Ainda na sequência do Sequestro dos bens dos Távoras operado em 1759, ficamos a saber que o direito a cobrar portagem nos concelhos de Mogadouro, Azinhoso e Penas Roias foi arrematado por um particular.
A arrematação foi feita pelo alfaiate Francisco Rodrigues, pelo preço anual de 15$000. O leiloeiro parece não ter gostado do negócio, pois segundo o escrivão do acto terá proferido as seguintes palavras: "mais não acho e se mais achasse mais tomara". E para finalizar, munido de um ramo na mão gritou: "dou-lhe uma, dou-lhe duas e dou-lhe outra mais pequenina". E metendo o ramo na mão ao arrematante, disse-lhe: "que lhe faça muito bom proveito."
Terá feito, certamente...
figuras, património, lugares e histórias que fazem (e fizeram) o quotidiano mogadourense
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sexta-feira, 1 de setembro de 2017
domingo, 27 de agosto de 2017
Recheio e composição do castelo de Mogadouro em 1759 - inventário dos bens dos Távora
Na sequência do inventário e sequestro dos bens da família Távora, ocorrido em 1759, após o processo que dizimou a nobre família, Luiz de Bivar Guerra faz-nos saber que o castelo de Mogadouro tinha a seguinte composição e recheio:
"Casas formadas no Castelo da vila de Mogadouro que constam de cinco casas altas médias e dois sobrados, um segundo andar com três quartos baixos cozinha térrea, casa da copa, cavalariças, picadeiro, pombal, com todas as suas entradas e saídas e tudo situado na torre do castelo. Dentro destas casas estavam os seguintes trastes: 17 bancas de pau castanho, umas redondas e outras quadradas sendo algumas de nogueira; 1 estante pequena de pôr livros; 2 cómodas de três gavetas cada uma com suas fechaduras; 38 cadeiras de muscóvia dobradiças; tamboretes de palhinha do norte; 5 tamboretes de pau de castanho e sua barra de choupo; 1 quadro com uma pintura de N.ª Sr.ª da Conceição; 1 oratório; 1 imagem de N.ª Sr.ª da Conceição com uma coroa de prata; 3 bancas mais, quadradas e outra com estâncias de pôr a copa; 1 barra de pau de olmo; 3 tamboretes de pau de olmo, tudo da própria casa da copa.
Tudo confiado à guarda de João Lopes de Oliveira que ficou como fiel depositário."
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sábado, 26 de agosto de 2017
Quinta do Marmoniz e a família Távora
A propósito da demanda de um antepassado do Dr. Paulo Mendo, de seu nome Manuel Martins de Mendo, que foi rendeiro e depositário da Quinta do Marmoniz, respectivamente antes e após o sequestro do património da família Távora, posso agora traçar o retrato desta estrutura patrimonial. Foi o próprio Dr. Paulo Mendo quem gentilmente me cedeu cópia da descrição constante da obra "Inventários e Sequestros...", de Luiz de Bivar Guerra, onde se escreveu o seguinte:
"Quinta do Marmoniz que consta de:
quatro casas quadradas, térreas, todas muito bem forradas e sobradadas, com quatro portas cada uma e tendo dentro os seguintes trastes: uma banca grande de pau de castanho, dois bancos de espaldar, seus tamboretes de pau de castanho e choupo. Junto desta casa a cavalariça, palheiro, quarto para acomodação de criados, casa de forno, cozinha com sua cortelha, tudo situado no meio de toda a quinta e à parte do nascente uma capela redonda, com retábulo com a imagem de São Luís em vulto, dois quadros «colaterais», um de N.ª Sr.ª da Conceição e outro de S. Francisco de Assis (...)."
A finalizar, refira-se que, de acordo com o citado autor e obra, as propriedades dos Távora foram devolvidas à família na pessoa do Conde de S. Vicente, que posteriormente as vendeu a Teodoro Pinto Basto, que, por sua vez, as vendeu à família inglesa Dagge, do Porto, que acabou por as alienar a diversos proprietários, conhecidos dos mogadourenses.
