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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A Quinta de Nogueira no inventário de 1759


No já mencionado inventário e sequestro dos bens da família Távora, ocorrido em 1759, consta a seguinte descrição da Quinta de Nogueira:

"A Quinta de Nogueira que tem de circuito em roda duas léguas grandes e consta de:

Árvores agrestes, carvalhos, azinheiros, freixos e mato baixo, em que estão vedados muitos veados e gamos, cercada toda a quinta, em redor, de valado alto com mato por cima com suas casas no meio que se compõem de sete casas altas, um corredor, duas casas baixas, uma cavalariça em quadra grande com um palheiro no meio, uma cozinha e uma casa de forno separada e nas casas os seguintes trastes: 5 bancas e seus bancos de espaldar, tudo de pau de castanho; 12 colmeias e 1 maceira, tudo na casa do forno. Tudo ficou confiado à guarda e administração de Marcos Gonçalves, lavrador, com a incumbência de defender a caça da coutada contra caçadores e lobos."

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Quinta de Nogueira - mais um pouco da sua história

Já aqui fui expondo alguns farrapos de memória respeitantes à magnífica "Quinta de Nogueira", vetusta e rica propriedade situada nos arrabaldes da vila de Mogadouro, que pertenceu à poderosa família dos Távoras, e que agora pertence aos herdeiros da casa "Casimiros". Esta ecléctica quinta, com a área total de 320 hectares, encontra-se presentemente à venda. Aqui ficam mais uns parcos subsídios para a sua história.
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 É ponto assente que foi domínio dos Távoras. Na sequência da chacina daquela estirpe, passou para as mãos da Coroa. Num período inicial, foi directamente explorada pelo Estado e, posteriormente, foi arrendada a particulares. Como podemos ver no documento anterior (da autoria de Feliciano Ramos, que investigou a obra de Trindade Coelho), em 1896 já estava nas mãos da família Dagge. Contudo, não sei como, nem quando lá foi parar.
Bonita ave por mim observada em terrenos da quinta.
A famosa porta (foto: Luís Martins).

Por cortesia do dr. Ilídio Martins, que aqui agradeço, tenho em minha posse cópia de alguns documentos de venda desta propriedade, feita pela sra. D. Sarah Tereza Dagge em favor do sr. Casimiro Martins (o negócio envolveu outros bens imóveis e outro comprador - o dr. António Maria Pereira). A transacção tem alguns pormenores assaz curiosos, nomeadamente a obrigação de os compradores darem, anual e solidariamente, a Ilda, Ailin e Esther Dagge (irmãs da primeira) um porco "com não menos de oito arrobas de peso" (entre outras).

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Quinta de Nogueira - apontamento histórico

Agora que se encontra à venda, fica aqui mais um breve apontamento histórico sobre a Quinta de Nogueira, interessante e rica propriedade de que já aqui se falou por diversas vezes. Numa crónica de 5 de Março de 1860, dá-se notícia do arrendamento da Quinta de Nogueira, Quinta Nova e Lameiro do Conde, propriedades do Estado, confiscadas à casa dos Távoras, a um Theodoro Pinto Basto, pela quantia de 1.550 réis. Mais se refere um pormenor delicioso: a Quinta de Nogueira foi gizada pelos Távoras para responder à tapada real de Vila Viçosa. Rivalidades de então...

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Foto: Antero Neto

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

As três portas da Quinta de Nogueira

Penso que já tinha aqui mencionado o facto de ter existido mais do que uma porta na Quinta de Nogueira. Ao passar os olhos pela obra do Abade de Baçal (Memórias...), constatei que, afinal, eram três essas portas. A saber: Cravalhoz, a nascente, São Gonçalo, a norte e  portas de Nogueira, a sul (entrada principal, e que ainda hoje se encontra parcialmente em pé). Eram as três edificadas em granito trabalhado (lavrado e rendilhado, nas palavras do Abade). Desconhece-se o destino das outras duas e lamenta-se o seu desaparecimento (em 1930 ainda existiam todas). O que ainda resta é um dos mais belos pormenores arquitectónicos do concelho.

 Fotos: Antero Neto.
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Ainda a coudelaria da Quinta de Nogueira

Em 1862 eram transferidas para a Quinta de Nogueira vinte éguas, provenientes da coudelaria nacional do Crato, e seis cavalos: três marroquinos, dois percherons e um anglo-normando.
Foto: Antero Neto.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Viagem à Quinta de Nogueira

A Quinta de Nogueira é uma das mais imponentes e fascinantes propriedades do concelho de Mogadouro. A sua existência remonta, pelo menos, à da família dos Távoras que a possuiu até à sua sentença de morte, decretada por D. José I. Após o extermínio da nobre família, a quinta passou para as mãos do Estado que, como vimos em postagens recentes, a possuiu até à segunda metade do séc. XIX, aí desenvolvendo profícua exploração pecuária e coudelaria.
Em tempos mais recentes, é sabido que uma parte pertence à família Pereira e a outra aos Casimiros. E foi o Luís Miguel, membro desta última, que me convidou a visitá-la. A acompanhar-nos estiveram a esposa, Virgínia, e o Zé Moura, alcaide de Penas Roias, que conhece esta área como ninguém.
À medida da visita, o Zé Moura foi-nos dando verdadeiras lições de agronomia, denotando aprofundado saber empírico e científico. Dá gosto ouvir alguém tão apaixonado pela agricultura.
O vetusto casario encontra-se desleixado, à espera de intervenção que o renove.
Entre patos reais e aves de rapina, ainda pude observar este belíssimo abelharuco a planar ao sabor da corrente térmica.
E eis-nos chegados a uma das jóias da coroa desta quinta: a porta de "Navalhós" (a outra jóia é o Monóptero de S. Gonçalo, que se situa no lado da família Pereira). Na quinta terá existido outra porta idêntica, que já desapareceu. Uma pena...
Fotos: Antero Neto.