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domingo, 8 de abril de 2012

Compasso pascal

Nas aldeias transmontanas não há Páscoa sem compasso. Bruçó não é excepção.
E como os sacerdotes católicos vão escasseando, recorre-se a mão-de-obra eventual.
No caso de Bruçó, tem sido o Gonzaga a assegurar a tradição. E tem desempenhado bem o papel. De tal forma que já conquistou o carinho dos locais.
E nas casas onde o cortejo entra, não falta de comer e beber (sendo que predominam o folar e o vinho tinto).
A festa envolve novos e velhos.
Fotos: Antero Neto.




sexta-feira, 23 de março de 2012

Das entranhas da terra transmontana - usos e costumes

Com a devida vénia ao meu amigo Isaías Cordeiro, de Castelo Branco, aqui ficam algumas fotos de sua autoria, que revelam um naco da verdadeira e genuína alma transmontana.
Fotos: Isaías Cordeiro.

Eis uma merenda com ingredientes que espelham o que de mais autêntico há nas nossas terras: os cunqueiros, as azeitonas, o toucinho, o pão, o tinto, a cebola e a omnipresente "palaçoula".

domingo, 12 de outubro de 2008

Vindima

A faina.
À volta da merenda.
O lagar.
A descarga das uvas, comigo a dar uma mãozinha.
O futuro néctar.
Fotos: Antero Neto e Raquel Azevedo.
A vindima, mais do que uma tarefa agrícola, é uma festa. O convívio, o espírito ancestral de entreajuda, e a alegria dos trabalhadores fazem desta safra um fenómeno único no mundo rural. Da vindima de antanho já quase nada resta. Apenas o ambiente. Os cestos pesados e pouco práticos, foram substituídos pelos "jigos", pequenos recipientes de plástico, muito mais manejáveis e confortáveis. Ainda se usam as bestas para os transportar, mas criaram-se estruturas metálicas, que evitam o trabalhoso e demorado acto de desatar e atar os cestos aos animais.
O tradicional pisar das uvas também perdeu campo para a máquina trituradora, que separa logo os bagos do cango e deixa a tarefa praticamente concluída.
Eu sei que se perdeu algum romantismo, mas os tempos evoluem e as práticas antigas serão inevitavelmente confinadas aos postais ilustrados, para "turista ver".


Tempo de Gorazes

Abriu ontem (sábado, 11) oficialmente a "Feira dos Gorazes". Muito embora a feira propriamente dita se confine aos dias 15 e 16 de Outubro (sendo o dia 15 feriado municipal), o certame (como agora se usa dizer) inclui uma pavilhão que promove o comércio em geral, e que dilata o periodo de festividades (com concertos musicais nocturnos incluídos) por estes cinco dias. Sobre a história e origem do nome da feira já muito foi dito e escrito. Parece-me mais ou menos consensual a tese oficial da génese grega do termo.
Dos meus tempos de garoto, recordo a azáfama e o bulício inusitado destes dois dias, que enchiam a vila de forasteiros e funcionavam como uma espécie de "ponte" entre a N. Sra do Caminho e o Natal.
Há quem defenda que o feriado municipal deveria ser movido para a segunda-feira posterior à festa da N. Sra do Caminho. Pessoalmente, acho que está muito bem assim. Esta feira anual continua a ser um evento muito importante na vida económica do concelho (e, felizmente, a ACISM apercebeu-se disso e tem promovido o seu engrandecimento enquanto pólo de atracção negocial; principalmente com "nuestros hermanos", que todos os anos marcam presença).

domingo, 7 de setembro de 2008

Gincana de burros no Azinhoso

Num concurso altamente internacionalizado, podemos observar um chinês a concorrer com um burro francês (Sim! Na França também há burros!!!).
Um concorrente a cruzar a meta (tinha que rebentar um balão).

Mais um ricamente ajaezado: com alforges de burel.

Dois concorrentes (mais uma francesa).

O estribo (antigamente era sinónimo de riqueza. Nem todos os usavam...)

Esta imagem traz-me à lembrança o Luís Represas a cantar: "Um burro ajaezado à Andaluza..."

Dois concorrentes prontos para a gincana (sendo ela galega).

Um aspecto geral dos concorrentes, na antecâmara da partida.