Uma nota final de agradecimento ao Dr. Paulo Costa, historiador gaiense, pela prestimosa colaboração prestada na demanda que acima referi.
"Quinta do Marmoniz que consta de:
quatro casas quadradas, térreas, todas muito bem forradas e sobradadas, com quatro portas cada uma e tendo dentro os seguintes trastes: uma banca grande de pau de castanho, dois bancos de espaldar, seus tamboretes de pau de castanho e choupo. Junto desta casa a cavalariça, palheiro, quarto para acomodação de criados, casa de forno, cozinha com sua cortelha, tudo situado no meio de toda a quinta e à parte do nascente uma capela redonda, com retábulo com a imagem de São Luís em vulto, dois quadros «colaterais», um de N.ª Sr.ª da Conceição e outro de S. Francisco de Assis (...)."
Almoço de confraternização da família Mendo, em Frechas, para o qual recebi honroso convite do Dr. Paulo Mendo, conhecido médico, que desempenhou tarefas governativas em três Executivos, tendo sido Ministro da Saúde entre 1993 e 1995. Foi uma honra e um privilégio poder confraternizar com este grande vulto intelectual, que espero reencontrar brevemente para continuarmos a profícua troca de impressões acerca da nossa História (entre outras).
A finalizar, refira-se que, de acordo com o citado autor e obra, as propriedades dos Távora foram devolvidas à família na pessoa do Conde de S. Vicente, que posteriormente as vendeu a Teodoro Pinto Basto, que, por sua vez, as vendeu à família inglesa Dagge, do Porto, que acabou por as alienar a diversos proprietários, conhecidos dos mogadourenses.
Uma nota final de agradecimento ao Dr. Paulo Costa, historiador gaiense, pela prestimosa colaboração prestada na demanda que acima referi.
terça-feira, 4 de julho de 2017
Pero Lourenço: o primeiro Távora senhor de Mogadouro
“É neste contexto de início do século que D. João I, por
carta datada de 21 de Outubro de 1401, faz a Pero Lourenço de Távora “doaçam em
quãto sua mercee for de todos os direitos foros, rendas tributos que o dito
Senhor ha no Mogadouro”, reconhecendo os valiosos serviços prestados de Pero
Lourenço de Távora que acompanhou o Mestre de Aviz em Aljubarrota. Embora alvo
de sucessivas confirmações régias, iniciava-se aqui o senhorio de Mogadouro
pelos Távoras, mantendo-se na posse desta Casa, por via hereditária, durante
mais de três centúrias, até à dramática execução da família, em 1759.” –
TEIXEIRA, Ricardo, in “Castelo de
Mogadouro: estudo histórico”.
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Trindade Coelho, Távoras e Marquês de Pombal
Ao contrário do que hoje sucede entre nós, Trindade Coelho era manifestamente contra os Távora. Entendia ele que a sua memória perpetuava um modo de ser e de pensar feudal. Falar dos Távora era o mesmo que regredir na cronologia histórica, transportando-nos para um universo de um injusto domínio dos poderosos sobre a sociedade.
Mas, vejamos algumas passagens do seu discurso:
"Meus senhores, gira-me nas veias o sangue de transmontano, a minha consciência não tem a flexibilidade do vime, e no meu temperamento há alguma coisa de rude como as montanhas que acidentam o solo da minha província." (...)
"Há dois meses aproximadamente que a imprensa reaccionária, no miserável desempenho da sua missão anticivilizadora, fez propalar que em Mogadouro, na minha terra natal, se comemoraria o centenário de Pombal queimando o seu busto em frente da Igreja da Misericórdia, em plena praça pública.
À vileza sórdida da roupeta nada escapa, e por isso ela viu em Mogadouro uma terra em condições excepcionais; os Távoras haviam lá vivido nos seus solares feudais, eles haviam dominado com o seu poderio de senhores aquelas aldeias em roda." (...)
