ancestral fabrico da telha - utensílios


Fotos: Antero Neto (forno da telha de Bruçó).

Utensílios usados no fabrico da telha
1 - Grade - rectângulo de ferro, mais estreito numa das extremidades, onde se deitava o barro.
2 - Galapo - molde feito de choupo ou castanho, em forma de telha, e provido de um pequeno cabo, onde se coloca o barro que sai da forma.
3 - Raseiro - pau redondo, com cerca de 0,30 m de comprimento e 0,05 m de diâmetro, para alisar a telha sobre a grade.
4 - Masseiro - recipiente feito de madeira ou cavado num cepo. Contém água para o talhador molhar as mãos.
5 - Talheiro - tábua larga ou mesa. Assentava nele a grade, e servia para suporte do barro enquadrado na grade.
6 - Espadagão - pau comprido, de secção triangular, com que se açoitava o barro para o amaciar, depois de pisado pelos animais.
7 - Rodo - espécie de engaço para puxar as brasas.
8 - Ranhadouro - vareiro de carvalho ou freixo, com cerca de 5 metros, para levantar a lenha.
9 - Latão - badil (o mesmo que pá de ferro) grande, feito de folha de ferro, para deitar as brasas sobre o forno. 
Fonte: P.e Belarmino Augusto Afonso - “A Cerâmica Artesanal no Distrito de Bragança – sua diversidade e extinção gradual”. (NETO, Antero, in "O Farandulo de Tó e outros apontamentos monográficos", Lema d'Origem, 2013)

terça-feira, 29 de Julho de 2014

O cultivo do sumagre em terras de Mogadouro

“He abundante de trigo, centeyo, vinho, algum azeite, muito sumagre, castanha, linho pouco, e boas hortaliças.”

Descrição corográfica da aldeia de Bruçó (1747)
Sumagre, nas arribas de Vilarinho dos Galegos (foto: Antero Neto).

No entanto, [o sumagre] chegou a ser uma das principais fontes de riqueza das zonas ribeirinhas transmontanas, nomeadamente nos séc.s XVI e XVII. A esse facto não é alheia a forte comunidade judaica transmontana com ligação à curtição e comercialização de peles (com reminiscências recentes nas localidades de Carção e Argozelo, no concelho de Vimioso, onde ficaram famosos os peliqueiros).
O uso do sumagre era precedido de um processo de preparação que envolvia a secagem das folhas e subsequente redução a pó em moinhos próprios, muito semelhantes aos do azeite, e que se denominavam atafonas.
Foi na transição do séc. XVII para o séc. XVIII que se deu o auge desta cultura em toda a região de Riba-Douro, chegando a assumir um certo protagonismo nas exportações portuguesas para o norte da Europa, que era grande produtor de peles, mas que não produzia sumagre, que apenas se dá em zonas com clima mediterrânico.” (NETO, Antero, in, BRUÇÓ - As Memórias Paroquiais de 1747 e 1758 - Notas Históricas e Etnográficas)

segunda-feira, 28 de Julho de 2014

A música de Mogadouro a gostar dela própria

Sementes da Terra - " Ó Helena " from MPAGDP on Vimeo.

Mais um belo fragmento da "música portuguesa a gostar dela própria", um grande e notável projecto do Tiago Pereira, a merecer mais atenção dessa malta que tem o dom semi-divino de distribuir subvenções. Deixo aqui um abraço ao Tiago, cujo trabalho merece todo o carinho do mundo, pois tem sabido recolher o que de mais genuíno se cria nas terras portuguesas distantes da toda poderosa capital. Ao mesmo tempo que nos leva estes pedacinhos das nossas soturnas almas, o Tiago vai retribuindo com injecções cirúrgicas da sua contagiante alegria. Um grande bem hajas!
Deixo igualmente uma palavra de apreço para o esforço que também por aqui vai sendo feito pelo Victor Valdemar Lopes para a recuperação e valorização do cancioneiro popular mogadourense. Sim, porque ele existe, por muito que alguns o queiram ofuscar...
Foto: Antero Neto.

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Red Burros Fly-in

Aí está a 5.ª edição deste magnífico festival aéreo que se realiza no aeródromo de Mogadouro (Azinhoso). É já no próximo sábado. Para os amantes das asas e da fotografia.

