Mostrar mensagens com a etiqueta padre telmo ferraz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta padre telmo ferraz. Mostrar todas as mensagens

sábado, 4 de janeiro de 2014

O Lodo e as Estrelas - Telmo Ferraz

Já aqui tinha falado desta obra, mas só agora a adquiri. É um livro emblemático, que chegou a ser alvo da máquina censórea do Estado Novo, que retrata a crua realidade sócio-económica associada à construção das barragens do Douro, no Nordeste, em plena década de 50 do século passado. Mais uma vez, a prosa deliciosa do escritor natural de Bruçó, envolve o leitor, transportando-o para universos aparentemente longínquos, mas que coabitaram paredes-meias com a ruralidade bucólica que, muitas vezes, julgamos ter preenchido com plenitude o quotidiano dos nossos pais e avós.
"O Zé Manuel nunca viu um prato, nunca viu uma mesa. Come dum caçoulo, sentado no chão.
Anda sujo. Anda roto. Anda alegre.
Joga a bola. Joga o pião. fala mal.
Não sabe o Pai-Nosso.
Sabe coisas feias e dorme com uma irmã.
São seis na barraca. Só há duas camas, com três mantas de farrapos.
Todos os dias apanha duas sovas da mãe e uma do pai.
No fundo, é bom. Sabe coisas feias, mas tem um coração de anjo.
Chora... Ri...
Quando pode, rouba e vai comprar rebuçados que têm jogadores. Troca-os por botões. Joga os botões... e joga o soco.
É um fenómeno.
7 de Janeiro de 1958"
In, O Lodo e as Estrelas, pág. 91.

Nota: este livro encontra-se à venda em Mogadouro, na loja "Sabor a Douro", na Rua dos Távoras, n.º 6

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Pelo caminho das Tipóias

Um dia destes, fui surpreendido por uma prenda inesperada. O padre Telmo Ferraz agraciou-me com a sua mais recente obra: "Pelo Caminho das Tipóias". Deixo aqui um forte abraço para este grande vulto da sociedade portuguesa, que vai espalhando a sua inigualável generosidade e abnegação em prol dos desprotegidos por terras de Malanje, na longínqua Angola. Sete-camadas-e-meia de nascimento, é um homem de cultura, cidadão do mundo, cujo espírito ultrapassa todas as fronteiras da mesquinhez humana. Houvesse mais como ele...
"SEMENTE...
Cada linha
Em cada página
Espera a hora
De viver...
Cada letra é semente
Que na leira vai nascer!

Dia a dia,
Ano a ano,
Dura jorna, 
Longa torna.

O que importa
Mais que tudo
É crescer." (pág. 10)

"TESOURO ESCONDIDO
Quissonde é uma aldeia à beira do rio Malanje. Palmeiras frondosas fazem o sombreado das cubatas. A capela é simples: paredes de adobes, chão de terra batida e telhado de chapa.
O Catequista tocou o sino - uma jante pendurada e um ferro para bater. Encheu pronto.
Cânticos bonitos! Nisto entrou uma jovem com um bebé ao colo e colocou-se no meio das cantoras. Sua voz sonora e cristalina dominou e, confesso, as velhas chapas vibraram. Tesouro escondido! Que sucesso faria esta voz nos palcos do mundo! Indiferente, o bebé puxou-lhe o seio  e mamou." (pág. 28).

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Padre Telmo Ferraz - novo livro

Chegou-me agora às mãos o novo livro do autor de "O Lodo e as Estrelas", padre Telmo Ferraz, meu conterrâneo. O livro é constituído por um conjunto de pequenas crónicas, com poemas dispersos pelo meio. Daqui saúdo esta nova aventura editorial deste autor transmontano.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Padre Telmo Ferraz

Uma viagem minimamente atenta pela História dos últimos 20 séculos do mundo ocidental fornece argumentos contra a Igreja Cristã que davam para escrever, não um livro, mas uma biblioteca.
Contudo, há também muito de positivo a apontar à mesma instituição.
O Padre Telmo Ferraz é um dos grandes responsáveis por alguns lampejos dessa faceta mais radiosa da Igreja. Nascido em Bruçó, no ano de 1925, continua lá pelas longínquas paragens de Malanje, em Angola, a derramar bondade e abnegação através da Casa do Gaiato local.
Dedicou toda a sua existência a ajudar os mais desfavorecidos, nunca virando a cara às dificuldades que lhe foram plantando pela frente.
Tem também uma faceta literária, menos conhecida dos conterrâneos. Escreveu o livro de poesia "O lodo e as estrelas", onde relata as dificuldades e a pobreza dos barragistas de Picote. A obra viria a ser censurada pelo Estado Novo.
Só tenho pena que não se tenha dedicado mais à escrita. O Padre Telmo é como o algodão: não engana. É escritor!