"Miseráveis, o opróbrio que quereis lançar sobre a minha terra natal caia sobre vós, terrível, inexorável, como terrível e inexorável é o anátema da indignação das nossas almas juvenis, douradas pelo sol brilhante da civilização acalentadas ao calor desta adoração que professamos pelos apóstolos do Progresso." (...)
Este sim, era dos de certo! Não necessitava dos favores de aviões fretados com jornalistas, nem da fina flor do entulho local a prestar-lhe falsa vassalagem...
domingo, 2 de julho de 2017
O povo de Meirinhos contra a família Távora
Panorâmica da Quinta de Crestelos (durante o período de escavações arqueológicas e antes de ser inundada pela albufeira do Baixo Sabor).
"Cerca de 1585, o povo do lugar de Meirinhos, termo de Mogadouro, «assim homens como mulheres», «se alevantou» dizendo que lhe pertencia a quinta de Crestelos, propriedade dos Távoras, que confrontava com a sua povoação. E, «sem autoridade de justiça», tomaram os moradores posse da quinta, «lavrando-a e desmoutando os matos» da mesma. D. Leonor tomou medidas para contrariar aqueles actos, conseguindo que do caso fosse tirada devassa. Não sabemos se conseguiu recuperar a posse da quinta, mas em 1591 Luís Álvares, já maior, desistiu da questão e, em acto notarial, perdoou aos súbditos rebeldes «a culpa da dita força e todo o mal, dano e injúria emenda e corregimento» a que o mesmo povo lhe estava obrigado." - FONSECA, Jorge, in revista Brigantia.
Refira-se, a título de curiosidade que esta D. Leonor que vem mencionada no texto era D. Leonor Henriques, mãe e tutora de Luís Álvares de Távora e que na crise dinástica que se seguiu à morte de D. Sebastião tomou o partido de Filipe II de Espanha contra D. António, Prior do Crato:
“Eu El Rey faço saber aos que este Alvará virem que havendo respeito aos serviços que D. Lionor Henriques mãy e tutora de Luis Alvares de Tavora me fes na materia da Succeção do Reino e ao modo com que nisso procedeo nas terras do dito seu filho onde logo fes tomar a vos por my e proceder contra os que nellas querião fazer gente em favor de Dom Antonio e tomar sua vos mando [mandando] levar gente em meu serviço contra elles e quietar as ditas terras e assy em mandar socorro a villa de Trancoso no que tudo fes muita despeza; e por folgar de por todos estes respeitos fazer merce ao dito Luis Alvres de Tavora seu filho por mo ella asy pedir Hey por bem e me pras de lhe fazer merce das villas de Mogadouro, Mirandella, Alfandega, e do lugar de São Bade e Alcaydaria mor da cidade de Miranda que elle Luis Alvres ora tem, tudo para seu filho mais velho que delle ficar por seu fallecimento e assy e da maneira que ora tem as ditas terras e alcaydaria mor em sua vida conforme as suas doações e provisões; e por minha lembrança e sua guarda mandei dar este Alvara a dita Dona Lionor pelo qual depois do falecimento de Luis Alvres seu filho se passarão cartas de doações... Pedro Pinto a fes em Madrid a vinte seis de Dezembro de quinhentos e oitenta e três” – in “Memórias…”,
vol. VI, Abade de Baçal.
sábado, 1 de julho de 2017
E porque estamos em semana de homenagem aos Távoras...
E porque estamos em semana de homenagem mogadourense à família dos Távora (no âmbito do Festival da Terra Transmontana, que irá de correr de 7 a 9 de Julho), que deteve a propriedade do concelho durante aproximadamente 350 anos, vou deixar aqui alguns episódios menos conhecidos, mas que também fazem parte da História. Começo por um raro exemplo de fina ironia da realeza:
Fonte: "Memórias arqueológico-históricas do Distrito de Bragança...", Vol. IV - Abade de Baçal.