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Igreja e castro de Vilarinho dos Galegos

Durante a semana passada, desloquei-me por diversas vezes a Vilarinho dos Galegos. Numa delas, fui ver a igreja local, depois de ter sido alertado pelo Dr. António Dinis para uma curiosa pedra existente no chão da mesma.
Interessante e empolgante descoberta. Terá vindo de um dólmen? Ou terá sido talhada num painel fixo? Qual será a sua origem? Enigmas de resposta praticamente impossível.
O Dr. Dinis teve ainda a amabilidade de me fazer uma visita guiada às obras de recuperação do castro de Vilarinho ("Castelo dos Mouros"). Foi muito interessante observar no local as evidências da ocupação cronológica do sítio. Ocupação essa que, segundo o coordenador do projecto se terá estendido por diversas fases: Bronze, Ferro, presença romana e terá sido utilizado, provavelmente como ponto estratégico de defesa de fronteira, durante o processo de restauração da independência. As escavações assim o indicam. Mas, o melhor será esperar pela publicação em livro das conclusões para compreender o verdadeiro significado daquilo que está em causa.

Fotos: Antero Neto (clicar nas imagens para ampliar).
Esperemos agora que haja vontade política da parte do Município de Mogadouro para levar a cabo o que falta do projecto inicialmente gizado pelo Professor Dinis, para que este local se transforme numa efectiva mais valia para o concelho. Acredito que sim, pois, caso contrário, seria praticamente em vão todo o esforço desenvolvido até agora.

domingo, 20 de Julho de 2014

Festival da Terra Transmontana - dia 3. Balanço

Foto: Antero Neto.

Chegado ao fim, é tempo de fazer um balanço final do Festival da Terra Transmontana. Numa apreciação global, o resultado é claramente positivo. É para repetir, e repetir, e repetir...
Há algumas arestas a limar. É natural. Foi o primeiro. E é com a experiência que se aprende. Nem La Palisse diria melhor. Da minha parte, tenho apenas duas observações a fazer (que já transmiti pessoalmente a alguns dos responsáveis autárquicos):
1- Esqueçam as "medievalices" (estas coisas fazem-me sempre lembrar aquela velha história: "foge cão, que te fazem barão. Para onde, se me fazem visconde?"). De "Feiras Medievais" anda o povo cheio. É em Santa Maria da Feira, Óbidos, Caminha, Torre de Moncorvo, etc, etc... Substituam essa parte por actividades de recriação de tradições genuínas de Trás-os-Montes. E há tanto por onde escolher. Nada que não se possa ultrapassar.
2- Ao riquíssimo cartaz musical, acrescentem um convite a um dos mais prestigiados músicos portugueses da cena artística internacional. É filho da terra e... ama a sua terra! Falo do Christian Toucas. Tenho a certeza de que não será capaz de dizer não.
De resto, parabéns à organização por esta magnífica manifestação cultural TRANSMONTANA. Parabéns a Mogadouro, a toda a equipa autárquica e à ACEITTA.

Festival da Terra Transmontana - dia 2

Cumpriu-se ontem o segundo dia do Festival da Terra Transmontana. A chuva ainda ameaçou o evento, mas, ao final da tarde, o S. Pedro concedeu tréguas à organização e permitiu que os principais momentos decorressem sem mácula.
Houve um desfile com a habitual parafernália ligada ao folclore medievalista, sempre acompanhada pelos sons das gaitas e bombos. À noite, o espectáculo musical encheu novamente o recinto do castelo de cor, alegria, beleza, sensualidade e juventude. Numa só palavra: fabuloso!





Fotos: Antero Neto (clicar nas imagens para ampliar).

sábado, 19 de Julho de 2014

Festival da Terra Transmontana - dia 1. Mogadouro a gostar dele próprio...

Começou ontem a primeira edição do "Festival da Terra Transmontana" que anima por estes três dias a vila de Mogadouro. Fazendo minhas as palavras do Tiago Pereira, eis "Mogadouro a gostar dele próprio". A demonstrar pujança e dinâmica numa área onde estava a ficar claramente para trás. Grande festa, plena de cor, alegria e juventude. A escolha do cartaz musical está a revelar-se muito feliz. Se os que ainda não actuaram estiverem no mesmo patamar dos de ontem, então será perfeito. Para os visitantes que pretendam dar cá um saltinho, este Festival oferece ainda outro tipo de escolhas, nomeadamente em matéria de gastronomia, folclore e artesanato. Aqui ficam alguns instantâneos do primeiro dia:







Fotos: Antero Neto (clicar nas imagens para ampliar).

Entretanto, e à margem do Festival, parece que alguém anda com grande empenho a passar a ideia de que eu sou o inimigo público número um da chamada "cultura mirandesa". Permito-me citar, a propósito, o grande "filósofo" minhoto, Manuel Machado: "um cretino é um cretino; um vintém é um vintém"! Conquanto não digam que eu sou anti-mogadourense, ou anti-transmontano, esse é o lado para o qual eu durmo melhor...

