terça-feira, 31 de março de 2015

Tertúlia Cultural na Estrutura Residencial Para Pessoas Idosas - SCMM

Teve lugar na sexta-feira passada uma tertúlia cultural em torno da minha obra e da obra do escritor António Sá Gué (oriundo de Carviçais), na Estrutura Residencial Para Pessoas Idosas São João Baptista, da Santa Casa da Misericórdia de Mogadouro.
Foi uma tarde agradável em que se falou de literatura e de cultura em geral, tendo como público preferencial os utentes daquela estrutura. Estiveram ainda presentes algumas alunas do Agrupamento de Escolas de Mogadouro, que integram um grupo de leitura coordenado pela professora Carla Ferreira.
Parabéns aos responsáveis da Santa Casa da Misericórdia de Mogadouro pela iniciativa e muito obrigado ao Dr. Fernando Zava pelo convite. Mogadouro valoriza-se com iniciativas deste género.


Fotos: SCMM.

domingo, 29 de março de 2015

III Encontro Astur-Luso: as máscaras de Mogadouro nas Astúrias

Decorreu este fim-de-semana mais um encontro Astur-Luso na localidade de Pola de Siero, nas Astúrias. Como já havia sucedido no passado, o concelho de Mogadouro fez-se representar pelos seus grupos de mascarados (com excepção de Valverde, pois não havia ninguém disponível para a deslocação). Houve dois desfiles: um no sábado, pelas ruas de Pola de Siero; e outro no domingo, pelas ruas de Valdesoto. Este certame permitiu o convívio entre diversos grupos de máscaras dos dois lados da fronteira. Foi interessante, pois permitiu-me observar figuras bastante idênticas às nossas, nomeadamente duas "Velhas" (uma da localidade de Cabreira e outra de uma outra localidade das Astúrias, cujo nome não percebi) que são em tudo iguais à de Valverde.
Fica aqui um abraço e o agradecimento ao alcaide de Bruçó, João Possacos, pelo convite que me permitiu acompanhá-los nesta mostra.














segunda-feira, 23 de março de 2015

Utilização de fotos do blogue

Já muita gente me pediu autorização para reproduzir fotos minhas. Autorização que nunca foi negada. Fica bem e não dói nada. E eu até gosto que se sirvam delas. Por isso, confesso que não me agrada muito ver as minhas fotos utilizadas sem o meu consentimento. Os direitos de autor até têm protecção legal...
E ainda menos me agrada ver fotos minhas com a indicação de que são de "ho mogadoyro". Quem tira as fotografias é o Antero Neto. "Ho mogadoyro" apenas serve para as divulgar. Enfim...

terça-feira, 17 de março de 2015

Pequenas histórias da História

Um destes dias, em amena cavaqueira, o meu amigo Dário Pombo, de Castelo Branco, contou-me um pequeno episódio que o envolveu a ele e à gente da minha terra, Bruçó.
Corria o ano de 1977 e ele tinha regressado de um período de emigração em terras teutónicas. Como é apreciador de um bom faduncho, resolveu fazer uma visita ao amigo Virgílio Pinto que nesse tempo residia em Bruçó, após retorno de África.
Como não tinha viatura, pediu ajuda ao seu cunhado, Heitor Osório Pereira, conhecido empresário da vila de Mogadouro. O falecido Heitor aproveitou a oportunidade para levar material de propaganda do MDP/CDE a dois irmãos de Bruçó, que o amigo Dário não me soube identificar. O pior foi que, quando ali chegaram, não só o Virgílio estava adoentado, como rapidamente se espalhou a notícia de que os comunistas andavam pela aldeia. E aí é que foram elas!
O sino tocou a rebate e quando ti Dário saiu do pequeno café ao pé da igreja, já tinha à sua espera uma pequena multidão composta por mulheres e rapazolas, devidamente armada com espalhadouras, calagouças e afins. Bem tentou explicar à populaça enfurecida que não tinha nada a ver com aquela marmelada. Que só vinha ali cantar uns fados. Mas, o povo não arredava pé! O cunhado, no interior do café, ainda sacou da arma com que se fazia acompanhar naqueles tempos turbulentos. Mas, ti Dário disse-lhe que era melhor guardá-la.
Lembrou-se então de ir pedir ajuda a outro amigo, o ti Elisário Valente (também já falecido), que morava mesmo em frente. E foi este, que já estava na cama, que se levantou e conseguiu acalmar a ira popular e lhes deu escolta até à saída da aldeia.
- "Que aflitinho me vi, doutor!"
Imagino...

domingo, 15 de março de 2015

"Serrar a Velha" em Remondes

"Esta velha tem malícia,
Esta velha vai morrer,
Venha ver serrar a velha,
Muita gente venha ver!"