Brasão da família Távora existente no concelho de Mogadouro.
Cópia da uma carta
que o Secretário de Estado Diogo de Mendonça Corte Real escreveu ao marquês de
Távora, António Luís de Távora, por haver fugido da sua vila de Mogadouro
quando os espanhóis surpreenderam a cidade de Miranda em 1710.
«Sua Magestade que Deus guarde hé servido mandar dizer a V.
Ex.ª que foi muito do seu real agrado que á primeira surpreza de Miranda se
retirasse V. Ex.ª do Mogadouro tão cuidadosa e aceleradamente que não tivesse o
mais leve perigo sua pessoa; porque ainda que com aquelle successo e fugida de
V. Ex.ª hé certo que se consternarão os Povos e ao seu exemplo desertavão os
lugares temendo a furia do inimigo que facilmente poderião rebater; todavia Sua
Magestade preza mais a segurança da pessoa de V. Ex.ª e a certeza de que se
tirou sem mais lezão que a sua antiga manqueira do que sente toda a ruina que
nessa provincia pela invazão dos castelhanos experimentarão seus vassallos com
injuria da sua Coroa. E portanto lembra a V. Ex.ª que sempre que houver
semelhantes occazioens se ponha em cobro sem risco seu porque hé muito
necessaria a sua pessoa para authoridade da nobreza, para credito da Nação e
para ornamento da sua real capella de que tem feito a V. Ex.ª superintendente
com exercicio de prioste. Cá se dice que achando-se V. Ex.ª nessa provincia em
que hé tão grande senhor que com poder despotico e absoluto uza do seu e do
alheio devia deixar-se inflamar de algum eroico espirito que como filho de seu
pay conservase para acudir pela reputação portugueza; e que pondo-se a cavallo
podéra convocar os seus vassallos e os mais povos que a seu exemplo correrião
voando e em caminhos tão apertados com facilidade poderião disputar o passo ao
inimigo e impedir-lhe os progressos, hostelidades, estragos, violencia e
confusão que padecerão as terras que elle talou [e] destruhio: e hé certo que
intentando V. Ex.ª huma façanha tão gloriosa poderia sem dificuldade grande
consegui-la; mas porque poderia tão bem haver algum perigo em tal empreza foi
mais seguro o arbitrio de fugir. E visto que V. Ex.ª preza tanto a vida que a
antepoem ao credito e á honra Sua Magestade lhe faz merce de mais duas vidas nas
terras da Coroa e ordens. Huma só couza manda estranhar e hé que estando ha
tantos annos na provincia ainda achassem nella que levar os inimigos quando se
entendia que a madura ambição de V. Ex.ª e as ligeiras rapazias do senhor conde
de S. João seu filho terião em melhor arrecadação os erarios particulares como
descendentes daquelle antigo leão do qual posto que lhe deixou a coroa sempre
conservão as garras. Deus Guarde a V. Ex.ª muitos annos.
Paço 20 de Julho de 1710.
Diogo de Mendonça Corte Real».
domingo, 17 de julho de 2016
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
A família Távora e o concelho de Mogadouro
A história da família Távora encontra-se intrinsecamente ligada à história do concelho de Mogadouro. Foi sua donatária a partir de 1401, ano em que o rei D. João I, para premiar a sua lealdade nas convulsões de 1383/85, a doou a Pero Lourenço de Távora com "todos os direitos, foros, rendas e tributos". A posse manteve-se até ao fatídico ano de 1759, quando el rei D. José I resolveu aniquilar esta família, em 13 de Janeiro, devido a suspeitas de participação na tentativa de assassinato de que foi alvo na noite de 3 de Setembro de 1758, quando regressava incógnito e sem escolta de mais um encontro amoroso com a "marquesinha" D. Teresa Leonor, esposa do herdeiro da família, D. Luís Bernardo.