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Jornada cultural em Vilarinho dos Galegos

Ontem foi dia de festa em Vilarinho dos Galegos. Convívio em torno de mais uma fase de escavações arqueológicas no castro local (Castelo dos Mouros). A seguir a um animado convívio, abrilhantado pelo grupo "Vari-Bombos" (uma equipa que veio enriquecer sobremaneira o panorama da música tradicional no concelho. Um misto de juventude e experiência que vale a pena ver), teve lugar uma exposição sobre os trabalhos arqueológicos que têm vindo a ser desenvolvidos no povoado fortificado de Vilarinho desde 2011, sob a orientação do Professor António Pereira Dinis, investigador da Universidade do Minho que coordena a escavação. Deixo aqui uma palavra de apreço pelo trabalho desta equipa, mas também pela forma como o Professor Dinis expôs à população local toda a dinâmica e orgânica em torno desta jornada, utilizando um tipo de linguagem que descodificou o "arqueologês" para que qualquer pessoa possa perceber na plenitude aquilo que está em causa. Fico a aguardar com natural expectativa as segundas jornadas de arqueologia que terão lugar em Setembro próximo e que serão integralmente dedicadas a esta estação arqueológica, bem como a publicação em livro dos resultados. Município, União de Freguesias e Universidade do Minho estão de parabéns por este magnífico trabalho. Um grande bem haja ao Manuel Garcia e à D. Gina pelo convite e pela lembrança para estar presente neste dia.


 Pormenores da actuação dos "Vari-Bombos".


Pormenores da apresentação e equipa autárquica presente no evento.
Fotos: Antero Neto.

terça-feira, 1 de Julho de 2014

Festival Terra Transmontana - Mogadouro







Porque é tempo de sermos aplaudidos, em vez de aplaudirmos...
Porque é tempo de sermos invejados, em vez de invejarmos....
Porque é tempo de afirmação...
Afirmação de valores, de Cultura, de História...
Sem complexos de inferioridade...
Porque somos bons....
Porque é tempo de agir....
Por tudo isto e muito mais, saúda-se vivamente a génese deste festival mogadourense!

terça-feira, 24 de Junho de 2014

Festival Sete Sóis Sete Luas - Alfândega da Fé


Concertos, uma conferência dedicada à temática dos judeus e degustação de produtos do mediterrâneo marcam o regresso do Festival Sete Sóis Sete Luas a Alfândega da Fé . 

Festival Sete Sóis Sete Luas em Alfândega da Fé: iniciativas 
acontecem  a 27 de Junho e 26 de Julho
As iniciativas acontecem a 27 de Junho e 26 de Julho e continuam a afirmar-se como um meio privilegiado de intercâmbio e divulgação da cultura, dos artistas e características dos países participantes. A ideia passa por continuar a manter o foco na promoção do diálogo intercultural, potenciando o conhecimento e o contacto entre localidades e países que promovem o festival. Trata-se de um evento internacional que convida à reflexão, à troca de experiências e à cooperação entre diferentes culturas. 

Vai ser assim também na edição deste ano em Alfândega da Fé. O arranque do Sete Sóis, no concelho, faz-se com a realização do Seminário “Os Judeus em Trás-os-Montes”, a 27 de Junho, às 14. 00 h, na Biblioteca Municipal. O tema já foi abordado na edição anterior, com a tónica a centrar-se nos Contributos para a Criação de uma Rota dos Judeus em Trás-os-Montes. Este ano, a análise vai abordar as marcas e contributos deixados pelos judeus na região e conta com uma conferência proferida por Sami SadaK. 

O professor da Universidade Aix-en-Provence e Codiretor do BabelMed de Marselha vai abordar o tema “ Judeus Espanhóis e Marranos em Portugal.”. 

O Seminário conta também com a participação Antero Neto, que vai apresentar o livro"Marcas Arquitectónicas Judaicas e Vítimas da Inquisição no Concelho de Mogadouro" e António Júlio Andrade que falará sobre"Jacob (Francisco) Rodrigues Pereira - Cidadão do Mundo, Serfadita e Transmontano".O Seminário termina com uma degustação de produtos mediterrânicos. 