"Serrem a velha,
Deixem a nova!
Serrem a velha
Até à cova!"
(versos retirados do panfleto distribuído em Remondes).

Em 2014, por iniciativa da União de Freguesias de Remondes e Soutelo, presidida pelo dinâmico António Cordeiro, foi retomada uma tradição que se tinha perdido há cerca de trinta anos atrás. Numa organização conjunta com a Associação de Desenvolvimento Social e Cultural de Remondes, este ano manteve-se a festividade a que pude assistir pela primeira vez. O cortejo, cujos participantes vão chocalhando e produzindo grande ruído e alarde, vai percorrendo as ruas da aldeia de Remondes e pára em locais predeterminados. Uma vez ali, a figura que vai em cima do carro de bois (embora, neste caso, puxado por um par de burros) lê um verso com crítica social, mandando serrar aquela velha. Em baixo, dois homens vão serrando um tronco. No fim de cada alocução, o coro que persegue o carro manifesta-se em uníssono. Depois de cada paragem, o cortejo coloca-se novamente em marcha, e assim sucessivamente até completar o percurso.


Mas, falemos um pouco desta tradição. Transversal a todo o país, realiza-se de Norte a Sul. Assenta em usanças pagãs, cuja origem se perde no tempo e tem lugar na cristã Quaresma (em mais uma das múltiplas "adaptações" católicas aos rituais pagãos). Como é sabido por quem se interessa por estas coisas, o calendário do universo rural não se prende com as comezinhas divisões administrativas oficiais. A vida do agricultor rege-se por ciclos produtivos (como, muito bem, referiu Carlos Ferreira no colóquio de S. Pedro da Silva). Já Jorge Dias dizia que "ao homem do campo o calendário interessa pouco." (in Rio de Onor).
A respeito desta festa cíclica, escreveu Teófilo Braga que "a Quaresma é representada por uma entidade e logo que se chega a metade deste período de sete semanas, faz-se a Serração da Velha. Entre os árabes, os sete dias de solstício do inverno são chamados os dias da Velha." (in O Povo Português...). Assim, na opinião deste eminente estudioso, o Serrar da Velha não representa mais do que a celebração do final do Inverno. Esta estação do ano é figurada pela Velha, cuja serração simboliza o seu fim. Até ao novo ciclo...

Algumas palavras finais de apreço:
1. para António Cordeiro pelo excelente trabalho que vem desenvolvendo com as suas persistentes pesquisas; Que nunca se canse...
2. pela excelente refeição que nos foi servida no final. Como disse o Mário Correia, há bem há que não comíamos uma massa que nos soubesse tão bem! Parabéns a quem a confeccionou...
3. para a participação maciça da juventude. Mais uma vez, garantia de continuidade do ritual...
4. ao executivo municipal. A sua presença serve para valorizar o trabalho da comunidade...

quarta-feira, 11 de março de 2015

C. Académico de Mogadouro triunfa em mais uma prova do Circuito Nacional de Montanha

"O Clube Académico de Mogadouro apresentou-se em força na XXXIII Edição 12 km Manteigas-Penhas Douradas, a mítica e mais antiga prova de Portugal, e conseguiu o primeiro lugar por equipas. 
Em competição na primeira prova do Circuito Nacional de Montanha 2015 estiveram José Carvalho, que foi segundo classificado, Rui Muga, ficou no terceiro posto, Carlos Lopes foi oitavo, Pedro Rodrigues (11º) e Silvestre Muga (29º).
O grande vencedor da competição foi Paulo Gomes do Benaventense. 
O Circuito Nacional de Montanha segue para Mogadouro, no dia 22 deste mês, com a 13ª Edição dos Trilhos Amendoeiras em Flor." - fonte: Jornal Nordeste (edição de 10-03-2015).
Foto recolhida na página de Facebook do Rui Muga (não condiz com a notícia).

sábado, 7 de março de 2015

Cantar das Almas

Retomando uma velha tradição da Quaresma, que já estava adormecida há uns anos, um grupo de mogadourenses, motivados pela iniciativa do José Oliveira (conhecido pelos amigos como Zé Canelas), têm andado por estes dias a cantar as almas pelas encruzilhadas da vila de Mogadouro. O grupo é composto por uma miscelânea de juventude e experiência dos mais velhos. É de assinalar esta injecção de sangue novo, pois assim fica garantida a continuidade desta prática ancestral.
Ontem à noite, permitiram-me a recolha de imagens e vídeo. Fica aqui o meu agradecimento a todos os participantes pela amabilidade. Agradeço igualmente ao Francisco Pinto pela cedência do equipamento vídeo.