Esta família estabeleceu a sua residência no castelo, ao qual conferiu características habitacionais para o efeito.
(1) fonte: http://www.patrimonionoterritorio.pt.
Esta família estabeleceu a sua residência no castelo, ao qual conferiu características habitacionais para o efeito.
“No início do século XVI, conforme se pode verificar nos desenhos efectuados por Duarte D’Armas, coexistiam no interior da fortificação, a residência apalaçada do alcaide, na área a Leste da torre de menagem, e a área destinada a albergar as funções militares, na área situada a Oeste do terreiro. Em volta da muralha principal constrói-se uma nova muralha - “as barreyras”, mais baixa e robusta, adaptada à utilização de armas de fogo.”(1)
Brasão da família Távora existente no concelho de Mogadouro.
(1) fonte: http://www.patrimonionoterritorio.pt.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
O legado patrimonial dos Távoras no concelho de Mogadouro
A propósito de uma saudável troca de impressões após a degustação de um belo arroz de lebre, o Francisco Pinto questionou-me sobre o legado patrimonial da família dos Távoras no concelho de Mogadouro. Aqui ficam alguns registos (fica a faltar a Quinta do Marmoniz, pois não consegui encontrar as fotos):
Pontão entre Zava e Mogadouro.
Ponte de Remondes.
Monóptero de S. Gonçalo.
Castelo de Mogadouro (embora a origem seja muito anterior à vinda da família para Mogadouro, na sequência da crise de 1383/85, foram eles que lhe deram as vestes de palácio residencial, pois ali estabeleceram a sua morada).
Pontão entre Valverde e Meirinhos.
Convento de S. Francisco.
Casa das colunas (casa do Ouvidor, casa das Ferreirinhas...).
Quinta de Nogueira.
Quinta de Crestelos (Meirinhos).
Após o trágico desaparecimento desta nobre família às mãos dos algozes do Marquês de Pombal, os brasões foram picados ou eliminados. Infelizmente, o da casa das colunas foi destruído/removido em data muito posterior. Sobreviveu um, que está na Quinta do Marmoniz,bem como outro exemplar sito na igreja matriz de Mogadouro, um no convento e um (eventualmente) em S. Martinho do Peso (danificado).
Pontão entre Zava e Mogadouro.
Ponte de Remondes.
Monóptero de S. Gonçalo.
Castelo de Mogadouro (embora a origem seja muito anterior à vinda da família para Mogadouro, na sequência da crise de 1383/85, foram eles que lhe deram as vestes de palácio residencial, pois ali estabeleceram a sua morada).
Pontão entre Valverde e Meirinhos.
Convento de S. Francisco.
Casa das colunas (casa do Ouvidor, casa das Ferreirinhas...).
Quinta de Nogueira.
Quinta de Crestelos (Meirinhos).
Após o trágico desaparecimento desta nobre família às mãos dos algozes do Marquês de Pombal, os brasões foram picados ou eliminados. Infelizmente, o da casa das colunas foi destruído/removido em data muito posterior. Sobreviveu um, que está na Quinta do Marmoniz,bem como outro exemplar sito na igreja matriz de Mogadouro, um no convento e um (eventualmente) em S. Martinho do Peso (danificado).
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Os Távoras em destaque na revista "Debater a História" (n.º 7)
O n.º 7 da revista "Debater a História" traz inserto um interessante artigo sobre a história da família dos Távoras, onde se fala do seu vasto e rico património. O concelho de Mogadouro, como não podia deixar de ser, é naturalmente focado no texto da autoria do Dr. Paulo Costa.
"Em Mogadouro, os marqueses conservavam residência no castelo, que era Bem da Coroa (fl. 19), "O Castello tem muito boas Cazas donde os confiscados e seos ascendentes costumavam assestir com seos picadeiros, cavallarisse, palheiros, pombal e galinheiro."
