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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Humor real

Ao longo destes cerca de 15 anos que levo de tribunais, já vi e ouvi muita coisa com piada. Um dia terei que as passar para o papel. Hoje presenciei mais um episódio castiço. Num tribunal de uma comarca limítrofe, quando a magistrada perguntava à testemunha:
- "Jura pela sua honra que vai dizer a verdade, e só a verdade?"
O homem retorquiu:
- "Juro pela minha honra, pela honra do tribunal e pela honra de todos os presentes..."
Mai nada!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Alelos

Lembrei-me desta porque tenho em mãos um caso de averiguação de paternidade. No nosso curso havia uma cadeira que se chamava "Medicina Legal", e era ministrada pela Faculdade de Medicina. Todo o bicho careta tirava para cima de 14 na disciplina. Era ver alunos medíocres a tirar dezassetes. Quando chegou a minha vez, pensei para com os meus botões:
- Bem... se fulano tirou 15, e é um completo nabo, então nem sequer vou precisar de estudar para fazer a cadeira.
Meu dito, meu feito. Passei os olhos ao de leve pela matéria. Chegado o dia do exame levei uma chumbada. Toca de ir à oral para passar. Na antecâmara da sala de exame, eu e mais meia dúzia de patos bravos que tinham tido a mesma linha de raciocínio, roíamos as unhas... O que é que os gajos irão perguntar?
Um deles, que entretanto saiu, disse-nos:
- Os tipos estão a perguntar o nome dos elementos que ajudam a determinar a paternidade.
- E como é que se chamam? - perguntámos nós.
- Olha, pá... não sei bem, mas parece-me que são os "elelos".
Chegada a minha vez, a dupla simpática de doutores foi fazendo o interrogatório. E como tinha aprendido a lição, lá fui respondendo bem a praticamente todas as questões. Quase a terminar, surgiu a bendita pergunta. E eu, já mais à vontade porque as coisas estavam a correr bem, respondi completamente descontraído:
- Eu não tenho bem a certeza, mas ouvi dizer ali fora que se chamam "elelos".
Os professores não conseguiram conter uma sonora gargalhada. E quando acabaram de rir, disseram-me com cara de gozo:
- Essa foi a resposta mais original que ouvimos nos últimos tempos. Vá à sua vida e parabéns.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Mau aluno

O cliente consultou o Advogado, em Mogadouro. Teve um acidente num itinerário principal. A via encontrava-se demarcada por redes supostamente intransponíveis. Chocou contra um canídeo.
O Advogado perguntou-lhe:
- E testemunhas? Alguém presenciou o acidente?
- Não.
- Então não temos caso.
- Mas... doutor... eu tive muito prejuízo!
- Arranje testemunhas e depois falamos.
- Eu tenho um amigo... Ele pode ir dizer que viu tudo...
- Está bem. Traga-mo cá.
Assim foi. O amigo comprometeu-se a dizer o que supostamente tinha presenciado. O Advogado disse-lhe:
- Você trate de sonhar com o acidente até ao dia do julgamento.

Não tinha fé na testemunha. Mas era a tábua de salvação que o cliente lhe tinha apresentado...
Chegado o dia da audiência a testemunha começou a depor. Com inteira segurança. O Advogado assistia pasmado com as certezas do rapaz. Ele tinha mesmo sonhado com o acidente!
O Advogado do Estado é que não estava satisfeito. Tinha-se apercebido que o depoimento era demasiado certinho para ser verdadeiro. Em desespero de causa perante a frieza do depoente, procurou armar-lhe uma rasteira:
- Na altura do acidente, o senhor a que distância seguia do seu colega?
- Olhe, sr. dr., devia ir praí a 200 ou 300 metros atrás dele.
- Eram 200, ou eram 300?
- Não consigo precisar...
- Então, mas o sr. não é estudante de engenharia civil?
- Sou!
- E então, sendo estudante de engenharia, não consegue calcular com precisão a distância a que seguia do seu colega?
Perante esta pergunta, o Advogado do sinistrado pensou: "Já se lixou tudo! O gajo vai cair que nem um pato!"
Mas não! O indíviduo acomodou-se na cadeira. Cruzou as pernas. E com a maior calma do mundo, respondeu:
- Olhe, sr. dr., nem todos podemos ser bons alunos...
O trio de juízes e os restantes presentes desataram a rir à gargalhada. Desarme completo...

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A propósito da língua...

Conta-se que certo Advogado, cuja cliente tinha sido detida pelo exercício da prostituição (antigamente era crime), instruiu-a para que, quando a questionassem acerca da profissão, não referisse "puta", mas outrossim "meretriz". Sempre ficava melhor - argumentou o causídico.
Quando o juiz começou o interrogatório:
- Profissão?
- Matriz.
O escrivão, malicioso, não se conteve e virando-se para a arguida, indagou:
- Matriz rústica ou matriz urbana?
Ela, já a ficar atrapalhada, respondeu, titubeante:
- Olhe... daquelas que fodem!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Conversa de circunstância

O amigo João Barbosa, sempre bem disposto e brincalhão, como é seu timbre, quando lhe dói alguma coisa (ele já está na idade do Condor: com dor aqui, com dor ali...) costuma dizer aos amigos:
- Estou lixado. Lá vou ter que ser operado aos ovários!
Um circunstante, que passava por perto, e ouviu o desabafo, não se conteve:
- Bô! E o que é que o senhor tem nos ovários?

segunda-feira, 24 de março de 2008

Tecnologia e comunicação

Este binómio surge frequentemente associado à galopante evolução dos tempos modernos. Por estes dias festivos, aconteceu em Bruçó uma história que já passou para o anedotário local:
Um rapaz de fora (mas de Bruçó, por "encavanço"), cujo passatempo (ou profissão) é a fotografia, andava a exibir no seu "laptop" uma série de imagens locais. Um velhote viu-as e deu a entender que gostava de possuir algumas.
O rapaz, sempre solícito, virou-se para ele e disse-lhe:
- "Se tiver aí uma pen, eu transfiro-lhas..."
- "Uma péne? O que é isso?"

O diálogo morreu logo ali. Mais tarde, o velhote desabafava para os circunstantes:
- "O filho da p..., pediu-me a péne! Olhem qu'isto! Pediu-me a péne!"