Para os que nunca ouviram, ou que não conhecem esta costumeira, o "cantar das almas" tem lugar nesta altura do ano e desenrola-se quando, supostamente, toda a comunidade já se encontra adormecida. O grupo (misto) meio encoberto por xailes e capotes escuros, percorre as ruas das localidades e escolhe locais estratégicos onde vai entoando os cânticos em tom dolente de súplica, rogando a salvação das almas e o zelo pelos vivos.
A origem é indeterminada, embora os estudiosos se inclinem para a sua localização cronológica na chamada Idade Média.
Com mais ou menos variação regional, os versos são idênticos por toda a parte. Deixo aqui o primeiro e mais comum:
"À porta das almas santas/
Bate Deus a toda a hora/
As almas lhe responderam/
Ó meu Deus, que quereis agora?"

quarta-feira, 4 de março de 2015

Tombo da Ordem de Cristo - Comenda de Mogadouro - 1507

"Ha cabeça da dicta comenda do mogadoiro he a villa de castel branco de tras os montes . na qual villa a hordem tem huua egreja da jnuocaçom de nossa senhora com suas anexas. a saber. sam sebastiam de valuerde e sam beento de meirinhos (...)"

"as aldeas despouoradas que a esta vigairia perteençem som estas. a saber.
o çerzedo
val d açor
colmeaaes
caruellas
crestellos
santa ana
freixeda
anda desanda
avelledo
codessaaes
pouoa
castelo d eixas"

Este pequeno excerto do "Tombo da Ordem de Cristo" respeitante à "Comenda de Mogadouro" (datado de Novembro e Dezembro de 1507) levanta algumas questões interessantes (concretamente quanto ao nome das aldeias despovoadas). O documento é todo ele bastante rico, nomeadamente na caracterização urbana de algumas localidades (Mogadouro, Castelo Branco, Penas Roias e Bemposta), quando descreve os bens pertencentes à igreja e fornece-nos também, em traços gerais, uma caracterização económica da época através da inventariação das obrigações tributárias da população para com o clero.

Fonte: "Tombos da Ordem de Cristo" (Centro de Estudos Históricos. Universidade Nova de Lisboa).

segunda-feira, 2 de março de 2015

Estação de Urrós - o degredo total

A última visita que fiz à estação ferroviária de Urrós deixou-me francamente desanimado. Tenho vindo a constatar uma selvática pilhagem deste património. Sobretudo, de azulejos. Até o belo painel frontal retiraram... Existe por lá uma placa a publicitar a venda. Mas, depois da ruína total, será que ainda haverá interessados?





domingo, 1 de março de 2015

Amadeu Ferreira - in memoriam

Passou pela minha vida de forma muito breve. Breve, mas intensa. Intenso, como só ele sabia e conseguia ser. Com estima. Com a sua incomensurável sabedoria, foi-me dando alguns conselhos. Que sorvi com a sofreguidão dos aprendizes. Uma lição aqui. Outra ali. Sempre sereno. Mestre. Sábio. Foram poucas as vezes que estivemos juntos. Foram curtas as conversas. Mas ricas. Muito enriquecedoras. Trocámos ideias. Concordámos. Discordámos. Até que um dia, surgiu a notícia maldita...
Hoje, a Terra que lhe deu vida, veio reclamar o seu corpo. Mas, nunca o seu espírito. Esse prevalecerá ad aeternum no Panteão dos privilegiados que por obras valorosas se foram da lei da morte libertando. Tal como cantou o poeta maior Luís Vaz de Camões. Enquanto eu viver, caminharás ao meu lado. Um grande abraço, Amadeu!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Linha do Sabor - subsídios para a sua história

Estação do Variz (clicar na imagem para ampliar).