Um concorrente a superar um obstáculo (vindima em cima do asno).
Fotos: Antero Neto.
Foi uma manhã bem passada, na aldeia de Azinhoso. Terra bonita e dinâmica. Recriaram uma tradição que vem de muito longe (embora se tenha ultrapassado a questão do dia. Nos tempos de antanho, esta feira/festa era sacramentalmente realizada no dia 08 de Setembro).
O entusiasmo pela preservação da raça asinina mirandesa é tão intenso nestas paragens, que levou o "speaker" do evento a pedir aos "animais para se dirigirem com os seus burros, junto ao camião para serem fotografados" (sic).
Houve animação e repasto a condizer (posta de vitela assada na brasa), com participação entusiasta de gente de todo o concelho, e de diversos estrangeiros (contei pelo menos 3 francesas, duas espanholas e um chinês). Pena foi que as mulheres não tivessem respeitado a forma de montar de antigamente: com saia e sentadas de lado. No resto, esteve tudo impecável. Parabéns à Junta de Freguesia e à A.I.V.E.C.A.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Ainda a segada

Segundo me contou a Ti Isabel Carvalho, no tempo da meninice dela incumbiam-lhe (a ela e à restante garotada) a tarefa de andar a apanhar espigas.
Fotos: Antero Neto.
Contam os mais velhos que na época da segada (começava em fins de Maio) a aldeia era invadida por "ranchos" de segadores, provenientes da zona de Vila Nova de Foz Côa e de Torre de Moncorvo. Esses grupos davam colorido à terra, que nessa altura ganhava animação extra.

domingo, 27 de julho de 2008

A Segada - reportagem fotográfica

O desinjum, às 7.00 h (e fizeram-me lá estar às 6.00 h!!!).
Há que trazer equipamento completo.

A cuidar da ferramenta.

O mais velho em acção (se ele sabe que anda pela internet... ai, ai, ai...)

O almoço vinha a caminho.
O menageiro a marcar o ritmo. Alguns, para aguentarem a pedalada, não intchabavam, provocando as "bocas" dos outros.

Muito futuro, muito futuro...

Casal de segadores (quem diria que no Azinhoso...).

Uma pausa para um gole de vinho, sorvido da bota espanhola.

À mesa do almoço as mulheres dançam e cantam, enquanto desafiam os homens para "parada e resposta". Mas estes acabaram por desiludir as senhoras...

O aguadeiro improvisado em acção.
As mulheres com as cabaças cheias de vinho e a cantar para animar os segadores (e que bem que cantam...)
Lá vai o burro com as canastras.

Depois da segada concluída, almoçou-se, por volta das 10.00 h, com degustação das óptimas sopas rijadas da segada (e ainda bacalhau guisado com batatas).

O carro ainda vazio.
O carro de bois já carregado e pronto a arrancar para as Eiras.

A fazer o murnal nas Eiras do Castanho

Limpa com ajuda do vento.

A crivagem para limpar.

Malhadores em acção.

Uma parte do produto final (grão centeio)

A junta de vacas a trilhar (reparem na mão esquerda do pendura: carrega um penico para apanhar os eventuais dejectos dos animais, para impedir que conspurcassem o grão - antigamente era um garoto e andava com uma cortiça).

A "mesa" para o "jantar" que foi servido cerca das 13.30 h. No final ainda houve sessão de cavaquinho e cantigas ao desafio (o vinho já tinha libertado as gargantas).
Fotos: Antero Neto.

Decorreu com inteiro sucesso a recriação da Segada à moda antiga. Houve muito participante e grande entusiasmo. Desde o "segador" mais novo (o meu filhote Rodrigo) com apenas um ano, até ao mais velho com 84 anos, todos estiveram à altura do acontecimento que engrandeceu e enobreceu mais uma vez a aldeia de Bruçó.
Pena é que não se comece a conceber este tipo de eventos com mais regularidade e direccionados para o emergente mercado turístico, que será o futuro desta região. Deixo aqui a sugestão. Há gente a pagar para ir às vindimas do Douro, e para pisar as uvas. Porque não começar a lançar os alicerces para a cativação desse público alvo para as nossas aldeias? Potencial não nos falta. Assim haja vontade. Por mim, podemos começar já amanhã...