Os Bens do Morgado, em Mogadouro, de fruição dos próprios eram, sobretudo, dois: "A Tapada de Nogueira toda murada que compreende duas legoas em redonda, digo em cercuito com emencidade de gamos e veados. Tem duas cazas de quinta muito boas caza de forno e cozinha (...) a Quinta de São Gonçalo que pega com a de Nugueira (...)" - in revista "Debater a História", pág. 20.
Os Bens do Morgado, em Mogadouro, de fruição dos próprios eram, sobretudo, dois: "A Tapada de Nogueira toda murada que compreende duas legoas em redonda, digo em cercuito com emencidade de gamos e veados. Tem duas cazas de quinta muito boas caza de forno e cozinha (...) a Quinta de São Gonçalo que pega com a de Nugueira (...)" - in revista "Debater a História", pág. 20.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
A venda da vila de Penas Róias
Foto: Antero Neto.
Por escritura de 7 de Janeiro de 1457, celebrado na aldeia
da Castanheira, termo então de Penas Róias, vendeu Rui Gonçalves Alcoforado, marido
de D. Filipa Vasques, donatária das vilas da Bemposta e Penas Róias, que el-rei
D. João I, doara em 1399 a seu avô, também de nome Rui Gonçalves, a dita vila
de Penas Róias, a Álvaro Pires de Távora, pelo preço de «cento e cinquenta mil réis, que foram pagos em várias espécies, a
saber: oitenta e cinco dobras e meia de banda, a duzentos e cinco reais por
dobra, que montavam a dezassete mil e quinhentos e vinte e cinco reais;
dezassete florins, a cento e quarenta reais o florim, que perfaziam dois mil
trezentos e oito reais; mais nove leais a quinze reais cada um, que perfaziam
cento e trinta e cinco reais; e ainda dois sacos cheios de dinheiro, que o
vendedor, à sua própria frente, viu pesar, contendo vinte mil reais brancos...
(mais a seguinte baixela de prata) quatro bacias grandes de cozinha, e outro
bacio de lavar, dourado, grande, de água às mãos; oito pratos de servir à mesa;
quatro escudelas grandes, brancas; três gomis grandes; sete taças grandes,
brancas; dois copos grandes, chãos, dourados pelas bordas; três taças grandes,
picadas, douradas no fundo e pelas bordas; cinco taças de bastiães douradas de
bom lavor, e grandes; uma albarrada com seu sobrecopo, dourada toda; e dois castiçais
grandes. Toda esta baixela pesava cento e dez marcos e o marco avaliado em mil
reais». (Fonte: Abade de Baçal, in “Memórias…”)
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quarta-feira, 10 de março de 2010
A revolta do povo de Meirinhos contra os Távoras
Devido às condições meteorológicas, que me têm bloqueado os fins-de-semana, e impedido de realizar as minhas habituais incursões campais, não tem havido actualizações fotográficas (e como o próximo fim-de-semana vai ser minhoto...). Por essa razão, aqui vai mais uma nota histórica, que julgo interessante: o levantamento dos populares de Meirinhos, que ocuparam terras dos Távoras e, contra a vontade senhorial, as surribaram e cultivaram, conseguindo assim debelar a fome que os assolava. Um exemplo notável da força popular, vindo do séc. XVI.
"(...) do senhor luis alvarez de tavora (...) que estando elle e a senhora dona llianor anriquez sua mai como sua tutora curadora de pose da sua quintã de crestellos termo da sua villa do mogadouro per si e per seus antepassados se alevantou o povo do llugar de meirinhos termo da dita villa com quem parte a dita quintã asi homens como molheres dizendo que lhes pertencia a dita quintã e della tomarão pose forçosamente sem auctoridade de justiça lavrando-a e desmoutando os matos da dita quintã..."
Eram tesos...