Nesse mesmo dia, mas à noite e em estreia nacional, os Mazagão.7Luas.Orkestra sobem ao palco instalado no Largo de S. Sebastião. Trata-se de uma nova criação artística original do Festival Sete Sóis Sete Luas, nascida do trabalho conjunto de seis prestigiados músicos: José Barros (diretor musical, guitarra, bandolim e cavaquinho) e João Frade (acordeão) de Portugal, Soukaina Fahsi (voz) de El Jadida, Marrocos, Gustavo Roriz (baixo) do Brasil, Rosa Borges (voz) de Cabo Verde e David León (percussões) de Ceuta, Espanha, encontram-se partilhando as suas próprias tradições culturais e temas musicais e criando novas peças que demonstram a possibilidade de compreensão e cooperação entre diferentes culturas. A história desta orquestra é a história da cidade de El Jadida/antiga Mazagão e simboliza a viagem dos seus habitantes que cruzaram três continentes: África, Europa e América do Sul. 


O Festival regressa a 26 de julho com a atuação AKIM EL SIKAMEYA da Argélia
 Recorde-se que o Festival Sete Sóis Sete Luas acontece em Alfândega da Fé desde 2010, altura em que o município aderiu à rede Cultural Sete Sóis Sete Luas. Este ano o festival decorre em 33 cidades da Europa, África e América do Sul. Em Portugal 7 localidades acolhem as iniciativas do Sete Sóis. Alfândega da Fé é o único concelho do norte do país onde se realiza este Festival internacional.
Fonte: Notícias do Nordeste ver aqui 

sexta-feira, 20 de Junho de 2014

Santa Ana 2014

Aí está mais um cartaz das festas de Santa Ana...
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Capela de Santa Ana (acerca deste templo existe uma lenda engraçada que pode ser consultada aqui).

quarta-feira, 18 de Junho de 2014

Judeus em Trás-os-Montes - Seminário em Alfândega da Fé

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A convite do Município de Alfândega da Fé, que muito me sensibiliza, irei estar presente neste segundo Seminário dedicado à temática judaica, onde falarei sobre as Marcas Arquitectónicas Judaicas, entre outros assuntos relacionados.

segunda-feira, 16 de Junho de 2014

Festival terra transmontana

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Promete...

quinta-feira, 12 de Junho de 2014

quarta-feira, 11 de Junho de 2014

Quinta de Nogueira - mais um pouco da sua história

Já aqui fui expondo alguns farrapos de memória respeitantes à magnífica "Quinta de Nogueira", vetusta e rica propriedade situada nos arrabaldes da vila de Mogadouro, que pertenceu à poderosa família dos Távoras, e que agora pertence aos herdeiros da casa "Casimiros". Esta ecléctica quinta, com a área total de 320 hectares, encontra-se presentemente à venda. Aqui ficam mais uns parcos subsídios para a sua história.
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 É ponto assente que foi domínio dos Távoras. Na sequência da chacina daquela estirpe, passou para as mãos da Coroa. Num período inicial, foi directamente explorada pelo Estado e, posteriormente, foi arrendada a particulares. Como podemos ver no documento anterior (da autoria de Feliciano Ramos, que investigou a obra de Trindade Coelho), em 1896 já estava nas mãos da família Dagge. Contudo, não sei como, nem quando lá foi parar.
Bonita ave por mim observada em terrenos da quinta.
A famosa porta (foto: Luís Martins).

Por cortesia do dr. Ilídio Martins, que aqui agradeço, tenho em minha posse cópia de alguns documentos de venda desta propriedade, feita pela sra. D. Sarah Tereza Dagge em favor do sr. Casimiro Martins (o negócio envolveu outros bens imóveis e outro comprador - o dr. António Maria Pereira). A transacção tem alguns pormenores assaz curiosos, nomeadamente a obrigação de os compradores darem, anual e solidariamente, a Ilda, Ailin e Esther Dagge (irmãs da primeira) um porco "com não menos de oito arrobas de peso" (entre outras).

segunda-feira, 9 de Junho de 2014

quarta-feira, 4 de Junho de 2014

domingo, 1 de Junho de 2014

Doces "económicos"

Com o aproximar da festa principal de Bruçó, ultimam-se os preparativos gastronómicos. É tempo de aquecer o forno e cozer os tradicionais doces "económicos". Na minha infância, isto era uma verdadeira iguaria. Hoje, já não lhes ligo tanto. Ainda me sabem bem acabadinhos de sair do forno. Quentinhos. A estalar. Mas, depois vão ficando por ali. O que vale é que os garotos os apreciam bastante. De seu nome "económicos", a verdade é que o não são nada, pois os ingredientes são ricos e dispendiosos. Boa festa e bom apetite.
Aqui ficam as imagens captadas no forno lá de casa, onde se cumpriu o ritual.






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