"Em 1898 Elviro de Brito mandou fazer o plano das linhas complementares das do Estado por duas comissões técnicas (...)
Linha do Pocinho - Por Moncorvo e Mogadouro a Miranda e Vimioso, de via larga para facilitar os transportes dos minérios de Reboredo. Esta linha teria o seu complemento no prolongamento do Pocinho a Viseu, como também se previa a da Régua a Vila Franca das Naves e a do Paiva (...)"
José Fernando de Sousa, in Segundo Congresso Transmontano.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Castelo dos Mouros - Bruçó

Tendo em vista a valorização e divulgação do património gastronómico (o genuíno e de raiz popular, sem restaurantes à mistura), associada à divulgação do património histórico e arqueológico do concelho de Mogadouro, tenho andado a congeminar, juntamente com um grupo de mogadourenses que fazem parte de uma associação que pretendemos revitalizar, uma espécie de jornadas em que se associam ambas as temáticas. E como há que começar por algum lado, hoje deu-me para fazer uma incursão ao "Castelo dos Mouros" de Bruçó, para cronometrar o percurso pedestre e verificar o estado das acessibilidades. Como sempre que vou ao castro de Bruçó, hoje descobri por lá algumas novidades. O Professor Dinis deu-me alguma esperança de que esta estrutura venha a ser devidamente estudada num futuro próximo. Oxalá...
Marcas indeléveis da passagem secular pelas rochas que pontuam o percurso.
Belíssimo e singular pontão, que permite a passagem sobre um ribeiro de água cristalina e pura (conforme atestam as salutares plantas que preenchem o regato).

Duas curiosas estruturas: uma aproveitada pelo homem e outra, fruto da acção escultórica da natureza.
Pano de muralha externa que o incêndio que devastou esta zona colocou a descoberto. Esta fracção de muralha contrariou a ideia inicial que eu tinha. Afinal, o último reduto fica uns bons vinte metros mais abaixo. Há males que vêm por bem...
Pano de muralha em perfeito estado de conservação.
Um dos guardiões do templo.
Um pedaço de história abandonado.
Mais esculturas da mãe natureza, pontilhadas pela mão humana.

E como estamos em Bruçó, não podia falhar uma visita às adegas dos velhos amigos, onde nada se deixa faltar. Presunto, queijo, salpicão, nozes, amêndoas, figos secos, azeitonas cortilhadas, pão caseiro, vinho e são convívio entre espíritos simples e puros (Ti Evangelino, Ti Américo, Ti Fernando "Mata", Fonseca, Ti Macário, Álvaro, etc...). Um grande bem haja a todos!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Mogadouro e as lutas civis de Castela - séc. XV

Castelo de Mogadouro - desenho de Duarte d'Armas.

A pacata vila de Mogadouro merece lugar na história da vizinha Espanha devido a um episódio da guerra civil que afectou Castela no séc. XV e que opôs as facções do príncipe herdeiro, D. Henrique, às do rei D. João II.
O Conde de Benavente, D. Afonso Pimentel, um dos titulares de Castela, afecto ao movimento do príncipe herdeiro, conseguiu evadir-se da prisão para onde o tinha enviado o rei e fugir para Portugal, onde o nosso rei D. Afonso V, em Fevereiro de 1449, lhe concedeu asilo político em Mogadouro, junto a Álvaro Pires de Távora, senhor desta vila.
"Se fué al rreyno de Portugal, a una vila çerca del moxón de Portugal que se llama Mogodoyro, en la qual fué anparado e rreçeptado, porquanto era natural de Portugal de parte de su padre e tenía ende muchos buenos parientes."  (in Crónica del Halconero de Juan II).
Entretanto, devido ao usual jogo de interesses políticos, o mesmo soberano português haveria de dar ordem de expulsão a D. Afonso Pimentel, por carta régia escrita em Évora, datada de 19 de Fevereiro de 1450. A missiva começava assim: "Honrrado comde, amíguo..." É caso para dizer: com amigos destes...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Às voltas por Penas Roias

Já tinha estado nas ruínas da capela de S. Miguel, em Penas Roias, mas, na altura, o local estava cheio de silvas. Entretanto, foi limpa de mato e pode ser apreciada com maior pormenor.
Ao mesmo tempo, aproveitei para mais uma viagem à volta da albufeira de Bastelos, que abastece a vila de água potável. Este circuito é dos mais belos do concelho e permite a observação de variada fauna e flora.