"(...) do senhor luis alvarez de tavora (...) que estando elle e a senhora dona llianor anriquez sua mai como sua tutora curadora de pose da sua quintã de crestellos termo da sua villa do mogadouro per si e per seus antepassados se alevantou o povo do llugar de meirinhos termo da dita villa com quem parte a dita quintã asi homens como molheres dizendo que lhes pertencia a dita quintã e della tomarão pose forçosamente sem auctoridade de justiça lavrando-a e desmoutando os matos da dita quintã..."
Eram tesos...
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
O episódio da fuga do Távora
Excerto de uma carta enviada pelo secretário de Estado Diogo de Mendonça Corte Real a António Luís de Távora (o segundo com este nome), por haver fugido de Mogadouro quando os espanhóis invadiram a cidade de Miranda do Douro em 1710:
"Sua Magestade que Deus guarde hé servido mandar dizer a V. Ex.ª que foi muito do seu real agrado que à primeira surpreza de Miranda se retirasse V. Ex.ª do Mogadouro tão cuidadosa e acelaradamente que não tivesse o mais leve perigo sua pessoa; (...) Cá se dice que achando-se V. Ex.ª nessa província em que hé tão grande senhor que com poder despotico e absoluto uza do seu e do alheio devia deixar-se inflamar de algum eroico espírito que como filho de seu pai conservase para acudir pela reputação portugueza (...)"
A carta é toda ela um verdadeiro tratado. No início fiquei na dúvida se o secretário de Estado o estava a elogiar ou a gozar fortemente com ele. Mas inclino-me claramente para esta segunda hipótese. Imagino o que o rei terá dito lá na corte...
A propósito de reis, li um documento interessantíssimo em que D. Dinis doou a vila de Mirandela a uma amante, em troca do corpo dela (sic) e com a condição de lhe dar filhos! E ainda há quem defenda a monarquia! Estou como o meu amigo Zé Joaquim: o melhor regime político é a ditadura. Desde que eu seja o ditador...
"Sua Magestade que Deus guarde hé servido mandar dizer a V. Ex.ª que foi muito do seu real agrado que à primeira surpreza de Miranda se retirasse V. Ex.ª do Mogadouro tão cuidadosa e acelaradamente que não tivesse o mais leve perigo sua pessoa; (...) Cá se dice que achando-se V. Ex.ª nessa província em que hé tão grande senhor que com poder despotico e absoluto uza do seu e do alheio devia deixar-se inflamar de algum eroico espírito que como filho de seu pai conservase para acudir pela reputação portugueza (...)"
A carta é toda ela um verdadeiro tratado. No início fiquei na dúvida se o secretário de Estado o estava a elogiar ou a gozar fortemente com ele. Mas inclino-me claramente para esta segunda hipótese. Imagino o que o rei terá dito lá na corte...
A propósito de reis, li um documento interessantíssimo em que D. Dinis doou a vila de Mirandela a uma amante, em troca do corpo dela (sic) e com a condição de lhe dar filhos! E ainda há quem defenda a monarquia! Estou como o meu amigo Zé Joaquim: o melhor regime político é a ditadura. Desde que eu seja o ditador...
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Nota histórica
A família dos Távoras tem origens antiquíssimas, que alguns estudos genealógicos fazem remontar a um dos filhos de Ramiro II, Rei de Leão. O primeiro Senhor de Távora é Rozendo Hermingues, um nobre hispânico que viveu algures nos finais do século XI, principios do século XII. O senhorio do morgado de Távora permanece na linha varonil desta casa. O hexaneto de Rozendo Hermingues é Lourenço Pires de Távora (c.1350-?), 8º Senhor de Távora, cavaleiro do Reino de Portugal e Senhor do Minhocal e do Couto de S. Pedro das Águias por mercê do Rei D. Pedro I. Diz-se também, embora não haja provas documentais, que foi esta nobre família transmontana a fundadora do Mosteiro de S. Pedro das Águias. O filho primogénito de Lourenço Pires de Távora é Álvaro Pires de Távora (c.1370-?), 1º Senhor do Mogadouro por mercê do Rei D. Fernando I.
Fonte: http://www.glosk.com/
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